Sandra Regina Carvalho/Estadão
Sandra Regina Carvalho/Estadão

Toronto e a arte na rua

Nem galerias, nem museus: há quem defenda que a faceta mais criativa da arte da cidade no Canadá está nas ruas

Sandra Regina Carvalho, O Estado de S. Paulo

06 Junho 2017 | 04h30

Nem galerias, nem museus: há quem defenda que a faceta mais criativa da arte de Toronto está nas ruas. Não que as autoridades aqui sejam entusiastas do grafite. Ao contrário, a lei municipal proíbe esse tipo de intervenção urbana, prevê aplicação de multa ao proprietário que permitir que seu muro seja grafitado e só abre algumas exceções – depois da análise do desenho por um conselho que determina o que é arte ou vandalismo, o que fica e o que será eliminado. 

Como se o sistema já não fosse controverso o suficiente, uma parcela da população também é contra a arte de rua nos muros e paredes. Enquanto isso, tours de grafite já são parte do menu turístico de Toronto. 

O guia Julian fornece tais informações enquanto nos conduz pelos 500 metros do Grafitty Alley (Beco do Grafite), entre a Spadina Avenue e a Queen Street WEST, apontando e comentando desenhos. São de alguns dos grafiteiros mais relevantes do Canadá e também de estrangeiros. 

 

O conteúdo político e a origem multiétnica de muitos dos grafites espalhados pela cidade ajudam a turbinar a tensão. Grafiteiros acusam a prefeitura de contratar agências, que recontratam artistas dispostos a cobrir algumas paredes de desenhos de temas amenos para abafar o conflito. Julian mostra os grafites espontâneos e os “oficiais”. A diferença é gritante. 

Julian é guia da Tour Guys. A empresa oferece diariamente, às 17 horas, um passeio guiado de 90 minutos, gratuito. O ponto de encontro é a esquina da Queen Street West com a Soho Street, diante da pintura onde se lê “hug me”, “me abrace” que enfeita um tronco de árvore – falso, feito de fibra para relembrar a árvore que existia ali até ter sido derrubada pela colisão de um carro. 

O tour pela arte de rua termina na mesma Queen Street West; a rua ferve com lojas criativas, brechós, galerias, restaurantes e bares. Caminhe ainda mais para oeste, em direção ao bairro de Little Portugal, para explorar a parte mais alternativa da via. 

A 2,5 quilômetros da Spadina estão dois hotéis queridos no circuito de arte alternativa. O Gladstone Art Boutique Hotel (quartos desde US$ 179) fica em um prédio vitoriano de 1889, restaurado em 2005, e abriga quatro andares de exposições de arte local. O Drake Hotel (desde 209 dólares canadenses), além de mostras, tem bar e balada.

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