Tons de cinza e verde e algum romance na Baía Ainsworth

Até ancorar na Baía Ainsworth, a primeira exploração em terra programada no roteiro do Stella Australis, navegamos durante a noite pelo Fiorde Almirantazgo - à esquerda, a maior ilha da Patagônia, a Terra do Fogo. Chegamos de bote a uma praia de pedras, com pedaços de gelo que boiavam em água calma e desenhavam verdadeiras esculturas. Dali, podem ser vistos ao longe o Glaciar Marinelli e a Cordilheira Darwin. Uma admirável sequência de montes e montanhas imponentes e branquinhas.

O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2011 | 03h08

O naturalista inglês Charles Darwin, que empresta o nome à cadeia de montanhas, conheceu a região no século 19 em uma expedição fundamental para sua teoria evolucionista.

O guia do grupo brasileiro, Cristóbal Fierro, explica que a cordilheira possui 1.872 fendas de gelo. São essas fendas que garantem a vida dos glaciares que rodeiam as montanhas.

O trajeto segue terra adentro, tendo como trilha sonora o canto dos pássaros e as explicações detalhadas sobre árvores, flores e liquens que amarelam as pedras. Os tons de cinza e verde da vegetação herbácea oferecem um bonito contraste com o branco virtuoso da neve das elevações enfileiradas no horizonte. Pendurado nas árvores, praticamente secas nesta época, os farolitos del China formam espécies de lustres. Dizem que um beijo dado sob esses ornamentos naturais prenuncia amor eterno. Os casais não resistem.

Uma parada diante de outra árvore, a que dá a frutinha mais famosa do extremo sul do continente, o calafate. "Você precisa comer para voltar à Patagônia", repete Fierro. No navio, provei a geleia. Deliciosa, como uma amora de sabor marcante e levemente azedinho.

A baía e pequenas ilhas do entorno abrigam uma colônia de elefantes marinhos. Mas, como ali é a natureza quem dá as cartas, não tivemos a sorte de avistar nenhum destes animas.

De volta ao bote, seguimos a um passeio de quarenta minutos em torno da ilha Tuckers. Não desembarcamos. Pela água, circundamos formações rochosas onde vimos uma colônia de cormorões, aves que fazem de ninho buracos na pedra. São aves migratórias, encorpadas, de um preto retinto e pescoço alongado. Os animais são monogâmicos e se encontram para namorar e procriar em seu ninho. Mais um capítulo fofo da expedição, para deleite dos apaixonados. / P.S.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.