Aryane Cararo/Estadão
Aryane Cararo/Estadão

Tour genuíno (e chiquérrimo) guiado por uma 'personal shopper'

Certa vez, ouvi de um colega que, quando pisava em Milão, vestia seu avatar e vivia dias de puro luxo. Não há nada mais recomendado a fazer na cidade da moda, dos negócios e do design italiano. Há lá uma aura de glamour que transforma o visitante em consumidor, mesmo que seja em potencial. E, se o avatar estiver acompanhado de um personal shopper, tanto melhor.

MILÃO, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2013 | 02h08

A minha foi Melanie Payge, americana radicada em Milão há 20 anos que já deu consultoria à família real de Mônaco e foi editora na GQ italiana - e só revela seu preço após entrevista com o cliente para entender suas preferências e anseios (melaniepayge.com). Melanie gosta que seus assessorados consumam a Itália como grife e os leva a endereços genuinamente milaneses.

Perto da Galleria Vittorio Emanuele II - onde pede para cuidarmos bem das bolsas e passa sem parar em vitrine nenhuma -, aponta a loja do milanês Roberto Musso e costura passos rápidos para o bairro de Brera. Vai deixando para trás casas de antiguidades até entrar na estreita Via Madoninna, onde fica a Manee, com Valentinos de coleções passadas. O bairro tem a interessante Pinacoteca di Brera e uma vida cultural e noturna agitada. É por ali que fica o luxuoso Bulgari Hotel - Milão tem outros dois hotéis assinados por grifes da moda, Armani e Maison Moschino.

Ela segue para um estúdio na Praça San Babila, em frente à Via Montenapoleone, rua elegante e de muitas lojas. Melanie marcou hora no ateliê de alta costura de Federico Sangalli (federicosangalli.it), apontado pela Vogue italiana como uma das novas faces da moda milanesa. Ao lado de uma máquina Singer antiga, ainda em atividade, ele é tímido demais para comentar sua coleção. Seus vestidos e casacos falam por ele. Em cortes bem diferentes do que se vê pelas vitrines, dão a medida da exclusividade - porém, alguns com preços que qualquer cartão pode pagar, como 180 em um vestido. Fim da consultoria.

Algumas pessoas ficam no ateliê ajustando peças recém-adquiridas. Outras seguem para a La Rinascente, galeria abarrotada de turistas atrás de roupas de grife, acessórios e itens para a casa, como Chanel, Marc Jacobs e Stella McCartney.

Porém, é possível ser feliz sem gastar muito. Há jogo de xícaras por 15, máquinas Lomo a partir de 29 e abajures Kartell por 48. Que Melanie não nos ouça (ela faz cara feia para a Rinascente), mas como não enlouquecer seu avatar? Seja lá o tamanho do bolso que ele tenha. / A.C.

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