Traços medievais na animada e charmosa Tallin

Centro Histórico guarda relíquias da 'Idade do Ouro', entre os séculos 14 e 15, quando a Estônia viveu boom

Ana Carolina Sacoman, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2008 | 03h15

A meros 83 quilômetros de Helsinque, Tallin, capital da Estônia, torna-se uma extensão natural da viagem. Basta embarcar num ferry (são mais de 20 saídas por dia) e, aproximadamente 1h30 depois, você desce nessa cidade simples e simpática, de 400 mil habitantes. O clima, aqui, é totalmente medieval, pelo menos no Centro Histórico (reconhecido como Patrimônio da Unesco desde 1997).

Entre os séculos 14 e 15, Tallin experimentou o auge econômico - por isso, o período é conhecido no país como a ''Idade do Ouro''. Parte da Liga Hanseática e dona de uma localização privilegiada, a meio caminho entre a Europa e a Rússia, Tallin chegou a ser uma das maiores cidades da região, com 8 mil moradores. Desse período há alguns monumentos importantes, que valem a visitação. Caso do Monastério Dominicano, localizado no Centro Histórico e um dos melhores exemplos de arquitetura medieval na cidade. Ali são realizados festivais de música clássica.

Outro monumento do período é o Kiek-in-de-Kõk, torre de observação erguida no distrito de Toompea. Curiosidade: a construção sofreu diversos ataques, mas nunca foi derrubada. Hoje, dá lugar a um museu que conta a história de Tallin em vários andares, incluindo mapas antigos do Centro Histórico. Última parada para entender a importância do período medieval para Tallin e para a Estônia em geral: a Igreja Oleviste, cujo mirante, a 124 metros de altura, proporciona uma das melhores panorâmicas da capital. Pausa para mais uma curiosidade. Quando o primeiro prédio da igreja foi erguido, no século 13, sua torre tinha 159 metros de altura e chegou a ser a maior construção do mundo durante algum tempo.

SEMELHANÇAS

A proximidade com a Finlândia fez os países experimentarem grandes semelhanças na história recente. A Estônia também foi dominada pelos suecos e anexada pelos russos na Grande Guerra do Norte. Também lá foram mantidos governo, leis e sistema de impostos próprios. Desse período de dominação russa nascem dois grandes símbolos, o Palácio e o Parque Kadriorg, construídos pelo czar Pedro I, e, naturalmente, ótima opção turística.

O local, a 1,5 quilômetro do centro, levou quase duas décadas para ser erguido, entre 1718 e 1736, e teria sido um presente do czar para sua mulher, Catarina I. Hoje, abriga o Foreign Art Museum. Ao lado fica o Museu Pedro, o Grande, mansão ocupada por ele durante a construção do Palácio Kadriorg. Atualmente, tem mostra permanente com os pertences do czar, como roupas e móveis do século 18. Igrejas, teatros e museus também datam desse período. A primeira metade do século 19 representou um boom econômico. Desse período data a Catedral Ortodoxa Alexander Nevsky, no distrito de Toompea. Vale uma conferida.

Com a Revolução Russa, assim como a Finlândia, a Estônia aproveitou para declarar a independência, que durou apenas 20 anos. Em 1939, com o tratado Molotov-Ribbentrop, Hitler e Stalin redividiram o mundo e a Estônia caiu, novamente, nas mãos russas. Isso durou até 20 de agosto de 1991, quando a república soviética declarou independência.

AGITO

Hoje, o país registra bom crescimento entre as economias mundiais e a paisagem, especialmente na capital, mudou. Basta andar pelo centro para verificar os novíssimos edifícios, que não existiam há 10 anos. Essa animação com os novos tempos pode ser conferida nos inúmeros festivais, como o da cerveja, de música barroca, do Centro Histórico, e na vida noturna agitada. Só em seu site oficial (www.guia-tallinn.com) estão registrados 13 pubs e 12 discotecas, das mais diferentes. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.