Luiz Fernando Toledo/Estadão
Na vida real, a Ilha de Ferro, terra dos Greyjoy, é Ballintoy Point. Dá até para se vestir a caráter... Luiz Fernando Toledo/Estadão

Na vida real, a Ilha de Ferro, terra dos Greyjoy, é Ballintoy Point. Dá até para se vestir a caráter...

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Tour em Westeros: cenários de GoT na Espanha e Irlanda do Norte

Ao longo de dez dias, visitamos o local das gravações da série Game of Thrones, em Sevilha, Córdoba e Belfast. Você pode fazer o mesmo percurso

Luiz Fernando Toledo e Fabiana Cambricoli , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Na vida real, a Ilha de Ferro, terra dos Greyjoy, é Ballintoy Point. Dá até para se vestir a caráter...

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O que cidades europeias como Sevilha, Córdoba (Espanha), Belfast (Irlanda do Norte), Dubrovnik (Croácia), Mdina (Malta) e Reykjavik (Islândia) podem ter em comum? Uma dica: espadas, mistério, famílias que se odeiam e mortes, muitas mortes. A essa altura o leitor deve se perguntar se estamos falando de história. Não deixa de ser, mas na ficção: todas elas são ou já foram palco de cenas de uma das séries de televisão mais bem sucedidas dos últimos tempos: Game of Thrones, que estreia sua 8ª e última temporada neste domingo. E todas recebem, com entusiasmo, turistas de diversas partes do mundo interessados em se aprofundar nos bastidores dessa saga que só deve continuar nas telas a partir de 2019, em sua última temporada.

Enquanto espera pela estreia, que tal percorrer algumas dessas locações mundo afora? Visitamos e exploramos, ao longo de dez dias, três dessas locações: as espanholas Sevilha e Córdoba (clique aqui para ler sobre as locações espanholas) - que serviram de pano de fundo para as filmagens de Dorne e Highgarden (onde está a fortaleza dos Tyrell) - e Belfast, a capital da Irlanda do Norte que, por anos, deu vida aos ventos congelantes de Winterfell em seus arredores e também é sede dos principais estúdios da série (clique aqui para ler sobre as locações na Irlanda do Norte). De bônus, visitamos uma exposição itinerante em Barcelona de peças usadas no show, como capacetes, armas e armaduras, que acaba de chegar a Belfast.

No meio dessa busca pelo imaginário cinematográfico, foi impossível não se apaixonar também pela riqueza cultural e natural desses lugares, que, além do turismo “geek”, oferecem centenas de oportunidades de passeios em montanhas, prédios históricos, fortalezas e de conhecer muita gente interessante e disposta a compartilhar histórias.

Falando em gente, eis um spoiler desta reportagem: todos os roteiros que percorremos foram auxiliados por agentes de turismo que também já atuaram como extras na série. Então prepare-se não só para tirar muitas fotos e se lembrar do que assistiu na tela, mas de preparar quantas perguntas vierem à cabeça sobre os bastidores. Eles não quiseram nos passar o WhatsApp de Emilia Clarke (que interpreta a rainha Daenerys Targaryen) ou o Facebook de Peter Dinklage (na série, Tyrion Lannister). Mas ficamos sabendo de cada piada ruim que eles contaram e de quantas vezes algumas cenas - que assistidas do sofá parecem bastante simples - precisaram ser regravadas por culpa delas.

Ah, importante ressaltar: faremos o possível para evitar spoilers, mas adiantamos que, inevitavelmente, este texto pode conter informações até da sexta temporada.

DICAS

1- Planejamento

Reserve ao menos quatro dias para Belfast. Dois para curtir a cidade e dois exclusivamente para os tours de Game of Thrones

2-  Comer e beber

A Whites Tavern se diz o bar mais antigo de Belfast. Aberto no século 17, é conhecido por sua comida caseira e música ao vivo. Outro point histórico é o Kelly’s Cellar, um pub cuja história começa em 1720. Recomendamos também o Bull & Ram Belfast, com ótimas opções de carnes e vinhos

3 - Belfast - Espanha

Há voos diretos entre Belfast e Málaga, na Andaluzia, com a Aer Lingus e a Easy Jet, duas low costs. Os preços começam em R$ 544, segundo pesquisa para setembro no site Skyscanner. O voo leva cerca de 3h. De Málaga a Sevilha, são cerca de 2h de trem; a partir de 24,10 euros (R$ 105) na Renfe.

OUTROS CENÁRIOS

Dubrovnik, Croácia 

Depois da série, o turismo na cidade explodiu - e a prefeitura passou a controlar o número de visitantes para não colocar em risco a Cidade Antiga, patrimônio da Unesco e palco de diversas cenas emblemáticas em King’s Landing. Uma delas é a Caminhada da Vergonha da rainha Cersei na 5ª temporada - que na vida real, é forrada de restaurantes charmosos (vai ser fácil reconhecer a escadaria). A muralha que guarda a cidade é outro ponto-chave: a fortificação construída a partir do século 8º aparece em vários momentos e é passeio obrigatório até para quem não é fã da série.

Malta  

Infelizmente, a Janela Azul, palco do casamento de Daenerys e Drogo, na Ilha de Gozo, desabou e não existe mais. Mas há outras locações da 1ª temporada em Malta. Basta caminhar entre as construções de pedra em Mdina para se sentir em King’s Landing. Na capital Valetta, o Forte Ricasoli, do século 17, virou, na série, a Fortaleza Vermelha.

Islândia

Há diversos tours pelas locações no país - a Islândia serviu de cenário em diversas temporadas, incluindo a última. No norte da ilha, a maior parte está nas proximidades do Lago Myvatn - Jon Snow e Ygritte ficam juntos na caverna Grjótagjá, de águas termais. No sul, Arya e o Cão de Caça percorreram o Parque Nacional de Thingvellir na 2ª temporada.

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Espanha: o lado tropical de Westeros

Casas Martell e Tyrell foram ambientadas no sul do país, na quente Andaluzia

Luis Fernando Toledo e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2018 | 04h40

Enquanto Irlanda e Islândia servem de cenário para episódios frios e cinzentos de Game of Thrones, coube à Espanha emprestar suas construções medievais e seu clima mais ameno para a gravação de cenas que, na ficção, se passam na parte “mais tropical” de Westeros e no continente vizinho, Essos.

As principais locações do seriado em terras espanholas ficam no sul do país, na Andaluzia, região que mistura tradições e elementos de diferentes épocas da História, desde a ocupação romana, iniciada por volta do ano 200 a.C., até a invasão árabe, a partir do século 8.º d.C.

Das três locações que visitamos, a que mais impressionou foi o Real Alcázar de Sevilha (17,50 euros ou R$ 76), complexo de construções que, em GoT, foi transformado no palácio da Casa Martell, em Dorne, ao sul de Westeros.

LEIA MAIS: As locações de Game of Thrones na Irlanda do Norte

Embora o principal membro da família Martell na série, príncipe Oberyn (Pedro Pascal), tenha sido assassinado de forma brutal na quarta temporada, Dorne volta a ter destaque na mais recente temporada com o reaparecimento da viúva do príncipe e de suas filhas. No Real Alcázar de Sevilha foi filmada a cena da morte do irmão de Oberyn, assassinado pela viúva do príncipe.

Na vida real, o complexo de palácios, localizado no centro de Sevilha, tem mais de mil anos e começou a ser construído durante a ocupação muçulmana na Península Ibérica. Com a retomada da região pelos cristãos, o espaço, onde até então predominavam as referências arquitetônicas árabes, foi ganhando novas construções com influências ocidentais, como capelas e jardins.

 

 

Ao contrário de muitos cenários de GoT na Irlanda, que ganharam novos componentes com técnicas de efeitos especiais, o Real Alcázar se apresenta aos olhos dos turistas exatamente como é visto na TV como o palácio dos Martell. Entre os 53 pontos de interesse do complexo, entre palácios, salões e fontes, procure a Fonte de Mercúrio e os jardins ao redor, o mais famoso, onde as principais cenas se passam. O verde vivo dos gramados bem conservados vão florear as fotos da viagem. 

Com a popularidade da série, o número de turistas que visitam o Real Alcázar cresceu e conseguir um ingresso para entrar no local tornou-se tarefa ingrata. Por isso, a dica é comprar o tíquete pela internet, já com horário marcado (acrescente 1 euro ao valor do ingresso). Aos que não conseguirem se programar com antecedência, preparem-se para encarar cerca de duas horas de fila.

 

Jardim de Cima

 

A cerca de 130 km de Sevilha (apenas 45 minutos em trem de alta velocidade), está Córdoba, área onde estão outras duas atrações espanholas usadas pelos produtores de GoT como cenários para a série. A mais interessante para os turistas – e pouco conhecida dos que vão à cidade – é o Castelo de Almodóvar (castillodealmodovar.com) construção do século 8.º que aparece na sexta temporada como o famoso Highgarden (ou Jardim de Cima), a sede da Casa Tyrell.

A edificação está a 252 metros de altura, no topo de uma colina do município de Almodóvar del Rio, a 20 quilômetros de Córdoba, de onde saem ônibus para a cidade vizinha, com um ponto de parada ao lado do castelo. Consulte no site autocaressansebastian.es os horários de partida dos ônibus de Córdoba para Almodóvar del Rio, pois estes não saem com tanta frequência. 

Após descer do coletivo, os visitantes ainda terão de percorrer uma estradinha que corta a colina para subir ao castelo. O percurso dura cerca de 20 minutos a pé e é bem tranquilo, mas, para turistas com dificuldade de mobilidade, é possível fazê-lo também de carro ou van turística.

Antes mesmo da entrada no castelo, a vista panorâmica dos campos da região e do Rio Guadalquivir impressiona. Também chama a atenção o excelente estado de conservação de toda a edificação. Percorra todas as torres do castelo pois, além de trazer histórias da função de cada cômodo, a vista lá de cima é diferente de cada ângulo.

Aproveite que passará por Córdoba e visite a Ponte Romana, usada pelos produtores de GoT como a ponte extensa da cidade de Volantis, no continente de Essos. Estima-se que a estrutura tenha sido construída no ano 1 a.C., onde foram travadas várias batalhas para impedir a entrada de invasores na região. Não é apenas na TV, afinal, que esses cenários foram usados para a disputa de reinos.

Exposição itinerante leva cenários, figurinos e objetos a Paris

Quer ver as roupas originais usadas na série, tirar fotos com réplicas das armas e ainda ter, por alguns minutos, uma selfie estampada entre os rostos no Hall of Faces? Essas são algumas das experiências oferecidas na The Touring Exhibition. Visitamos a exposição itinerante em Barcelona – agora, ela acaba de chegar a Belfast, com o mesmo conteúdo. 

O local é ambientado com músicas da série, luzes que deixam o ambiente mais próximo da ficção e, claro, um grande trono de espadas para que o fã tire quantas fotos quiser no final do trajeto. 

E por falar em foto, também é possível fazer, logo na entrada, um retrato que, depois de editado por computador, faz parecer que você e seus amigos estão em cima de um dragão, exatamente como Daenerys Targaryen. Não fica lá essas coisas no quesito montagem bem feita, mas dê um desconto – o processo dura poucos minutos e é feito em massa. Veja o resultado antes de comprar – o preço pode passar dos 20 euros (R$ 87).

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O nome é Belfast, mas pode chamar de Winterfell

Arredores da capital da Irlanda do Norte é repleta de locações de Game of Thrones; várias empresas levam fãs aos pontos de gravação

Luiz Fernando Toledo e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2018 | 04h45

Uma cidade gelada e marcada por uma forte história de segregação política, dividindo norte e sul por um muro. Poderia ser a fictícia Winterfell de Game of Thrones - e, de certa forma, até é - mas, na vida real, chama-se Belfast, capital da Irlanda do Norte, onde vivem cerca de 300 mil habitantes. 

Não há dúvidas de que a cidade teve a rotina afetada graças ao sucesso de Game of Thrones. Não bastasse ser ali a cidade do Titanic - e vale muito a pena visitar o museu com a história do navio  (£ 18,50 ou R$ 90) -, nos últimos anos o local vem recebendo mais e mais curiosos por qualquer fofoca sobre onde estão os atores e, o mais importante: o que estão filmando por ali.

LEIA MAIS: Espanha, o lado tropical de Westeros

Não é exagero: em uma rápida conversa com qualquer guia turístico você fica sabendo das dificuldades que o município teve com fãs aguerridos da série. Alguns se muniram de drones para tentar captar ao menos uma imagem do principal estúdio de gravação da série, que fica logo ao lado do museu do Titanic. Quer saber ainda mais sobre GoT? Muito fácil: converse com alguém na cafeteria, em qualquer restaurante, nos táxis. Todo mundo tem alguma história para contar sobre o elenco ou sobre suas próprias experiências como atores coadjuvantes na série.

 

 

Belfast já era bastante atraente aos turistas antes do sucesso da série por sua beleza e pela riqueza de sua história, marcada por conflitos entre católicos e protestantes. As paredes grafitadas do muro, que ainda divide a cidade em duas, contam parte deste enredo real. 

Mas para conhecer os cenários da série da HBO é preciso ir além. Os pontos mais conhecidos ficam a cerca de 1 hora do centro de Belfast, de carro. Como ficam em lugares não tão próximos uns dos outros, é altamente recomendável que você contrate uma empresa para guiá-lo - do contrário, dá para se perder ou não visitar todos os pontos com a mesma facilidade. Nós fomos com a Game of Thrones Tours, que também faz trajetos a partir de Dublin (capital da outra Irlanda). Sai por £ 50 (R$ 242) por pessoa.

Há dois passeios principais disponíveis. O mais longo passa por diversos pequenos cenários, como as Ilhas de Ferro (incluindo a ponte de uma famosa cena de assassinato na casa Greyjoy) e a caverna de Melisandre. E também um tour no local de filmagem de Winterfell, que oferece até a possibilidade de conhecer os cães que deram vida aos lobos gigantes na TV. Cada roteiro leva um dia inteiro. Prepare-se: há muitas caminhadas, e nem todas de fácil acesso, especialmente em dias de chuva - algo muito comum por ali.

A caverna de Melisandre

A aventura começa cedo, por volta das 8h da manhã, quando o ônibus busca o pequeno grupo de turistas em um ponto no centro de Belfast. Também é possível agendar tours privados, desde que seu cartão de crédito comporte: o preço pode superar £ 300 (R$ 1.450).

 

 

A primeira parada é uma cafeteria que, à primeira vista, não tem nada de incomum. Até que uma placa, logo na frente do estabelecimento, indica que ali em Carnlough Harbour foi o local de filmagem de uma das cenas mais tensas de Arya Stark (interpretada por Maisie Williams) em busca de se tornar Ninguém. É curioso que o local tenha sido usado exclusivamente para uma cena que não durou mais do que cinco segundos - mas da qual todos irão se lembrar.

 

Essas placas indicativas estarão por todo o roteiro. E para quem achar o lugar muito diferente do que se lembra na cena, os guias vêm preparados: constantemente, sacam celulares ou tablets para apresentar vídeos filmados no lugar que está sendo visitado naquele momento.

O segundo passo é uma visita às cavernas Cushendun, de frente para o mar. A placa, no entanto, indica se tratar de Melisandre’s Cave. Para quem não assistiu nada da série, trata-se apenas de uma caverna, sem muito para explorar. Mas o lugar ganha um significado especial para fãs: foi ali que a feiticeira de cabelos vermelhos (Carice van Houten) levou Davos (Liam Cunningham) para consumar um ato que marcaria toda a segunda temporada. No sinal de qualquer chuva, o lugar fica cheio de barro. Mas vale a pena explorar até o fim e fazer muitas fotos lá dentro. 

Diferentemente de outros cenários que visitamos, este é bastante parecido com o que aparece na série, sem muitas mudanças com efeitos visuais.

Outro parada é o campo em que a personagem Brienne de Tarth (Gwendoline Christie) derrota Sir Loras Tyrell (Finn Jones) e, então, pede para se tornar integrante da Guarda Real de Renly Baratheon (Gethin Anthony). É necessário exercitar um pouco a imaginação aqui, já que não há barracas, acampamento ou milhares de soldados para simular um torneio, como na cena. Mas detalhes nas paredes e na posição dos muros entregam que foi ali mesmo que tudo aconteceu.

 

 

Na terra dos Greyjoy

Os lugares mais adorados pelos turistas neste passeio são aqueles ligados aos rabugentos das Ilhas de Ferro, os Greyjoy. Se você tiver contratado um grupo de guias, eles te darão um uniforme para vestir e ficar igual a um soldado seguidor do Deus Afogado. Gritar o lema da casa, “What is dead may never die” (O que está morto não pode morrer), é opcional - mas, mesmo assim, todo mundo grita. Se você duvida, pesquise no Instagram por Ballintoy Point, o nome verdadeiro do cenário, e vejas milhares de vídeos e fotos de gente adulta brandindo espadas e machados como se tivessem oito anos. Sim, nós nos incluímos nesse grupo, como você pode constatar observando a capa desta edição.

 

Além de um visual fantástico no Ballintoy Point, também é possível se arriscar ali perto na ponte de corda Carrick-a-Rede. Não que o local seja perigoso - é extremamente seguro, com vários funcionários para ajudar. Mas depois de ter visto a cena que se passa ali, e olhar aquelas pedras pontiagudas logo abaixo... bem, nem todo mundo quer ir para o outro lado e, ainda por cima, ter de voltar depois. Mas é provável que renda a melhor foto do passeio. 

O roteiro encaixa ainda uma ida à Calçada dos Gigantes (Giant’s Causeway), que, embora não tenha relação alguma com GoT, é parada obrigatória. Localizada em Bushmills, a cerca de 90 km de Belfast, a formação rochosa tem 50 milhões de anos - e, como o nome já diz, parece uma calçada elevada, com imensos degraus. Ao todo, são 40 mil colunas de basalto de até 10 metros de altura. Reza a lenda de que a obra teria sido feita por um gigante apaixonado, para facilitar o percurso até o encontro da amada. Na verdade, a formação é resultado de intensas atividades vulcânicas. Hoje, o maior risco é mesmo tomar um escorregão.

O último ponto do passeio é uma breve caminhada pela famosa Kingsroad (que, na vida real, se chama The Dark Hedges), a passarela com árvores entrelaçadas que serve de passagem para Arya Stark fugir de Porto Real, no início da segunda temporada.

WINTERFELL: TROQUE OS CAVALOS PELA BIKE

Ironicamente, o norte de Westeros fica, na verdade, ao sul da capital da Irlanda do Norte. Muitos dizem que o mapa do continente retratado na série é uma espécie de mapa do país de cabeça para baixo, algo que nunca foi confirmado por seu criador.

O nome verdadeiro da fortaleza dos Stark é Castle Ward, uma propriedade pública localizada no vilarejo de Strangford, a 1 hora de Belfast. Não é só um castelo, mas um conjunto de trilhas, que podem ser feitas por bicicleta. No mesmo roteiro é possível visitar as Gêmeas - na vida real, uma só torre - e também parte do caminho percorrido por Bryenne e Jaime Lannister, quando a guerreira o leva de volta para Porto Real. O local está sempre lotado de fãs e tem até fila para fotos.

A primeira sensação ao chegar aqui é a de que está faltando alguma coisa, mesmo para quem viu somente o primeiro episódio da série. Não existe um castelo ou uma fortaleza, mas uma espécie de fazenda com algumas torres. Quase tudo em Winterfell foi montado especificamente para a série - tanto em estruturas físicas quanto em efeitos especiais. Você vai se lembrar melhor das coisas quando o guia mostrar imagens das filmagens - que hoje não são mais realizadas ali por causa do forte assédio dos fãs. Ainda assim, há muitas atrações para se sentir na pele de um Stark.

Arco e flecha inspirado em Bran Stark

Uma das primeiras cenas da história, do pequeno Bran Stark (Isaac Hempstead-Wright) aprendendo a atirar flechas com seu arco, pode ser reproduzida em um campo improvisado. Antes de sair atirando, os convidados são levados a uma sala especial onde podem se vestir como legítimos reis e rainhas do norte (Mais uma vez, vale uma espiada no Instagram com o nome do local, Castle Ward, para ver até onde um adulto pode ir quando exposto a uma dose exagerada de fantasia). 

O mais interessante é que eles mantêm um mapa-múndi em que os turistas assinalam de onde vieram antes de participar do jogo. Pudemos constatar que brasileiros, de praticamente todos os cantos do país, realmente gostam da série e marcaram presença. 

A brincadeira de arco e flecha passa por um rápido tutorial e logo se torna um verdadeiro campeonato - de desastres, caso você não tenha muita habilidade com a arma (como nós). Mas não se preocupe, pois ninguém irá te julgar (muito) e há telas de proteção por todos os lados. Apontar para o colega é expressamente proibido, mesmo que para fotos. 

A maior parte do trajeto ao redor do Castle Ward pode ser feita de bicicleta, o que torna o roteiro mais dinâmico, já que os pontos de filmagem não ficam tão perto uns dos outros. 

Cara a cara com os lobos

Se você agendar com os guias, também dá para conhecer de perto os “lobos” - na verdade, os cães Odin e Thor -, que são irmãos na vida real e estiveram na pele dos personagens Verão e Vento Cinzento. Eles foram preparados por Caroline Benoist, a mesma treinadora responsável pelos cães dos filmes de Harry Potter. A treinadora morreu em 2011, vítima da gripe H1N1. O quinto episódio da primeira temporada da série, O Lobo e o Leão, foi dedicado a ela pela HBO.

APP INDICA LOCAÇÕES NA IRLANDA DO NORTE

São tantas as locações de Game of Thrones na Irlanda do Norte que o órgão de turismo local criou um aplicativo para turistas interessados nos cenários da série no País. O Game of Thrones Northern Ireland Filming Locations (grátis, para Android e iOS) traz os mapas dos dois principais continentes do seriado (Westeros e Essos) e indica no mapa da Irlanda do Norte onde foram gravadas determinadas cenas.

Bem organizado e com design inspirado nos símbolos da série, o app apresenta as cenas separadas por episódio e temporada e disponibiliza fotos de cada episódio gravada no país, inclusive imagens de bastidores.

Há também a possibilidade de fazer a consulta inversa: entrar no mapa da Irlanda do Norte, buscar onde houve filmagens e, de quebra, conhecer a história de cada ponto turístico.

 

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