Toda a beleza e a tensão de um almoço com as feras

Enquanto escutamos as orientações do chefe da equipe, inúmeros tubarões rodeiam o barco. Uma imagem difícil de esquecer. E que ajuda a explicar a mistura de emoções quando se está a poucos momentos de cair na água para participar, como espectador, de um almoço com os animais. Sem gaiola de proteção.

NASSAU, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2011 | 03h07

A tensão é inevitável e faz parte desta aventura. A Stuart Cove, empresa que promove os mergulhos, se encarrega de ir buscar cada viajante no hotel, para evitar atraso (e desistências, quem sabe?). A assinatura de um termo de responsabilidade, que isenta a empresa em caso de acidente - raros na região, destacam os guias - aumenta ainda mais a dúvida: será que é seguro?

Há exigências e regras para (quase) garantir que, sim, você vai e volta inteiro. Para começar, apenas mergulhadores certificados podem participar. A principal orientação é nunca fazer movimentos bruscos perto dos tubarões. Informações passadas ao grupo pelo alimentador de tubarões Neal Harvey, enquanto o barco cumpre o trajeto de 2 quilômetros até Bahama Mama. Lá fica o navio cargueiro Ray of Hope, naufragado em 2003 para servir de arrecife artificial. A região é farta em tubarões-tigre e tubarões caribenhos de arrecife, conhecidos no Brasil como cabeças-de-cesto.

Piadas como "estão prontos para virar comida de tubarão?" tentam descontrair e aliviar a tensão. Harvey explica que os animais se aproximam dos mergulhadores por instinto, mas logo tomam outro rumo.

No primeiro mergulho, para reconhecimento da área, chegamos a uma profundidade de 25 metros. Ver um animal de 2 metros de comprimento vindo rápido em sua direção e desviando a pouco menos de 2 metros de distância é aterrorizante. Mas o movimento se repete tantas vezes que você acaba se acostumando.

O grande momento. No esperado mergulho para alimentar tubarões, todos descem a uma profundidade de 15 metros, até a proa da embarcação naufragada.

Vestido com uma roupa de malha de ferro trançada, Neal Harvey chega depois, com a caixa de alumínio cheia de pedaços de peixe. Larga a caixa na estrutura de ferro do barco, o que emite um som que dá início ao ritual.

A quantidade de tubarões aumenta - são pelo menos 40 após 15 minutos. É possível ver fêmeas de 3 metros de comprimento. Você pode sentir parte dos corpos dos animais batendo nos seus ombros, cabeça e rosto, enquanto tentam alcançar a caixa. Estamos tão perto que é possível ver detalhes de suas íris. E o que era assustador passa a ser fascinante.

De volta à superfície, o entusiasmo toma conta do grupo, que se cumprimenta com gritos de euforia. O alimentador chega depois e é recebido sob aplausos. Sua mão sangra. Ele diz que já perdeu a conta de quantas vezes foi mordido. "Os tubarões sentem que não é peixe e largam, mas o ferimento é inevitável", diz. "Vocês não foram mordidos porque não fizeram movimentos bruscos", explica, depois de perguntar, de brincadeira, se estavam todos bem e "com tudo no lugar". / JONNE RORIZ

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