The Distillery Historic District
The Distillery Historic District

Sandra Regina Carvalho , O Estado de S. Paulo

06 Junho 2017 | 05h00

TORONTO - Um dos filhos mais famosos de Toronto, o rapper Drake cunhou há cerca de dois anos o apelido mais cool que a maior cidade canadense já teve: The Six. A origem é a música Know Yourself, lançada em 2015, que tem na letra o trecho “ runnin’ through the 6 with my woes” (correndo pelas seis com minhas angústias), e se confunde com a união, em 1998, dos seis distritos que formam a Toronto atual: Etobicoke, North York, Scarborough, York, East York e a própria Toronto.

Também há quem diga que o apelido vem dos códigos telefônicos de Toronto, 416 e 647. A versão que envolve o rapper, no entanto, tem um ponto a seu favor: dialoga com a vibe criativa que domina vários aspectos do cotidiano da cidade. E conquista os turistas. 

Para uma parte dos brasileiros, aliás, está mais fácil visitar o Canadá. O governo canadense passou a conceder isenção de visto a uma parcela de visitantes. Desde 1.º de maio, brasileiros que tiraram algum visto canadense nos últimos dez anos ou que tenham um visto americano válido só precisam preencher uma Autorização Eletrônica de Viagem (eTA). Custa 7 dólares canadenses (R$ 17), tem validade de 5 anos ou até expirar o passaporte, o que acontecer primeiro, e o processo todo é feito online: bit.ly/canada_eta. A eTA só vale para entrar no Canadá por via aérea.

MAIS: Notícias sobre o Canadá

Diversidade. A massiva presença de imigrantes na população ajuda a garantir a diversidade que torna Toronto tão confortável para os turistas. O último censo mostrou um aumento de 6,2% na população da cidade em cinco anos, entre 2011 e 2016 – um crescimento que é atribuído em parte ao aumento da imigração. 

Até por isso, andar por Toronto é uma experiência cultural intensa. A arte está por todos os lados, seja a dos museus e galerias, reconhecida e unanimemente respeitada, seja a que desperta controvérsia, feita na rua, nos muros, combatida pelo poder público. Um tipo de arte que combina com a atmosfera jovem da produção musical de Drake.

Nesta página, você descobre seis formas de explorar a criatividade de The Six. 

*A repórter viajou a convite do turismo de Toronto.

Mais conteúdo sobre:
Américas Canadá Toronto

Encontrou algum erro? Entre em contato

Sandra Regina Carvalho, O Estado de S. Paulo

06 Junho 2017 | 04h30

Nem galerias, nem museus: há quem defenda que a faceta mais criativa da arte de Toronto está nas ruas. Não que as autoridades aqui sejam entusiastas do grafite. Ao contrário, a lei municipal proíbe esse tipo de intervenção urbana, prevê aplicação de multa ao proprietário que permitir que seu muro seja grafitado e só abre algumas exceções – depois da análise do desenho por um conselho que determina o que é arte ou vandalismo, o que fica e o que será eliminado. 

Como se o sistema já não fosse controverso o suficiente, uma parcela da população também é contra a arte de rua nos muros e paredes. Enquanto isso, tours de grafite já são parte do menu turístico de Toronto. 

O guia Julian fornece tais informações enquanto nos conduz pelos 500 metros do Grafitty Alley (Beco do Grafite), entre a Spadina Avenue e a Queen Street WEST, apontando e comentando desenhos. São de alguns dos grafiteiros mais relevantes do Canadá e também de estrangeiros. 

 

O conteúdo político e a origem multiétnica de muitos dos grafites espalhados pela cidade ajudam a turbinar a tensão. Grafiteiros acusam a prefeitura de contratar agências, que recontratam artistas dispostos a cobrir algumas paredes de desenhos de temas amenos para abafar o conflito. Julian mostra os grafites espontâneos e os “oficiais”. A diferença é gritante. 

Julian é guia da Tour Guys. A empresa oferece diariamente, às 17 horas, um passeio guiado de 90 minutos, gratuito. O ponto de encontro é a esquina da Queen Street West com a Soho Street, diante da pintura onde se lê “ hug me”, “me abrace” que enfeita um tronco de árvore – falso, feito de fibra para relembrar a árvore que existia ali até ter sido derrubada pela colisão de um carro. 

O tour pela arte de rua termina na mesma Queen Street West; a rua ferve com lojas criativas, brechós, galerias, restaurantes e bares. Caminhe ainda mais para oeste, em direção ao bairro de Little Portugal, para explorar a parte mais alternativa da via. 

A 2,5 quilômetros da Spadina estão dois hotéis queridos no circuito de arte alternativa. O Gladstone Art Boutique Hotel (quartos desde US$ 179) fica em um prédio vitoriano de 1889, restaurado em 2005, e abriga quatro andares de exposições de arte local. O Drake Hotel (desde 209 dólares canadenses), além de mostras, tem bar e balada.

MAIS: Confira bons eventos no mundo em junho

Encontrou algum erro? Entre em contato

Sandra Regina Carvalho, O Estado de S. Paulo

06 Junho 2017 | 04h30

Faz 14 anos que o Distillery District é uma das vanguardas de Toronto. O complexo de restaurantes, cafés, chocolateria, lojas e espaços artísticos ocupa 47 prédios vitorianos construídos em 1832 para abrigar a antiga Gooderham & Worts Distillery, uma fábrica de bebidas que foi, no século 19, a maior destilaria do mundo. Abandonada por mais de uma década a partir de 1990, quando encerrou as atividades, a fábrica foi reformada e reabriu em 2003 como espaço de artes, entretenimento e gastronomia. 

O Distillery District fica a leste do centro de Toronto, a 15 minutos de caminhada do Mercado St. Lawrence. As ruas são de paralelepípedos como antigamente, proibidas para carros, e você pode passear por elas a pé, de bicicleta ou de segway – 44,90 dólares canadenses, com taxas, pelo tour guiado de 30 minutos na Go Tours Canada

Vale gastar ao menos uma tarde inteira por ali. Chegue para almoçar ou fique para jantar no delicioso Cluny Bistrot, lindo na decoração e delicioso no cardápio; nos fins de semana, o restaurante serve brunch até as 16 horas. Você não vai se arrepender de passar pelo charmoso Balzac’s Coffee, marca original da canadense Stratford, a cidade onde nasceu o cantor Justin Bieber. O café é excelente. 

Parada deliciosa também é a chocolateria Soma. Além dos chocolates fabricados com cacau vindo de diferentes partes do mundo, o chocolate quente é uma experiência sensorial memorável. E não é que fomos servidos por um brasileiro? 

Para não negar as origens alcoólicas, funcionam no local a cervejaria Mill Street Brewery e a fabricante de saquê Izumi. Esta começou a funcionar em 2011 com a assistência da Miyasaka Brewing Co., cuja operação no Japão data dos anos 1600. As duas oferecem degustação. 

MAIS: No Canadá, parques e jardins coloridos no verão

Encontrou algum erro? Entre em contato

Sandra Regina Carvalho, O Estado de S. Paulo

06 Junho 2017 | 04h30

A diversidade que Toronto exibe nas ruas, museus e galerias vai também à mesa. Na cidade, comer é arte. 

Frank art.food.talk.

Com decoração casual e elegante, oferece um cardápio fresco, sazonal e sofisticado. A apresentação dos pratos não nos deixa esquecer que estamos em uma galeria de arte. De terça a sexta-feira, o espaço Cinq-à-Sept tem um cardápio leve para a happy hour. Há menus com entrada, prato principal e sobremesa a preços fixos no almoço (35 dólares, R$ 84) e no jantar (45 dólares, R$ 108). 

Luma

Instalado no segundo andar do TIFF Bell Lightbox, palco que recebe, em setembro, o concorrido festival internacional de cinema de Toronto, o Luma serve comida canadense e um pouco internacional. O ambiente moderno parece ter sido pensado para cair no gosto do público ligado em imagem e tendências que frequenta a região, conhecida como o distrito da mídia e do entretenimento. O salão tem paredes totalmente envidraçadas que deixam ver a King Street, badalada nesse trecho. Pratos principais variam de 20 a 40 dólares (R$ 48 a R$ 96). 

Nota Bene

Aberto em 2008 pelo chef David Lee – britânico que se mudou para o Canadá aos 24 anos –, o Nota Bene é frequentador assíduo das listas de melhores restaurantes de Toronto. O cardápio tem forte presença de frutos do mar e boas opções vegetarianas. No almoço, os pratos vão de 22 a 35 dólares (R$ 52 a R$ 84). Já no jantar podem chegar a 140 dólares para duas pessoas (R$ 336). 

La Société

Bistrô francês localizado no bairro requintado de Yorkville. Linda, a decoração interna inclui um vitral maravilhoso no teto. O terraço na parte externa é um convite nos dias mais quentes. Como bom bistrô francês, as batatas fritas são especiais. Pratos principais no almoço vão de 20 a 42 dólares (R$ 48 a R$ 100). Mas há um cardápio fixo especial durante a semana, mais acessível. 

Kasa Moto

Também em Yorkville, este restaurante japonês é agradável e tem comida muito boa. O tempura de brócolis e o arroz frito estavam deliciosos. A sopa de missô também foi muito elogiada na mesa. Pratos custam de 15 a 40 dólares (R$ 36 a R$ 96). Vale ter atenção ao escolher a mesa: no piso superior, você corre o risco de sentar perto da cozinha e sair de lá com cheiro de comida nas roupas. Melhor ficar no piso inferior. 

Planta

Uma agradável surpresa foi este restaurante, cujo menu, à base de plantas, prega a sustentabilidade no ambiente e na cozinha. Tanto os proprietários quanto o chef se recusam a chamá-lo de vegetariano ou vegano, mas o fato é que não se usa produto animal na elaboração dos pratos. O ambiente moderno atrai os jovens, especialmente para o jantar servido ao som de um DJ. Espere gastar, em média, 27 dólares (R$ 65) no almoço e 44 (R$ 106) no jantar. O Planta também fica em Yorkville.

Tim Hortons

Parece fora de contexto uma rede de fast food entre tantos bons restaurantes, mas esta é genuinamente canadense. A Timmi, como é chamada no país, foi fundada em 1964 pelo jogador de hóquei que lhe empresta o nome. Tim Hortons, aliás, morreu bêbado em um acidente de carro, 10 anos depois de criar os restaurantes. Em 2014, a rede foi comprada pelo Burger King. O combo bebida mais lanche custa 12 dólares (R$ 29).

MAIS: Descubra drinques típicos mundo afora

Encontrou algum erro? Entre em contato

Sandra Regina Carvalho, O Estado de S. Paulo

06 Junho 2017 | 04h30

Dois dos mais importantes museus do Canadá estão em Toronto. Prepare-se para visitas longas. 

Fundada em 1900, a Art Gallery of Ontario (AGO) tem hoje um acervo de 80 mil obras. Depois de dez anos de sua criação, foi transferida para uma mansão do século 19 doada por um historiador britânico na Dundas Street, onde está até hoje – mas com ampliações e reformas. Boa parte do prédio atual é criação de Frank Gehry, o arquiteto que transformou o museu Guggenheim, de Bilbao, em um ícone mais lembrado por sua arquitetura do que pelo acervo. 

Para ter a exata dimensão do projeto de Gehry, que é natural de Toronto, é preciso tomar distância. Dar a volta e observar o edifício pela parte de trás, onde uma parede de vidro e titânio azul sustenta uma escada espiralada, suspensa. Dentro há uma outra escada com design semelhante, mas de madeira. 

Várias obras importantes estão expostas na AGO. Retratos de Rembrandt, pinturas de Monet, Picasso, Van Gogh. Além de uma coleção de grandes obras de artistas canadenses. A loja do museu tem alguns dos brinquedos mais legais que você pode comprar em Toronto. São jogos de tabuleiro, quebra-cabeças, livros e peças de armar inspirados nas obras expostas. O ingresso da  AGO custa 19,50 dólares canadenses (R$ 47).

O Royal Ontario Museum ou Museu Real de Ontário (ROM) é o maior do Canadá. Tem um acervo de arte e história natural que soma seis milhões de peças expostas em 40 galerias – a ala dos dinossauros é das mais interessantes. Foi fundado em 1914 e administrado pela Universidade de Toronto – à qual continua ligado – até 1968. 

Sua importância começa no edifício-sede, que passou por restaurações e ampliações ao longo de sua história. A última, em 2007, adicionou ao prédio original do começo do século 20 uma estrutura de metal e vidro que mudou a paisagem deste trecho da Bloor Street, com seu formato anguloso que avança sobre a calçada. Essa parte do museu foi batizada de Michael Lee-Chin Crystal.

Vivendo no Canadá, o magnata jamaicano doou US$ 30 milhões para o ROM, segundo ele, como retribuição ao muito que o país fez por sua família.

O projeto é assinado pelo arquiteto polonês naturalizado americano Daniel Libeskind, o mesmo que assina o One World Trade Center, prédio que foi construído no lugar das antigas Torres Gêmeas, em Nova York. O ROM recebe também eventos: este ano, entre abril e maio, abrigou o Hot Docs, maior festival de documentários do mundo. O Brasil foi representado por Divinas Divas, de Leandra Leal, e Estado de Exceção, de Jason O’Hara. O ingresso básico custa 20 dólares (R$ 48).

 

Sapatos. Perto do ROM, o Bata Shoe (14 dólares, R$ 34) é um museu dedicado à história dos sapatos. Aficionados devem reservar pelo menos duas horas para visitar o interior da grande caixa de sapatos, que é como o edifício se parece por fora. Dentro, ancestrais pré-históricos dos calçados e pares usados por autoridades políticas, estrelas da música, astros do cinema. 

Dá até para brincar. Em um canto há diversos tipos de sapatos e um espelho. Experimente todos e se aventure a dar alguns passos. Com alguns, garanto que será um desafio. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Mônica Nóbrega, O Estado de S. Paulo

06 Junho 2017 | 04h30

Toronto mostra sua disposição criativa mesmo nos clássicos. Turistas podem caminhar a mais de 300 metros de altura ou pelos subterrâneos da cidade. Se for a primeira vez, não perca. 

Ripley’s Aquário

Aberto em 2013 ao lado da CN Tower, é uma das atrações mais novas de Toronto – mas é dessas que já nascem clássicas. São 16 mil bichos aquáticos de 450 espécies que habitam um complexo de tanques, vários deles interligados num roteiro que dá ao visitante a impressão de estar submerso. O gigantesco maquinário que movimenta, oxigena e forma ondas na água pode ser visto em funcionamento. Ingresso com hora marcada a 30 dólares canadenses (R$ 72). 

CN Tower

A CN Tower é a terceira torre (edifício não habitável) mais alta do mundo, com 553 metros, e a construção mais alta da América do Norte. Seu principal valor turístico é como mirante: o deque de observação mais alto fica a 447 metros de altura. Mais abaixo, a 342 metros, você pode caminhar sobre um piso de vidro olhando o vazio sob os pés. Ou fazer uma refeição no restaurante. Chega-se lá por elevadores de alta velocidade com paredes de vidro. Tíquetes de 36 a 48 dólares (R$ 87 a R$ 116). Em busca de uma experiência com nível avançado de frio na barriga? A Edge Walk é uma caminhada pela área externa da torre, a uma altura de 356 metros. Custa 225 dólares (R$ 542) por pessoa. 

Prefeituras nova e velha 

Na Praça Nathan Phillips, a prefeitura atual de Toronto é formada por duas torres circulares, de 1965. A antiga é um casarão do fim do século 19. Ambos são visitáveis, mas valem mais pelas fotos da fachada – como a própria praça, que além de receber festas públicas, abriga a fonte onde está o letreiro com o nome da cidade.

Mercado St. Lawrence

Este bom mercado de comida fresca é frequentado por turistas para experimentar o sanduíche de peameal bacon, um filé de lombo de porco. É uma comida típica de Toronto, e o mais famoso fica na Carousel Bakery, dentro do mercado. Custa 7 dólares (R$ 17).

Path

A “cidade subterrânea” de Toronto tem cerca de 30 quilômetros de corredores. Foi inaugurada em 1987 para facilitar a circulação de pessoas pelo centro da cidade durante o rigoroso inverno. Estabelecimentos como o shopping Eaton Centre (mais de 230 lojas) e o Hall da Fama do Hóquei (18 dólares, R$ 44) têm entradas tanto no nível da rua quanto pelo subterrâneo. Atenção: é fácil se perder; o mapa é indispensável. Encontre em bit.ly/pathmap. / MÔNICA NOBREGA

MAIS: Guia das estações de esqui da América do Sul

Encontrou algum erro? Entre em contato

Sandra Regina Carvalho, O Estado de S. Paulo

06 Junho 2017 | 04h30

Na mesma Dundas Street onde fica a Art Gallery of Ontario, é possível brincar de ser um mestre dos pincéis. No estúdio Pinot’s Palette, o visitante participa de uma aula de pintura. Trata-se, na verdade, de mais que uma aula: é um evento no qual, em duas horas, além de se aventurar entre telas e pincéis, os participantes celebram com bebidas como vinho e cerveja. 

É preciso fazer reserva antecipada. Consulte o calendário no site do estúdio. As sessões são temáticas, ou seja, a professora de pintura vai dando o passo a passo para que os alunos criem na tela a sua versão do assunto eleito no dia. Entre os próximos temas há “coração na areia”, “brilho da lua através da árvores”, “amo Paris”, “tulipas à la Van Gogh” e “floresta silenciosa”. 

Avental, tela, pincéis e tintas estão incluídos no valor, que varia de 30 a 40 dólares canadenses (R$ 72 a R$ 96). A aula é divertida e, embora um ou outro talento possa ser revelado no meio da brincadeira, os alunos em geral não são exatamente experts. Pode ir sem timidez. 

A ideia de criar a Pinot’s Palette nasceu em 2009, em Houston, nos Estados Unidos. Hoje, são mais de 70 lojas em 37 Estados americanos. A de Toronto é a única no Canadá. 

+ DÊ O PLAY!

SAIBA COMO VIAJAR COM CRIANÇAS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.