Marcio Pomárico/AE
Marcio Pomárico/AE

Thar: mar de areia e de estrelas

A fogueira feita de gravetos era a única luz na escuridão do deserto. Aquecia o chá e as conversas noite adentro. Era possível ouvir camelos pastando nos arredores e o som das raposas no alto das dunas. De repente, Singh, um homem que nasceu e se criou no deserto, começou a entoar melodias em hindi. Canções acompanhadas pelo batuque improvisado em caixas de papelão e garrafas de plástico. O céu, inundado de estrelas, parecia cada vez mais perto.

Rachel Verano, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2009 | 02h53

Chegamos ao coração do Deserto de Thar, nos arredores da cidade de Jaisalmer, no extremo oeste da Índia, depois de vencer duas horas de estrada em 4X4 e mais uma hora no lombo de vagarosos camelos.

Pelo caminho, a paisagem cada vez mais inóspita revelava templos hinduístas seculares, mausoléus de antigas famílias reais perdidos na imensidão, uma vegetação cada vez mais escassa e dura. Vez ou outra passavam rebanhos de poucas cabras magras, um boi, alguns camelos soltos.

 

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O pôr do sol já tinha sido esplendoroso, colorindo as dunas, os rostos, as nuvens. Ninguém esperava se surpreender ainda mais, mas a noite estava apenas começando. Os colchões foram espalhados ali mesmo. Aos pés das dunas, ao ar livre. Pesadas mantas ajudavam a afugentar o frio de cerca de 10 graus.

 

Mal o dia clareou e já estávamos no alto das dunas esperando pelo nascer do sol. A caravana de camelos seguiu manhã adentro pelo deserto, passando por vilas inteiras feitas de barro. Tudo parecia miragem. Mas uma imagem não saía da cabeça: a da lua nascendo no meio daquela madrugada, apagando um pouco as estrelas, mas iluminando nossa alma.

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