Renata Reps/AE
Renata Reps/AE

Toalha na grama para curtir os dias quentes

O dia a dia na Europa muda muito a depender da estação do ano. Em Paris, quando faz frio, as pessoas passam muito mais tempo em casa. O efeito inverno causa caretas e um jeito de ser mais mal-humorado do que de costume, não tão receptivo ao visitante que está em busca de calor humano. No entanto, no verão, a festa por lá é muito maior do que por aqui: toda a energia reprimida em meses de clausura é liberada especialmente entre os meses de junho e setembro: programações e horários especiais, restaurantes que só abrem (ou fecham, atenção) neste período, shows e apresentações ao ar livre dão sentido ao título de Hemingway: Paris vira mesmo uma festa. E esta é a melhor época para descobrir o que há de interessante nos passeios a seguir:

RENATA REPS /PARIS, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2012 | 03h09

Piquenique ao pôr do sol

Piquenique é programa obrigatório e a melhor forma de aproveitar o pôr do sol - às 22h30. A ideia é simples: passe no supermercado da esquina ou na fromagerie (loja de queijos) e no charcutier (loja de frios) que ficam ao lado do seu hotel e escolha os suprimentos. Não esqueça de levar uma baguete, copos de plástico e um saca-rolhas. Em seguida, faça uma parada para escolher o seu vinho na casa Nicolas (há várias lojas em todos os bairros da cidade). E se delicie com o preço das garrafas.

Leve a canga ao Parque des Buttes-Chaumont (metrô Laumière, linha 5), no 19º arrondissement de Paris. O clima agradável das árvores e do lago convida um público muito mais boêmio do que aquele que se instala nos jardins de Tulherias e Luxemburgo. No fim da tarde, passe no bar cult Rosa Bonheur, que além de comida e bebida, tem exposições, lançamentos de livros e até ensaios de coral todos os domingos, às 17 horas.

Se for para dar um jeito de ver uma partezinha do Sena, o ideal é instalar-se às margens do Canal Saint Martin, nos Quais de Jemmapes e de Valmy (metrô République). É ali que músicos levam seus instrumentos para praticar ao ar livre, estudantes se juntam para bebericar e moradores aproveitam para fazer sua caminhada diária. Quando o dia está bonito, a agitação é garantida até quando durar o sol.

Jardim suspenso

Três paisagens diferentes sem sair da mesma rota. O passeio de 4,5 quilômetros chamado Promenade Plantée vai de trás da Ópera da Bastilha, no 11º arrondissement, até o Castelo de Vincennes, no 12º. Um caminho que não faz parte do roteiro turístico convencional e que, por isso, não é abarrotado de gente. A antiga linha férrea desativada perdeu a utilidade, virou resíduo urbano, até que a prefeitura decidiu renovar o local em 1988 e transformá-lo em um parque linear.

O trajeto é estreito (cerca de 12 metros de largura), com momentos totalmente distintos como a passagem pela ponte suspensa sobre o Jardim de Reully ou a parte que beira a movimentada Avenida Daumesnil. A boa ideia tem origem americana: o High Line Park, em Nova York, que segue os mesmos preceitos.

Mesquita de Paris

"Parece que você está em outro lugar. É um pátio amplo, espaçoso, nos moldes do Mosteiro dos Jerônimos em Lisboa, mas com gente lendo o Alcorão", diz o arquiteto Gustavo Weiss, 28 anos, radicado em Paris há quatro. A mesquita foi cenário no filme Paris, Eu Te Amo (2006), e o mais atraente não está no prédio de muro alto e branco que quase esconde totalmente a bela parte de dentro. O restaurante com comida tradicional e a casa de chá são convites a aproveitar a tranquilidade contemplativa do ambiente - experimente a infusão de menta. Em uma cidade formada por imigrantes como Paris, é um programa interessante para se aproximar de uma cultura tão presente. Como respeito aos religiosos, evite o período do jejum do Ramadã, que varia todos os anos - em 2012, terminou no último fim de semana.

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