Mariana Goulart/ Estadão
Mariana Goulart/ Estadão

Todas as cores de Purmamarca

As montanhas de Purmamarca foram nosso primeiro contato com as atrações naturais de Jujuy.

Mariana Goulart, O Estado de S. Paulo

13 Março 2018 | 04h55

As montanhas de Purmamarca foram nosso primeiro contato com as atrações naturais de Jujuy. Para isso, acordamos cedo: às 8 da manhã estávamos no carro prontos para desbravar a região. Ao longo do caminho, as árvores dão lugar aos cactos e o verde se transforma em infinitas nuances de laranja, vermelho e amarelo. 

Conforme nos aproximamos do vilarejo, surgem artesãos acompanhados de crianças e lhamas, e mochileiros. As cores estão por todos os lados. Não só nas montanhas, mas nas roupas das pessoas e nos enfeites que adornam os animais. Tudo isso contrasta com as casinhas de adobe que se espalham pelas ruas de Purmamarca. 

Chegamos junto com a chuva. Os artesãos corriam para cobrir as barracas, turistas e moradores tentavam se abrigar em cafés e debaixo de alguns poucos toldos. De repente, o burburinho das ruas foi cessando e todos pareciam ter feito silêncio para admirar a água que caía, transformando a poeira em barro. Chuva é algo raro por esses lados: a cidade é uma das mais secas da Argentina (a média de precipitação anual é de 364 mm), o que tornou esse momento ainda mais curioso para quem, como eu, colocava os pés no povoado pela primeira vez. 

O vilarejo está aos pés do Cerro de Los Siete Colores, uma formação rochosa com mais de 600 milhões de anos. As sete cores que ali existem são resultado da sedimentação de diversos minérios, um espetáculo para os olhos do visitante – ao nascer e ao pôr do sol, as cores se intensificam ainda mais. A distância entre o cerro e o povoado é mínima, e é possível avistá-lo de qualquer lugar. 

Mirantes

Para ter uma dimensão real, contudo, só do mirante. Aproveitamos a trégua da chuva para ter, do alto, a bela visão da montanha sobre o povoado. Paga-se 10 pesos (R$ 1,50) para subir.

Atrás dele está o Paseo de Los Colorados, um vale de três quilômetros que contorna as montanhas coloridas. O trajeto começa e termina em Purmamarca e pode ser feito de carro, mas a caminhada oferece oportunidade de observar as nuances do cenário. Há também um mirante, chamado El Porito, de onde se vê as montanhas que se espalham por todo o horizonte. 

Se decidir ir a pé, (escolha de 9 em cada 10 turistas animados), leve uma garrafa d’água, vista calçados confortáveis e aproveite o percurso para ver diferentes tipos de cactos e plantas rasteiras que crescem na terra seca e avermelhada. Trata-se de uma trilha bem tranquila (dura cerca de 45 minutos), com placas de orientação e muita contemplação no caminho – e, logicamente, diversas pausas para fotos. 

O povoado 

Apesar de os morros serem a principal atração, passear pelo povoado é indispensável. As ruas de terra batida estão sempre cheias de artesãos que vendem tecidos, roupas e objetos de cerâmica de tradição andina. A praça central fica tomada de turistas, que não se intimidaram com as poças e d’água e a fina garoa que voltou a cair, disputando espaço com cães e lhamas que andavam soltos. Ali está a Igreja Santa Rosa de Lima, construída em 1648 com uma arquitetura simples, também de adobe. 

Por conta das montanhas, os sinais de telefone e internet são ruins. Ao entrar nos cafés e restaurantes, quase sempre é possível ver uma placa indicando que ali não existe Wi-Fi. O que não parece ser um problema para os mochileiros: eles aproveitam o tempo livre para tomar o típico mate (repare como eles levam as cuias para toda parte), conversar com os moradores e explorar os mapas impressos entregues no Ponto de Informações Turísticas da praça central. Aliás, este é o ponto para agendar seus passeios, como trekkings ou tours de bicicleta. 

Noite animada

Purmamarca é pequeno, mas, como todo bom povoado turístico, oferece muitas opções de comida e hospedagem. Escolha entre ficar no centrinho, perto de tudo, ou na estrada paralela à rota 52 (bom para quem está de carro).

Há quem prefira passar o dia e voltar para Jujuy – algo possível, mas não recomendado. Dormir ao menos uma noite ali significa curtir melhor a atmosfera do lugar. Os restaurantes ficam abertos até tarde e, em alguns deles, há música ao vivo, com apresentações folclóricas.

Salinas Grandes

Muita gente passa rapidamente por Purmamarca antes de outro passeio clássico na região: rumo a Salinas Grandes. Com 12 mil hectares, o deserto de sal é pequeno se comparado a Uyuni, na Bolívia, mas ainda assim você vai conseguir usar a criatividade para fazer fotos divertidas: segurando seu amigo na palma da mão, como se ele fosse pequenininho, ou dando um salto normal que parece altíssimo. Se estiver hospedado em Purmamarca, é possível até contratar um táxi para um bate-volta. 

Bate-volta

Termas de Reyes 

Entre as montanhas, a 1.800 metros acima do nível do mar: é ali que está o hotel-spa. Construído na década de 30 para atender a alta sociedade argentina, o Termas fechou suas portas rapidamente. Na época, o acesso era muito ruim. Chegou a funcionar como um centro de reabilitação para crianças com problemas motores nos anos 1940, mas, em 1998, foi comprado por um empresário de Jujuy, reformado e reaberto em 2002. 

O local oferece serviços para hóspedes e não hóspedes. Há serviços de massagem, sauna e banhos com as águas termais que nascem no cerro. O spa-day custa a partir de 810 pesos (R$ 129) e é preciso fazer reserva. Já o restaurante fica em um salão, com grandes janelas com vista para os morros. O destaque é a truta, acompanhada de salada verde e amêndoas (220 pesos ou 

R$ 35). De sobremesa, parfait de cayote com melado de cana (90 pesos ou R$ 14), leve e saboroso. Site: termasdereyes.com.

Sinta-se em meio às montanhas no vídeo 360º a seguir. A experiência será melhor aproveitada pelo seu aparelho celular. 

 

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