Bruna Toni/Estadão
Bruna Toni/Estadão

Tour nas fazendas para encontrar búfalos e mangues

Visitar uma das fazendas de Marajó é fundamental para entender a vida rural da ilha. Cada uma tem um atrativo e sistema de operação - fomos a duas

Bruna Toni, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2019 | 04h40

Mesmo para quem conhece bem o interior paulista, a ideia de espaço rural em Marajó é bem diferente. A começar por seu protagonista, o búfalo. Encontrá-lo é a principal razão para incluir as fazendas locais em seu roteiro. Cada fazenda tem um jeito de trabalhar, uma proposta e um preço. A semelhança entre elas é a recomendação de marcar com antecedência a visita – peça o auxílio de sua pousada ou ao seu taxista. 

Fazenda São Jerônimo

Foi na São Jerônimo que, de certa forma, surgiu a ideia do ecoturismo em Marajó. Em 2001, a fazenda recebeu a 3ª edição do programa No Limite, da TV Globo, chamando a atenção para a região. Quase 20 anos depois, lá estava eu pronta para o passeio de 2 horas (R$ 150) pela fazenda-celebridade. 

Eram 8h da matina quando Júnior me deixou na companhia de Seu Brito, dono da São Jerônimo ao lado da mulher, Dona Jerônima – o nome do local é homenagem a ela. Logo chegou Sandro, o guia, acompanhado de Júlio, búfalo de 11 anos da raça Mediterrâneo, que foi nosso companheiro na primeira parte do passeio. E aqui vale a ressalva: na São Jerônimo, são apenas nove búfalos, todos criados soltos. Não tive impressão negativa sobre o tratamento dado a eles, mas, de toda forma, a visita vale mesmo se você preferir não montar em um deles.

 São permitidas até 18 pessoas por horário, separadas em dois grupos: enquanto um segue pela parte terrestre, o outro começa fazendo o tour de canoa. E há ainda a opção de cruzar um braço de rio montado no búfalo (mais R$ 50).

Como estava sozinha, primeiro sacolejei sobre o búfalo, tentando coordenar os passos dele para não entrarmos no meio da floresta. Sandro segurou o cabresto no começo, mas quis que eu aprendesse a conduzir. “Ele segue pelo caminho onde há menos pedras, pra não se machucar”, disse o guia. Certo estava Júlio, que, no fim das contas, era quem me guiava.

São apenas 20 minutos de búfalo e, depois, seguimos caminhando até o que considerei o ponto alto da visita. Sobre uma passarela de madeira, cruza-se uma área tomada pelo mangue, de tipos branco e vermelho. No horizonte, um emaranhado de raízes; no topo, um teto de folhagem. É como um castelo natural. Quando soube que uma orquestra se apresentou ali em 2015, invejei a plateia – permanecem no local a arquibancada e os lugares dos músicos.

A trilha pelo mangue termina na praia deserta do Goiabal, com faixa de areia estreita, galhos e, infelizmente, muito lixo. “O plástico é nosso principal problema”, diz Sandro. Por ela, caminhamos 5 minutos até o igarapé Tucumanduba, onde canoas presas nos aguardavam. Sem maiô, recusei o convite para cair n’água. 

Seguimos a remo por cerca de 10 minutos, observando guarás, garças e borboletas, além de espécies da flora como urucum e jenipapo. Sandro falou sobre a fazenda, cuja principal fonte de renda é a venda do coco seco – são cerca de 15 mil coqueiros. O trajeto n’água é todo bonito, mas sumiria por completo dali a algumas horas – e é por isso que os horários de visita dependem da fase da lua, que influencia a maré. Antes de partir, suco de caju delicioso e bolo caseiro servidos por Seu Brito.

Fazenda Bom Jesus 

O passeio ali é mais contemplativo e ocorre apenas à tarde. O que tem boa explicação: a cereja do bolo é a revoada de guarás ao pôr do sol. Um motorista da fazenda leva e busca os visitantes em suas pousadas. Ao longo de 2h, você poderá encontrar pela área de preservação ambiental pássaros, capivaras, jacarés e, claro, búfalos – nela também é possível montar, dar uma voltinha e fazer fotos. 

 A fazenda tem uma capela e um pequeno museu de arte sacra. No fim, é servido um café da tarde no casarão, já incluído no preço do passeio (R$ 100). A fazenda também tem vocação televisiva: foi cenário da novela Amor Eterno Amor, da Rede Globo, em 2012.

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