Tribo Xavante abre sua aldeia para visitantes interessados em aprender sobre a cultura indígena

Tribo Xavante abre sua aldeia para visitantes interessados em aprender sobre a cultura indígena

Comunidade do Mato Grosso fez parceria com a Ambiental Turismo como forma de reafirmar sua cultura e gerar renda para a tribo

Tania Valeria Gomes, Especial para O Estado

13 Junho 2018 | 05h00

SÃO PAULO - "Tudo que você já aprendeu sobre os xavante, na mídia ou nos livros didáticos, está errado!", diz o cacique Jurandir Siridiwê ao receber visitantes na aldeia Etenhiritipá. Ele sabe que a ideia que o "homem branco" tem do indígena é muito romantizada, por isso a própria tribo procurou a agência Ambiental Turismo para propor uma imersão que proporciona aos interessados conhecerem a cultura xavante enquanto vivenciam o dia a dia da comunidade. Foi então que nasceu o Projeto Wazu'ri'wá, que na língua xavante significa "o desbravador". 

A aldeia fica próxima da Serra do Roncador e do Rio das Mortes, região do município de Canarana, no Mato Grosso, e tem cerca de 600 habitantes. Esta é a maior porção de terra xavante que existe hoje no País e tem uma comunidade bastante tradicional, que se autodenomina Auwê Uptabi (povo verdadeiro) e onde o português é pouco falado. 

O pacote inclui cinco dias e quatro noites vivendo na comunidade xavante e aprendendo o valor dado pela cultura deles a tudo que os cerca. Para ter um impacto mínimo na tribo, o roteiro é flexível, mas para a próxima saída confirmada, em 6 de julho, pode-se esperar a observação de alguns ritos.

O proprietário da Ambiental, Israel Waligora, conta que a cada cinco anos a tribo promove o ritual de furação de orelha, que marca a passagem para a maioridade dos meninos da tribo. "Em março, foi iniciado esse processo de furação da orelha de uma geração de meninos. Em julho deve ter parte desse ritual ainda", diz.

Quem quiser embarcar nessa aventura deve estar preparado para o dia a dia típico de um indígena. O banho, por exemplo, será tomado no rio, como os índios fazem. Para dormir, redes - ou, para quem tem dificuldade de adaptação, barraca com colchão inflável e luminária elétrica, com custo extra. Já os sanitários são do tipo "fossa seca", instalados perto do abrigo onde os visitantes ficarão alojados. E a comida será feita por um cozinheiro que a empresa contrata e leva, mas convites para se juntar à tribo para refeições não são descartados. Tudo vai depender da dinâmica da aldeia.

Outra forma de aprender os costumes da comunidade é acompanhando e observando os passos dos indígenas nos seus afazeres diários, por isso prepare um calçado confortável para fazer várias caminhadas. 

Respeito e conhecimento. "Ninguém respeita aquilo que não conhece. Precisamos mostrar a força, a beleza de nossa cultura. Só assim vão respeitar e admirar o que temos." Esta frase, dita por Wabuá Xavante - ancião que nasceu antes do contato com os warazu (o não índio - o estrangeiro) explica o principal objetivo da criação deste roteiro.

Cercada pelo agronegócio nas terras do Mato Grosso, a tribo quer divulgar os seus valores e ter mais um fonte de renda para a comunidade. Segunda a Ambiental, do valor pago pelo pacote, R$ 750 por visitante são pagos à tribo. O turista recebe um comprovante do depósito feito para os xavantes.

Embora a comunidade seja bastante tradicional, seus habitantes usam tecnologia e a facilidades do mundo atual, como motos para se locomover aos lugares mais distantes, e por isso precisam de dinheiro.

Primeiros contatos. Os registros dos primeiros contatos dos xavantes com outras culturas são datadas do século 18, com a chegada dos bandeirantes, que estavam em busca do ouro do centro-oeste do país. Continuamente tendo que se deslocar das regiões onde povoavam, na década de 1940 eles decidiram que teriam que se adaptar à convivência com outros povos se quisessem continuar a habitar o bioma do cerrado. Nesta época, eles já estavam chegando bem perto do limite com a Floresta Amazônica. 

Aproveitando a curiosidade que a comunidade indígena desperta, o turismo virou uma opção para divulgar a cultura e gerar renda. Várias etnias participaram de um longo processo junto à Funai que resultou na Instrução Normativa Nº 3, publicada em 11 junho de 2015, que estabeleceu normas e diretrizes para as atividades de visitação com fins turísticos em Terras Indígenas.

Trajeto. O pacote da Ambiental Turismo não inclui aéreo. Por isso, o ponto de encontro dos visitantes com o guia é a rodoviária de Goiânia, no dia 6 de julho, às 19 horas. De lá, o grupo, que terá no máximo 20 pessoas, pega um ônibus da Viação Xavante com destino a Canarana, no Mato Grosso. A Ambiental alerta para que os visitantes agendem voos que cheguem a Goiânia até as 16h para que este primeiro encontro não sofra atrasos.

Os visitantes, então, viajam por cerca de 9 horas. A previsão é de chegada em Canarana por volta das 7 da manhã do dia 7 de julho. O grupo passa algumas horas na cidade, almoça (refeição não inclusa no pacote) e depois pega um transporte fretado para percorrer as cerca de duas horas que os separa da aldeia Etenhiritipá.

Para a volta, o transporte também será feito em transporte fretado pela empresa com destino à rodoviária de Canarana e haverá tempo para almoço (também não incluso no pacote). O embarque de volta para Goiânia tem partida prevista para as 17h do dia 11 de julho. A chegada é prevista para cerca das 6h do dia 12 de julho. Por isso, a empresa também recomenda que os visitantes marquem os voos de retorno a partir de Goiânia para depois das 12h.

Serviço:

Projeto Wazu´ri´Wa - Vivência Exclusiva Xavante

Onde: Aldeia Etenhiritipá (região do município de Canarana, no Mato Grosso)

Data: De 6 a 12 de julho

Valor: R$ 3.900,00 por visitante

Ponto de encontro: Rodoviária de Goiânia

Mais informações: http://www.ambiental.tur.br/vivencia-exclusiva-xavante

Mais conteúdo sobre:
turismo Mato Grosso [estado] índio

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