Traços modernos ao alcance do visitante

Com assinaturas de peso, os trabalhos que se espalham pela área verde do Inhotim aguçam diferentes sentidos

BRUNA TIUSSU / INHOTIM O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2012 | 13h43

Reflexos

Olafur Eliasson usa mais uma vez de espelhos e luzes para instigar o visitante a provar uma nova percepção da natureza. Instalado em um ponto alto e com vista privilegiada, Viewing Machine é um tubo hexagonal formado por seis espelhos internos, o que o faz funcionar como um caleidoscópio. Com possibilidade de rotação, o visitante é quem escolhe o ponto de interesse e põe em prática o exercício de experimentação dos reflexos e composição de imagens em diferentes ângulos.

 

Na parede

Depois de um longo processo de imersão em Brumadinho, John Ahearn e Rigoberto Torres criaram juntos murais que vão além da estética artística. Usando fibra de vidro e tinta, Abre a Porta retrata aspectos da vida social da comunidade. Expressões faciais, movimentos e vestimentas típicas ganham atenção, aproximando a cena construída da realidade da cidade.

 

Profusão de sons

Por uma rampa em espiral, Doug Aitken conduz o visitante até o centro de sua obra, um furo no solo de 200 metros de profundidade. É ali dentro do prédio circular que, graças a microfones geológicos, é possível escutar os ruídos captados no interior da terra. O Sonic Pavilion alerta a tudo aquilo que aparentemente é imperceptível, lembrando que muito do que nos cerca está vivo e em transformação.

 

Multiplicação

Com obsessão declarada por padrões circulares (que remetem a alucinações de sua infância), Yayoi Kusama usou 500 esferas de aço inoxidável para construir o Narcissus Garden. Explorando novamente o mito de Narciso, que se encanta por sua imagem projetada, as bolas flutuam pelo espelho d’água do terraço do Cento Educativo Burle Marx provocando uma multiplicidade de cenas refletidas – e ora distorcidas. A ideia foi originalmente abordada pela autora em 1966, na Bienal de Viena.

 

Ao acaso

Chris Burden deu vida à obra Beam Drop Inhotim em uma ação performática. A criação é resultado de uma realização de 12 horas, quando um guindaste de 45 metros de altura lançou cada uma das 71 vigas que a compõem em uma poça de concreto fresco (você pode assistir ao vídeo no YouTube: tinyurl.com/beamdrop). Do jeito que caíram, permaneceram, evidenciando a essência aleatória do trabalho, onde o controle do artista é limitado. Situada no alto de uma montanha, é com tal conceito de acaso que a obra se relaciona com o entorno.

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