Transformadas pela Olimpíada

Cidades que foram sede dos Jogos receberam investimentos e divulgação. E, de cara nova, conquistaram turistas

Natália Zonta, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2008 | 03h03

Qual cidade não gostaria de receber investimentos suficientes para, em pouco tempo, melhorar muito os serviços básicos e ainda dar aquela caprichada no visual? E, de cara nova, qual delas deixaria de apostar todas as fichas em divulgação para atrair turistas e, com eles, dinheiro? Ser sede da Olimpíada é o sonho de muitas metrópoles - inclusive do Rio, que disputa com Madri, Chicago e Tóquio a posição de anfitriã dos Jogos de 2016 (veja na página 5). São vários os motivos para cobiçar o evento. Afinal, até hoje, todas as cidades que abrigaram as disputas tiveram recompensas. Tente lembrar como Barcelona, na Espanha, era conhecida antes de 1992, ano em que foi sede da Olimpíada. A localidade tinha fama apenas como pólo de negócios e praticamente ignorava o mar que contorna seu território. Remodelada, a cidade se voltou para o litoral e ganhou um cartão-postal, o Porto Olímpico, erguido especialmente para as competições. ''Em pouco tempo, Barcelona virou uma cidade moderna, cheia de atrações'', afirma Josep Chias, um dos idealizadores do projeto que divulgou a capital catalã antes e depois da competição. ''Os Jogos colocaram Barcelona na prateleira mundial. Tudo foi transformado. O sistema de transporte público foi ampliado e os monumentos, restaurados'', diz. Resultado: hoje, com 7 milhões de turistas por ano, Barcelona é o destino mais visitado na Espanha. ''A cidade entrou na moda depois dos Jogos e, agora, todo o equipamento é aproveitado'', afirma Chias. Imagine, então, o que um evento do porte dos Jogos Olímpicos é capaz de fazer por uma cidade ainda menos conhecida. Era 1988 e Seul, capital da Coréia do Sul, despontava como uma das economias mais fortes da Ásia. Por conta da distância, os ginásios não ficaram lotados, no entanto, a vida por lá foi totalmente transformada. A Olimpíada representou o impulso que a cidade precisava para transformar a boa fase na economia em melhorias para o espaço urbano. A região do Rio Han, uma das principais da localidade, foi revitalizada e Seul ganhou diversos espaços de lazer e cultura. As obras e a publicidade espontânea ajudaram a atrair turistas. Segundo o Consulado da Coréia do Sul, no ano seguinte aos Jogos, o número de visitantes cresceu 16,6%. Isso provocou a movimentação de mais de US$ 950 milhões. ''Hoje em dia, no bairro de Gangnan, que concentra as obras da época, formou-se um grande centro comercial. O valor dos imóveis por lá também tornou-se o mais alto do país'', diz o cônsul-geral adjunto, Hyeon Jun Lee. EXEMPLO Projetos bem-sucedidos como os dois citados acima estão sendo usados como inspiração pelo comitê organizador Rio 2016. Sydney (sede dos Jogos Olímpicos de 2000), na Austrália, e Atenas (2004), na Grécia, também foram analisadas. Já Atlanta (1996) foi deixada de lado. ''O modelo americano é baseado no auxílio da iniciativa privada e quase tudo é desmontado após o evento'', diz Chias. ''Atenas ganhou uma rede de metrô moderna. Há estações onde escavações ficam aparentes. E Sydney usou navios de cruzeiro para complementar a rede de hospedagem'', comenta Carlos Ozório, secretário-geral do comitê Rio 2016. Para ele, o Rio é forte candidato. ''Nunca houve Olimpíada na América do Sul e temos apelo turístico.'' Mas, para fazer com que as benesses olímpicas durem, é preciso planejamento. ''Os projetos têm de ser integrados à vida da cidade'', diz Cândido Malta, urbanista da Universidade de São Paulo (USP). A vencedora da disputa por 2016 será conhecida somente em outubro de 2009.

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