Toscana como se deve

Descubra outra forma de visitar a região, mais autêntica e sem pressa. Alugue um quarto - há opções até em castelos - e curta as férias entre parreiras e oliveiras

Flavia Guerra / FLORENÇA

08 Junho 2010 | 03h51

 

Como os locais. No Castello di Montegufoni, do século 12, os hóspedes podem optar por cozinhar ou jantar na varanda do restaurante. Foto: Flavia Guerra/AE

 

 

O relógio marca 5 da tarde na pequena Montespertoli, o sino badala. Da varanda do Castello di Montegufoni se avistam vinhedos que só terminam onde começam os olivais. Para apreciar melhor o pôr do sol da Toscana, enquanto a pasta cozinha até ficar al dente, goles demorados de um autêntico Chianti.

A cena é cinematográfica, mas não impossível. Realizar o sonho do castelo ou da casa própria na Toscana, ainda que por tempo limitado, não é apenas privilégio de ricos e famosos. Uma das mais belas paisagens da Itália, a região já foi cenário de filmes, romances e paixões - atualmente, também acrescenta algum interesse à novela das 8 da Globo.

Famosa por abrigar cidades como Florença, Siena e San Gimignano, se tornou destino mítico nos corações e mentes dos turistas. Espécie de Eldorado renascentista, até pouco tempo só possível de saborear em viagens rápidas e hospedagem em hotéis capazes de atender a uma das maiores demandas do mundo.

 

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Depois que o conceito do agriturismo surgiu, no entanto, tornou-se possível não só viver como um autêntico toscano como também colher uvas, aprender a fabricar azeite, a cozinhar e a pintar como fazem os conterrâneos de Dante. De olho no turista apaixonado pelo céu da Toscana, proprietários de casas, vilas, palazzi e até castelos históricos da região passaram a abrir as portas a um visitante diferente: o slow tourist. Em bom português, aquele que sabe que um bom vinho pode demorar tanto tempo para ficar pronto quanto uma região leva para ser de fato apreciada. Em vez adotar a lógica do "Conheça 15 cidades em 10 dias" e de fotografar as atrações da janela do ônibus, cada vez mais turistas preferem alugar uma autêntica casa toscana e passar dez dias no melhor estilo dolce far niente.

E os brasileiros agora se unem a este exército de "toscanos desde pequenininhos". "Quando abrimos o castelo para o turismo, há cerca de dez anos, a maioria era de ingleses, americanos, alemães... Agora surgem brasileiros. E nós adoramos. São simpáticos, interessados e alegres", conta Guido Posarelli, atual padrone do mítico Castello di Montegufoni, um dos destinos mais belos e ainda inexplorados de uma região que parecia já ter sido vista de todos os ângulos.      

 

    Belo. A decoração impecável nos quartos do Castello é de tirar o fôlego. Foto: Flavia Guerra/AE  

 

   

Para chegar ao Castello, basta seguir as coordenadas. Localizada a cerca de 30 minutos de Florença, a construção data de 1100 e foi erguida pelos Ormanni, nobres citados por Dante na Divina Comédia. Ao longo dos séculos, mudou de "padroni" algumas vezes. Durante o século 15, foi reformado ao estilo arquitetônico do Palazzio Vecchio de Florença e ganhou a característica "torres quadradas" do Trecento. Ganhou vida nova sob a gestão de Guido, que recebe pessoalmente cada hóspede em companhia de sua noiva, Cristina. "Gosto de conversar, de saber quem são, de onde vêm. Todos os anos um grupo de alemães passa os verões fazendo cursos de pintura aqui. Andam pelo castelo e, no fim da tarde, reúnem-se para mostrar os trabalhos. Em que outro lugar isso acontece?", perguntava Guido enquanto conduzia esta repórter-hóspede ao Teatro.

Al dente. Teatro, aliás, já foi a sala de espetáculo do Castello, mas hoje é um charmoso quarto com mezanino e vista para os verdes campos de limões toscanos. "Se você quiser cozinhar, há um mini mercato perto. Você pode encomendar produtos por telefone e eles entregam aqui. Ou pode jantar no nosso restaurante avarandado." Surpreendente.

Surpresa mesmo é descobrir que o preço médio de um quarto no Montegufoni ou em outra das 600 propriedades da Posarelli Villas não é maior que em muitos quartos standards em hotéis dos rumorosos centros turísticos da Toscana - cerca de 200 por semana, por pessoa. "Mas por que eu nunca fiz isso antes?", você pode pensar. Posarelli explica: "As pessoas têm medo de "ficar por conta própria". Mas alugar uma casa na Toscana é como alugar uma casa na praia no Brasil. Não é difícil."    

Difícil mesmo é decidir se é melhor jantar na "varanda própria" ou na do restaurante...

 

Novo luxo. Para quem quer fugir do 'fast tourism', mas não é fã do agriturismo, o JK Place é imperdível. É a união do design moderno com o clássico. Foto: Divulgação

 

SAIBA MAIS

Origem do nome: Uma das maiores regiões da Itália em território e habitantes, a população da Toscana é de cerca de 3,6 milhões. Seu nome tem origem antiquíssima e deriva do modo como gregos e latinos chamavam a terra onde os etruscos, em italiano "etruschi", viviam. O termo Etruria se tornou Tuscia e, finalmente, Toscana.

Capital: Localizada no centro da Itália, a capital Florença possuiu hoje cerca de 370 mil habitantes e é considerada o berço do Renascimento. Teve sua época áurea, tanto econômica quanto culturalmente, durante o governo dos Médici, do início do século 15 a meados do 18.    Clima: De geografia montanhosa, a Toscana tem clima variado, com média de 16 graus na costa e picos de 40 graus no interior, chegando a temperaturas negativas no inverno. Tais características fazem da região destino procurado tanto no verão quanto no inverno, quando a neve cobre suas planícies e montanhas de branco.

Filhos Ilustres: Além de Dante Alighieri, a Toscana é berço de Leonardo Da Vinci (Vinci), Nicolau Maquiavel (Florença), Michelangelo Buonarotti (Caprese Michelangelo), Donatello (Florença), Piero della Francesca (Sansepolcro), Caterina di Médici (nasceu em Florença, mas se tornou rainha da França), entre outros.

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