Tinto sofre mais, prefira o branco

Análise: Luiz Horta

O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2013 | 02h18

Vinhos sofrem sim no ambiente rarefeito das cabines de avião. Na verdade, não tanto o líquido, mas nossa percepção dele e a sua fruição. Lá nas alturas, pressurizados, amarrados e estressados, o olfato vai embora e o paladar perde muito de sua capacidade. Os vinhos tampouco estão na condição adequada, copos de plástico (taças de vidro ou cristal só nas classes superiores), temperatura alterada e sacudidelas de decolagens, pousos e turbulências. O problema se resume ao desencontro de vinhos um pouco maltratados e passageiros bebedores bem maltratados.

É preciso levar em conta que a diferença entre classes pesa muito. As econômicas, cada vez piores, reduziram a oferta (quando há) à escolha entre um tinto e um branco. Estes vinhos nem sempre são ruins. O problema é que apenas não há escolha: é um tinto único e um branco único e acabou.

O maior erro, que pode ser evitado, é pedir o tinto. Peça sempre o branco, pois a comida de avião precisa, por razões de conservação, ter alto nível de acidez e bastante tempero. E os tintos ficam horríveis diante da cremosidade e acidez da comida, viram copos de puro tanino, mostram amargor, ficam agressivos. Os brancos sofrem menos diante da comida, são mais simples e não atrapalham tanto, cumprem o papel de matar a sede, com algum frescor e presença.

Na classe executiva a coisa muda bastante, há cartas de vinhos, servidos em garrafa, com alguns grandes rótulos. Vale tomar um Borgonha, um Bordeaux; mas insisto, estará menos expressivo, terá menos aroma. Se puder resumir meu conselho a um só, diria: não beba nada na ida, o álcool se potencializa no oxigênio minguado dos aviões e pode causar enxaqueca. Portanto, só suco e água para não correr o risco de estragar o primeiro dia da viagem. Deixe para beber na volta, pois aí está tudo bem, já viajou, já gastou, terá uma fatura de cartão de crédito te esperando, já terminaram as férias e pode relaxar.

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