Danielle Petti/Destination Canada
Descanso em Harbourfront, às margens do Lago Ontário Danielle Petti/Destination Canada

Toronto com crianças, para fãs de esportes ou gastronomia: escolha a sua

Capital financeira do Canadá, a cidade esbanja simpatia, especialmente no verão. Confira o que fazer por lá

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2019 | 05h00

Toronto é uma daquelas cidades que te abraçam na chegada e desejam até logo na saída. Especialmente no verão (quando as temperaturas são bem mais amigáveis que os 25 graus negativos do inverno canadense), a cidade canadense e as pessoas te recebem com uma simpatia difícil de descrever. 

É verdade que o rápido e confortável traslado do aeroporto internacional para o centro de Toronto pelo trem UP Express é um excelente cartão de visitas. Também ajuda ser plana e limpa: cidades planas são ingresso VIP para quem, como eu, gosta de caminhar à toa para se deslumbrar com qualquer cena ou detalhe novo - seja com uma corrida de esquilos no jardim da universidade, com a faixa de pedestre colorida no bairro Gay Village ou com a quantidade de bicicletas trafegando de forma fraterna ao lado dos carros (tem até mapa para os ciclistas). 

Particularmente, acho que me senti bem-vinda porque paira uma leveza acolhedora no ar. E não apenas pela sensação de segurança - as pessoas são mesmo leves. Da funcionária na alfândega na imigração à atendente em uma loja Winners lotada, não senti hostilidades. Difícil acreditar que as pessoas numa capital financeira sejam assim, tão amáveis. 

Falando em capital financeira, vale frisar que Toronto não é Nova York. Muita gente compara as duas capitais, mas não deveria ser assim. Toronto tem personalidade própria: é organizada em termos urbanísticos, mas cheia de vida e com o caos construtivo que isso pode trazer. É fácil de se achar (graças ao metrô limpo e às linhas de ônibus) e, em igual medida, de se perder, haja vista a quantidade de coisas legais para fazer. E além de tudo, tem as pessoas mais cordiais e prestativas (já falei isso?) que uma cidade cosmopolita, gigante em território e também em comércio (com muitas ofertas tentadoras) pode oferecer.

Ainda assim, algumas comparações entre as duas cidades são verdadeiras. Como a Big Apple, Toronto é multiétnica e repleta de imigrantes: cerca de 50% de seus moradores não nasceram no Canadá. Por causa disso, o governo municipal publica informações em 79 idiomas. Mais de 200 línguas e dialetos são falados pelos diferentes bairros (mas você vai se virar bem com o inglês).

A cidade, a exemplo de Nova York, também é muito usada como cenário em filmes e seriados de televisão. Toronto figura entre as cinco maiores da América do Norte para a indústria cinematográfica. Por ali foram filmados Star Trek: Discovery, The Handmaid’s Tale, Shazam!, Titans e muitos outros títulos que estão rodando enquanto você lê esta matéria. 

Little Apple?

Apesar das comparações, desconfie de apelidos como chamar a praça Yonge-Dundas de “Times Square” ou de dizer que o High Park é o “Central Park” de Toronto. A Yonge-Dundas, entroncamento dessas duas importantes ruas (ydsquare.ca), é tão vibrante quanto a praça nova-iorquina mas com um espaço convidativo para atividades comunitárias, como aula de ioga nas manhãs de segunda-feira. 

Já o High Park  não fica no coração da cidade, mas a 8 quilômetros da principal estação de trem e ônibus, a Union Station. Em meio a muito verde, há áreas para piquenique, playgrounds (inclusive com brinquedos de água), trilhas para caminhadas, zoológico e restaurantes  convidativos.

Para chegar lá, pegue o metrô e desça na estação High Park. Se precisar de informação, não se preocupe: a gentileza das pessoas sempre será um diferencial. Na estação de ônibus, a funcionária da bilheteria respondeu a todas minhas dúvidas de primeira viagem e emendou: “Vai dar tudo certo. Qualquer dúvida, eu vou estar aqui amanhã. Pode vir falar comigo”. 

A cordialidade dos canadenses talvez possa ser explicada, ainda que sem nenhuma base científica, pelo fato de eles serem poucos num lugar tão grande. O país é o segundo maior do mundo em território mas é o 39.º no ranking populacional do Banco Mundial. Se mais canadenses disputassem o mesmo quilômetro quadrado, talvez o bom humor não fosse assim tão farto. Mas não dá para saber. O fato é que Toronto recebe 44 milhões de turistas cheios de perguntas e demandas todos os anos e, mesmo assim, nos abraça na chegada e deseja até logo na partida.

ANTES DE IR

Como chegar 

A Air Canada tem voos diretos para Toronto desde Guarulhos, por a partir de US$ 656 (mais taxas de embarque). O voo dura dez horas e chega no terminal 1 do Pearson International Airport, onde fica a estação do trem UP Express (ida e volta a 24,70 dólares canadenses ou R$ 68). O UP leva 25 minutos entre o aeroporto e a estação Union Station.

 

City Pass

O passaporte custa 92 dólares canadenses (R$ 255) para adultos e permite a entrada em cinco atrações: CN Tower, Casa Loma, Ripley’s Aquarium, Royal Ontario Museum e também o Zoológico de Toronto Zoo ou Ontario Science Centre.

 

Site oficial

seetorontonow.com

Onde ficamos

Thompson Toronto Hotel

Paredes e teto pretos. Uma árvore de florzinhas brancas no meio do hall. Bicicletas azuis para emprestar. O Thompson  é um hotel-butique do grupo Hyatt com estilo descolado. Mesmo o quarto mais simples (sem antessala ou banheira), oferece amplo espaço para descansar e trabalhar. A cama king size com lençóis 300 fios te abraça e pede “fica só mais um pouquinho” quando o despertador toca. O chão do banheiro branco de mármore é aquecido e a academia, bem equipada – a diária custa a partir de 333 dólares canadenses (R$ 927) o casal. O café da manhã, pago à parte, é no Thompson Diner. Com fome, peça a releitura de ovos Benedict (16 dólares canadenses ou R$ 45); para começar o dia leve, peça a Avocado Toast (11 dólares canadenses ou R$ 30).

College Backpackers Inn 

O hostel tem uma fachada pichada e pouco amigável, mas os funcionários são ótimos. Há quartos privativos (a partir de 109 dólares canadenses por pessoa, R$ 302) e coletivos com quatro ou seis camas (36,99 dólares canadenses por pessoa, R$ 102). O café da manhã é excelente para um hostel – tem café, leite, iogurte, biscoitos, bagels e pão de sanduíche, além de geleia e margarina. A cozinha pode ser usada 24 horas, a roupa de cama é boa e o locker no dormitório comporta uma mala de mão. No coração do Kensington Market.

 

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Arte nos museus e nas ruas

Obras clássicas e contemporâneas têm espaço na Art Gallery e no ROM e há tours grátis para ver os grafites mais famosos

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2019 | 04h50

Art Gallery of Ontario (AGO)

No coração de Toronto – a 12 minutos a pé da prefeitura e do letreiro gigante com o nome da cidade –, a galeria pode levar um dia inteiro para ser visitada. São cinco andares, mais de 95 mil peças e uma coleção que inclui clássicos como Auguste Rodin a nomes da arte contemporânea como Pierre Huyghe, passando por obras de artistas canadenses indígenas, chamados no país dos povos das Primeiras Nações.

Como se tudo isso não fosse suficiente, o edifício já é uma obra de arte. Especialmente a expansão do prédio, feita pelo arquiteto Frank Gehry (o mesmo do museu Guggenheim de Bilbao), é de uma beleza e luminosidade incríveis.

Desde o fim de maio, a AGO abriga de forma permanente a instalação Infinity Mirrored Room – Let’s Survive Forever da artista Yayoi Kusama. A obra, que consiste em uma sala cheia de espelhos e das tradicionais esferas da artista japonesa, atraiu milhares de visitantes na primavera de 2018, que formavam filas e filas para admirá-la por apenas um minuto. O sucesso estrondoso levou a AGO a organizar uma vaquinha online para angariar recursos e tornar a obra permanente. Deu certo. Cerca de 4.700 pessoas doaram entre 1 e 25 mil dólares cada, e a obra de Kusama tornou-se a primeira adquirida por um museu canadense por crowdfunding

A sala tem uma coluna vazada e espelhada no centro que convida o visitante a espreitar lá dentro. O difícil é entender o que é real e o que é reflexo dentro desse espaço imersivo e que instiga a reflexão sobre o momento narcisista, registrado em selfies, da atualidade. Mais difícil ainda é admirar as imagens infinitas que o jogo de espelhos cria em um minuto. Cada grupo de visitantes pode ficar apenas 60 segundos lá dentro. 

Desde maio, quem tem até 25 anos não paga para entrar na AGO. Acima dessa idade, são 25 dólares canadenses (R$ 69) por uma visita ou 35 dólares canadenses (R$ 97) pelo passe anual.

Graffiti Alley

Entre as ruas Queen e Richmond, o Graffiti Alley é uma espécie de Beco do Batman canadense. Para conhecer bem a região e entender o mundo do grafite, uma visita guiada faz diferença. A Tour Guys é uma agência de turismo que faz roteiros a pé pela cidade – como diz o fundador e guia Jason Kucherawy, a proposta é caminhar e conversar (walking with talking). O tour é grátis e pode ser reservado pelo site tourguys.ca mas é esperado que o turista ofereça uma gorjeta (em média, 10 dólares canadenses ou R$ 28). Pela aula e o entusiasmo de Jason, um antropólogo, pesquisador do grafite e estudioso de artes e pintura, vale mais do que isso.

Royal Ontario Museum

A fachada em si, em formato de cristal, já é uma obra de arte, criada pelo arquiteto Daniel Libeskind, do One World Trade Center. O ROM está entre as dez maiores instituições de arte da América do Norte e abriga 13 milhões de peças. Entre as exposições estão obras de arte, espécimes de história natural e objetos culturais. Os ingressos custam 23 dólares canadenses (R$ 64). Na noite da terceira segunda-feira do mês, a entrada é gratuita.

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Para as crianças (mas adultos também se divertem)

Visitar um aquário grandioso ou o único castelo em tamanho real da América do Norte são atividades para toda a família

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2019 | 04h50

Ripley's Aquarium

Já tinham me falado da grandiosidade do aquário de Toronto por seu tamanho, diversidade de espécies e pela forma lúdica com que apresenta suas atrações para as crianças. Fui meio a contragosto (não gosto de aquários) para aproveitar uma manhã de chuva na cidade. Paguei a língua – ou melhor, os pensamentos, porque eu não tinha confessado nada disso a ninguém até escrever este texto.

O Ripley’s Aquarium of Canada (ingressos a partir de 33 dólares canadenses ou R$ 91,50 para adultos; 10 dólares ou R$ 28 para crianças entre 3 e 5 anos) tem vários pontos altos. Desde o pequeno aquário com Nemos e Doris na área com playground e lanchonete até a piscina Ray Bay, cheia de arraias que deixam os mais corajosos tocar em seus dorsos e o Planet Jellies, uma galeria com água-vivas de todos os tamanhos. 

Mas a que mais me chamou a atenção foi a Dangerous Lagoon, que o turista aprecia por cima e de dentro. Um túnel de vidro deixa os visitantes cara a cara com diferentes espécies de tubarão e outros peixes. Há ainda programas pagos à parte, como o Stingray Experience, mergulho com snorkel na piscina das arraias (120 dólares canadenses para adulto ou R$ 333). 

Casa Loma

Uma volta divertida ao passado é a Casa Loma, único castelo em tamanho real da América do Norte. Ali morou Sir Henry Pellatt, um ricaço excêntrico do início do século 20. O lugar é enorme e você pode propor várias brincadeiras para a criançada na pegada “caça ao tesouro”. Vale procurar o quarto da Lady Mary, a esposa de Sir Henry; tentar desenhar os vitrais ou o teto maravilhoso do jardim de inverno ou ainda fazer a caçada ao tigre.

A vista da torre do castelo também vale o esforço de subir em escadinhas estreitas. Como a Casa Loma fica no alto de uma colina, é possível ver uma boa parte da região central da cidade. Depois de brincar pelos três andares do castelo, entre nos túneis que levam aos estábulos e a uma coleção de carros antigos, impecavelmente conservados. 

Antes de chegar lá, a criançada vai passar pelo funcionário alimentando a fornalha que aquecia a água para os banheiros de mármore de Lady e Sir Pellatt e os ambientes da casa de 200 mil metros quadrados. Ali, 800 toneladas de carvão eram necessárias para manter o castelo quente durante o rigoroso inverno canadense. 

Depois que Sir Henry deixou a casa por dificuldades financeiras, a Casa Loma foi transformada num hotel de luxo, inaugurado em 1927. Com a grande depressão econômica a partir de 1929, o hotel fechou as portas. Ingresso a 30 dólares canadenses (R$ 83) para adultos e 20 dólares canadenses para quem tem de 4 a 13 anos (R$ 55,50). 

Segway

Crianças a partir de 12 anos podem fazer um divertido tour de segway pelo Distillery District. Os guias da Go Tours Canada juram que com dez minutinhos de aula qualquer novato anda de segway sem atropelar ninguém pelas ruas desse distrito comercial, histórico e turístico. O passeio básico diurno dura 30 minutos e custa 39 dólares canadenses (R$ 108). A empresa também oferece o passeio em busca de fantasmas, o The World's Least Scary Ghost Tour (40 minutos de duração; 49 dólares canadenses ou R$ 136).

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Clássicos: os reis do city tour

Da onipresente CN Tower ao burburinho do Distillery District

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2019 | 04h50

CN Tower

A CN Tower é daqueles pontos turísticos que fazem o viajante analisar se vale o tempo e ingresso. Pois vale sim. A torre foi construída com o objetivo de mostrar a grandeza da indústria do país no início dos anos 1970, e se transformou em um marco da cidade. 

São ao todo 553 metros de altura, mas os dois andares destinados ao observatório ficam a pouco mais de 340 metros do chão. O LookOut é um andar todo envidraçado, de onde se tem uma visão panorâmica da cidade. Como me disse uma amiga, é do alto que dá para ver que tem uma cidade no meio de uma floresta verde. Descendo as escadas, o observatório é aberto, protegido por uma grade, mas não do vento (não menospreze esse detalhe). 

Almoçar no restaurante acima do LookOut, que gira 360 graus em 72 minutos, é uma opção a se considerar. O ingresso que inclui visita à torre e almoço com entrada e prato principal custa 60 dólares canadenses (R$ 166,50) – o ingresso básico custa 38 dólares canadenses (R$ 105,50). 

Eu já senti vertigem no elevador (que sobe a 22 km/h), mas se não for seu caso dá para encarar o EdgeWalk. Os corajosos pagam 135 dólares canadenses (R$ 375) para caminhar na beiradinha do teto do restaurante – mas com equipamento de segurança, roupa especial e na companhia de monitores. O máximo de risco que encarei na CN Tower foi deitar para fazer uma foto sobre o chão de vidro no observatório. Segundo o cartaz colocado ali, o piso suporta o peso de três orcas e meia. Ufa. 

Ônibus hop on-hop off

Um clássico das grandes cidades que vale para quem tem pouco tempo e não quer ficar consultando mapas para conhecer os pontos principais. O trajeto passa por lugares como Distillery District e Casa Loma, e permite que o turista suba e desça quantas vezes quiser ao longo de 48 horas. 

O percurso leva aproximadamente 2h, então aproveite o passeio para ter uma boa noção da área central da cidade, incluindo a região de teatros (onde é possível ver musicais à la Broadway como O Rei Leão). Um guia acompanha o grupo contando curiosidades – o tour custa 38,05 dólares canadenses (R$ 105,60) para adulto. Com esse ingresso, o turista também pode fazer um passeio de barco.

Distillery District

 

No início do século 19, funcionava ali uma destilaria de uísque, que chegou a ser a maior do mundo e maior pagadora de impostos do Canadá. Quando a fábrica de bebidas deixou de funcionar há algumas décadas, um grupo de empresários decidiu transformar o lugar de arquitetura vitoriana em um centro de artes, cultura e gastronomia. São cerca de 100 estabelecimentos, entre oficinas de artes, fábrica de chocolate, de cerveja, lojas de cosméticos, roupas, padaria, restaurantes. É o tipo de lugar que agrada a todas as idades. 

Uma visita à Soma Chocolate e seus bombons, sorvetes e chocolate quente é imprescindível depois de um almoço na cervejaria quase em frente, a Mill Street Brewpub. Se curte cervejas diferentonas, experimente a Hopped & Confused: é bem refrescante. Aos feriados e fins de semana, eles servem brunch e oferecem tours “cervejísticos”, que duram cerca de 40 minutos – com quatro degustações, custam 10 dólares canadenses (R$ 27,75).

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Compras: prepare o bolso

Grifes badaladas, shoppings tentadores e ofertas irresistíveis. Prepare-se para voltar com a mala cheia

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2019 | 04h50

Se os Estados Unidos viraram destino para turismo de compras, o vizinho Canadá também merece entrar nessa categoria. Pode colocar Toronto na lista: a cidade tem oferta farta de roupas, eletrônicos, tênis, maquiagens e, obviamente, malas para carregar tudo isso de volta ao Brasil. São muitas opções boas e baratas na cidade, seja em grandes centros comerciais ou em lojas de rua.

Mas quem quer começar o circuito com altas cifras deve ir direto para Yorkville. Descendo na estação Bay Street da linha amarela do metrô, você sai no coração desse bairro que tem lojas e restaurantes à la Oscar Freire em São Paulo e marcas como as presentes na Quinta Avenida de Nova York. As compras podem começar na Bloor Street, em lojas como Louis Vuitton, Burberry e Prada, e chegar à paralela e estreita Cumberland Street, onde estão Kate Spade e um restaurante que vale cada dólar canadense, o Bar Reyna.

A casa tem boa variedade de drinques, petiscos e pratos, servidos em um ambiente aconchegante e descolado. Uma boa pedida é o Lamb Baklava (10 dólares canadenses ou R$ 27,75), um petisco levemente adocicado de pernil de cordeiro acomodado em um kataifi (ninho de massa cabelo de anjo) com aioli e pistache. Para beber, um dos drinques imbatíveis é o Southside Society (17 dólares canadenses ou R$ 47), que tem como base gim com toque de hortelã e limão. Além de divertir o paladar, o bar agrada aos ouvidos: as noites de quinta-feira são reservadas aos shows de jazz.

Se a ideia é bater perna em shopping, uma opção certeira é o Eaton Centre. São mais de 230 lojas, lanchonetes e restaurantes. Tem de Apple e Best Buy à marca japonesa de roupas Uniqlo e Danish Pastry House, uma confeitaria de doces dinamarqueses enlouquecedores. São várias entradas: a principal fica em frente à Yonge-Dundas Square. Mas também é possível entrar pela Queen Street, bem pertinho da estação Queen do metrô.

Na Yonge Street, caminhando poucos metros ao norte, você encontra uma filial da Winners e outra da Marshalls, lojas de departamentos no estilo americano de muita variedade, muita oferta e que exige muito tempo para procurar pechinchas. Ambas são do mesmo grupo empresarial americano, o TJX, dono da marca TJMaxx. Não estranhe se você encontrar alguma peça igual nas duas lojas.

A menos de dois quilômetros a leste da Yonge-Dundas, a Queen Street também oferece opções interessantes. Uma loja pequena, mas com grandes ofertas em tênis, camisetas de times e roupas esportivas, é a SVP Sports. Foi lá que encontrei camisetas festivas dos Raptors (time que, durante minha viagem, se tornou campeão da NBA pela primeira vez) por apenas 10 dólares canadenses (R$ 27,75). Nada mau.

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Gastronomia: capricho à mesa

Vocação multicultural de Toronto se expressa na variedade de culinárias do mundo todo. Se quiser uma receita tipicamente local, experimente uma poutine

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2019 | 04h50

Toronto é uma verdadeira Disneylândia gastronômica, tamanha a variedade de opções. Embora, à primeira vista, não pareça. Afinal, sempre que eu perguntava o que deveria comer ouvia como resposta “poutine”. Na maioria das versões, trata-se de um punhado de batatas fritas cobertas com um molho marrom à base de carne que, por sua vez, é coberto de queijo. Para o guia turístico e gourmand Jusep Sim, da Chopsticks+Forks, o melhor de Toronto é o da Moo Frites (6,65 dólares canadenses ou R$ 18,50), no imperdível Kensington Market.

Apesar de o nome sugerir um mercado, o Kensington Market é um bairro cheio de restaurantes do mundo todo, padarias com ou sem glúten, armazéns e cafeterias. Na mesma quadra há bolinhos (dumplings) tibetanos e empanadas chilenas, espetinhos de bacon de pato (típico dos povos indígenas do Canadá) e sanduíches montados em bagels, feitos a partir de uma legítima receita judaico-polonesa. 

Descobri esses e outros lugares com o sorridente Jusep Sim, que guia os turistas pelas ruas do bairro em um dos passeios a pé de sua agência (chopsticksandforks.com). Reserve com alguma antecedência (custa 79 dólares canadenses ou R$ 219,20) e vá com fome.

Mas dá para explorar o bairro por conta própria. A avenida Augusta é a principal rua do bairro e, como a homônima da capital paulista, tem uma aura de juventude, criatividade e uma heterogeneidade que lembra os tempos em que os hippies moraram por ali. Como contou o guia sul-coreano, o grande diferencial da cena gastronômica em Toronto é exatamente essa mistura e diversidade. 

St. Lawrence Market 

Esse sim é um mercado, que funciona desde 1803 e tem cerca de 120 estabelecimentos. Divirta os olhos e o paladar com frutas vermelhas belíssimas ou com iguarias como os vegetais desidratados – tem até quiabo – frutos do mar, doces, pães. O mercado também abriga lojas de vinhos e artesanato mas, se você come carne, vai ter a chance de descobrir o verdadeiro lombo canadense. 

Esqueça a pizza de lombo canadense ou os frios do supermercado. Na Carousel Bakery você vai conhecer o Peameal Bacon, um pedaço suculento de carne do lombo do porco, bem menos gorduroso que o bacon tradicional, servido em um pão fofo. O sanduíche leva cerca de 160 gramas de carne e custa 6,45 dólares canadenses (R$ 18). Também vale a pena o Breakfast on Bun, que leva queijo, ovo e 70 gramas do tal bacon (5,90 dólares canadenses ou R$ 16,40). Qualquer um dos dois a mim serviu como um bom almoço. 

Sobremesa

O tradicional maple syrup está em várias receitas – como nas tortinhas de vários sabores da Butter Baker (4,95 dólares canadenses ou R$ 13,75), confeitaria na Dundas Street. Se você ama café, peça dois espressos duplos junto com seu doce. O café normal no Canadá é igual ao americano (leia-se: aguado) e o expresso não passa de um mísero ristretto. Num gole acaba tudo.

Se o tempo for curto, entre em qualquer Tim Hortons, rede de cafeterias onipresente em Toronto. O bolinho de cenoura é de comer agradecendo e o cookie de baunilha com gotas de chocolate, ótimo para levar de lanche.

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Noite: para ver e ser visto

Nos rooftops de Toronto, tudo é digno de um registro no Instagram: os petiscos, os drinques e, é claro, as vistas da cidade

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2019 | 04h50

No verão, os terraços da cidade ficam ainda mais convidativos para quem quer festejar com os conhecidos, fazer novos amigos ou curtir o pôr do sol – que pode acontecer depois das nove da noite. Para quem ama postar fotos de comidinhas, drinques e vistas, os rooftops são altamente instagramáveis. 

No Thompson Toronto Hotel, fiz uma foto do maravilhoso Thompson Sour – uísque Woodford Reserve, conhaque, suco de limão, xarope de baunilha e vinho Malbec – que até agora me remete àquela noite. Custa 16 dólares canadenses ou R$ 44,40. 

Perto do Thompson, na região da CN Tower, há outros dois rooftops badalados. Um deles é o Kost, no topo do Hotel Bisha. Além da vista soberba do alto do 44º andar do hotel, o Kost oferece um menu vasto de entradas, pratos principais e drinques. Assim como no rooftop do Thompson, o Aperol Spritz (17 dólares canadenses ou R$ 47) é refrescante e bem feito.

Aqui, a boa é se esbaldar nos frutos do mar, especialidade da casa. O clássico coquetel de camarão traz cinco camarões graúdos e saborosos acomodados em uma travessa de gelo (25 dólares canadenses ou R$ 69,50). Já o steak tartare (18 dólares canadenses ou R$ 50) é de mastigar com gratidão. Vem servido com avocado e wasabi sobre uma espécie de tortilla de milho roxo.

O Chez Lavelle é outra opção concorrida para quem quer ver e ser visto. Diferentemente do Thompson e do Kost, esse restaurante não fica sobre um hotel, mas sobre um prédio comercial na King Street. Assim como os outros dois, esse rooftop parece se orgulhar de sua piscina à qual somente usuários que pagam anuidade têm acesso.  

O bairro Village ou Gay Village tem várias opções de bares, onde a música dançante ou mesmo shows de drag queens são garantia de uma noite divertida. O Crews and Tangos é um dos lugares que exibem performances e produções com maquiagem e roupa caprichadas. Fica na principal rua do bairro (508 Church St.) e funciona desde 2010.

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Esportes: torça com os locais

O time de basquete da cidade, Toronto Raptors, é a grande paixão dos canadenses. Mas também há espaço para o beisebol, o hóquei e até o futebol

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2019 | 04h50

Mesmo que eu tivesse me esforçado, não teria conseguido fechar data melhor para estar em Toronto. Na semana de 10 de junho, quando estive lá, o time de basquete profissional da cidade não só competiu pela semifinal e final do campeonato da NBA, a liga mais badalada do mundo, como ganhou. 

A vitória dos Raptors sobre os americanos do Golden State Warriors levou a cidade à loucura. Hordas de torcedores (eu incluída) saíram às ruas para comemorar a vitória inédita de um time canadense no campeonato. Eram jovens, idosos, casais e mães com filhos de colo unidos para festejar e tremular bandeiras com orgulho. 

As imagens da festa perto do estádio Scotiabank Arena foram sendo transmitidas até alta madrugada nos canais de TV. Dois dias depois, vi uma fila longa na Lids, loja de roupas esportivas no shopping Eaton Centre. As pessoas queriam comprar um boné do campeão. Talvez você não dê a mesma sorte que eu dei, mas pode tentar concatenar a viagem com um jogo dos Raptors. Veja o calendário aqui.

Se basquete não for a sua praia, não tem problema. Aprendi no blog Canadá Para Viagem, aqui do Viagem, que Toronto tem vocação para vários esportes. Além do basquete, a cidade tem times de primeira linha no hóquei, futebol e beisebol. O estádio do Toronto Blue Jays fica no coração turístico da cidade, ao lado da CN Tower. O time disputa a liga americana (o único de fora dos EUA); veja o calendário de jogos aqui.

Por ser uma cidade de muito frio no inverno, o hóquei é um esporte bem popular. Os jogos do principal time, o Maple Leafs, têm como palco a mesma Scotiabank Arena onde jogam os Raptors. A temporada de hóquei vai de outubro a abril. Fora desse período, vale conhecer o museu Hockey Hall of Fame (20 dólares canadenses ou R$ 55,50).

Vai ter Copa

Fãs de futebol podem assistir a um jogo do Toronto FC, atual campeão local, no BMO Field, a cinco quilômetros do centro. Uma das formas fáceis de chegar é pegar o trem GO Transit na Union Station e descer na estação Exhibition. O Canadá, junto com os Estados Unidos e o México, vão sediar em 2026 os jogos da Copa do Mundo de Futebol. Já dá para ter um gostinho. 

Mas se quiser só curtir os jogos em um bar temático, um dos mais badalados é o Real Sports Bar & Grill, ao lado do Scotiabank Arena. Além dos televisores distribuídos por todo o bar, um telão com 11 metros de largura garante que os clientes não percam um lance dos jogos enquanto consomem cervejas e hambúrgueres. No dia da semifinal dos Raptors eu até tentei entrar lá – impossível. Depois da final da NBA, o bar entrou em reforma. Reabre no outono.

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