Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Trancoso não é só praia: Gastronomia também é destaque

Palco de festival com ingredientes orgânicos, cidade da Bahia se transforma em epicentro gastronômico do litoral brasileiro

Felipe Mortara, Especial para O Estado

15 Setembro 2018 | 05h00

Trancoso tem uma tradição natural de acolher, de envolver. Em 1586 chegaram os portugueses, seguidos pelos hippies nos anos 1970 e o hype, já no século 21. O mesmo ocorreu com a gastronomia. Base da culinária baiana, peixes, frutos do mar e dendê ganharam, com o tempo, a companhia de ingredientes refinados e saberes internacionais. A 76 quilômetros ao sul do aeroporto de Porto Seguro, o distrito amplia a oferta de opções a cada temporada, mas mantém casas e pratos queridos do visitantes. Há sempre algo gostoso por descobrir.

É inegável em Trancoso uma tradição de bem comer e isso se deve, sem dúvidas, à fatura de ingredientes e ao seu bom uso por alguns restaurantes precursores. Um exemplo é o Capim Santo (capimsanto.com.br), aberto pela arquiteta paulista Sandra Marques em 1985 e que desde 1998 tem filial em São Paulo, comandado por sua filha, a respeitada chef Morena Leite. "Trancoso é uma esquinazinha do mundo, com deliciosas opções gastronômicas, restaurantes estilosos e aconchegantes", conta Morena.

O bê-á-bá de Las Vegas

No caminho para Machu Picchu

Mesmo respeitando os clássicos, Trancoso está sempre se reinventando nos sabores. Entre as criações mais sofisticadas estão os pratos do Uxua Restaurante (uxua.com). Em pleno Quadrado, a praça mais histórica e emblemática da região, a jovem chef Juliana Pedrosa propõe um menu bem formulado, lançando mão de elaboradas técnicas e produtos locais. Com passagem pelo Manioca, em São Paulo, da chef Helena Rizzo, a talentosa cozinheira surpreende com receitas como o polvo grelhado com arroz vermelho cremoso com páprica defumada e pimenta biquinho (R$ 94).

A sazonalidade de ingredientes e o conhecimento de colegas convidados são a base dos menus temáticos para o jantar de toda quarta-feira, no evento batizado de Quarta no Quadrado. "A cena gastronômica está mudando, deixando de lado a competição para agregar na troca de experiências entre cozinheiros", explica Juliana, que já desenvolveu menus inspirados no mar, em produtores locais e em matérias-primas exclusivamente brasileiras.

Evento gastronômico

Por sinal, essa proximidade com os produtores locais do Sul da Bahia, a preocupação com o frescor dos ingredientes e o uso de produtos livres de agrotóxicos são os pilares da primeira edição do Organic Food Festival. Morena Leite e Juliana Pedrosa, além da festejada chef carioca Roberta Sudbrack, estão entre os cozinheiros convidados do evento, que ocorre entre 27 e 30 de setembro. Almoços e jantares com menus de coautoria, workshops, aulas de culinária para crianças e visita guiada a um produtor orgânico estão na programação. Mais informações pelo e-mail info@uxua.com.

Para além dos pratos mais sofisticados, alguns clássicos se perpetuam. Vai do gosto de cada um eleger qual a melhor moqueca de peixe, mas a da Silvana & Cia (R$ 150; silvanaecia.com.br) costuma estar entre as favoritas. As pizzas do Empório Maritaca (desde R$ 80; 73-3668-1702) são uma quase unanimidade na cidade. Outro consenso é a habilidade do sushi man Anderson Otani, do Aki Sushi Bar (combinados a partir de R$ 85; 73-99116-5926), em escolher e preparar ótimos sashimis com os peixes mais frescos.

Férias em alto-mar: 12 coisas que você precisa saber sobre a temporada de cruzeiros

Outras opções podem soar mais singelas, mas combinam muito com o clima quente e praieiro de Trancoso. Os beirutes vegetarianos do Lá no Dom (73-3668-1924) são ótimos e fartos – e a pastinha de berinjela defumada merece o título de patrimônio local. Já os hambúrgueres do São João Batista são outra instituição informal dos moradores e frequentadores da cidade. O mesmo título pode ser atribuído à Tapioca da Elma (R$ 15), bem na entrada do Quadrado, com textura tenra e sabores para além dos convencionais. Logo adiante, a loja Can-Can abriga a Tao Chá (19-99639-7744), casa de chás aberta em julho e que convida a viajar por vários blends da bebida – o cafezinho orgânico também é uma boa pedida.

Mais distantes do epicentro do Quadrado, três destaques, um novo e dois consolidados. A novidade é o Balaio Hostel e Bistrô (73-3668-1724), albergue com ares jovens e um ótimo bar, reduto de moradores descolados de Trancoso. Da cozinha, a chef Narjara Pianis manda às mesas pratos com nomes criativos e afetivos, como o acalanto – escondidinho de inhame com shitake, tomates assados, espinafre e provolone gratinado (R$ 25). O atendimento espirituoso e a culinária despojada prometem se consolidar no segundo verão da casa.

Encravado na entrada da cidade pela Rua Principal, o Sabor do Mundo (73-9104-9473) pode até assustar com seus mais de 80 pratos. Porém, as opções só justificam as inúmeras referências de seu chef e proprietário, o holandês Bartholomeu Pinners. 

Durante vários anos, Pinners rodou o mundo e mescla Ásia com Bahia em vários pratos. O peixe enrolado na massa de cerveja acompanha arroz, feijão, farofa de banana, vinagrete e fritas (R$ 40, para duas pessoas) e impressiona o paladar.

Por sua vez já muito firmada no radar gastronômico da região, o Restaurante da Silvinha é uma experiência completa. Não apenas pelos sabores, com referências e toques de vários cantos do mundo, mas pela localização. Encravada à beira-mar na Praia do Espelho, a 24 quilômetros de Trancoso, a casa tem duas mesas apenas e só funciona com reservas (73-9985-4157). Usa ingredientes fresquíssimos em pratos inventados naquele mesmo dia. Ah, claro, almofadas e espreguiçadeiras para esperar a comida e/ou relaxar depois. Uma síntese da experiência de comer e viver por essas bandas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.