Trilhas ao sabor do vinho no Vale do Rhône

Siga o caminho das pequenas vinícolas. Com a taça na mão

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2009 | 01h41

Adeptos de caminhadas e amantes de bom vinho podem unir o agradável ao agradabilíssimo: andar pelas trilhas do Vale do Rhône e, depois, provar a bebida produzida ali, apreciando a bela paisagem montanhosa. A Rota do Vinho de Valais, uma das principais do país, fica entre as cidades de Martigny e Leuk. São 50 quilômetros margeando vinhedos centenários, com 180 adegas pelo caminho.

O sol presente em 300 dias do ano, acompanhado pelo vento, garante a produtividade das videiras e a qualidade da uva. Os produtores da região - donos de pequenas vinícolas, em sua maioria - cultivam a fruta seguindo os princípios da agricultura orgânica.

 

As uvas ocupam mais de 5 mil hectares de terras acidentadas. Videiras a perder de vista, morro abaixo e morro acima. Acima mesmo. Em Visperterminen estão as plantações mais altas do Valais, e também da Europa. Uvas que nascem a 1.150 metros do nível do mar.

São 59 variedades, com privilégio para as uvas brancas. A Chasselas, a principal, é usada para produzir o Fendant, típico de Valais e acompanhante mais que perfeito para os também tradicionais fondue e raclete.

 

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Queijo raspado e derretido, batata inglesa cozida, picles, embutidos de carne. Um caso à parte a tal da raclete de Valais (leia mais ao lado). E uma refeição forte - daquelas criadas pelos camponeses que precisam enfrentar o trabalho pesado, mas que também cai bem depois de encarar tanto trekking na montanha.

A qualidade dos vinhos do Valais acaba de ser reconhecida. A enóloga Madeleine Gay, de 56 anos, filha de agricultores de Sion, ganhou em 2008 o Grande Prêmio de Vinhos da Suíça. Foi a primeira vez que uma mulher venceu a disputa.

Após enfrentar 1.800 concorrentes, ela chegou ao pódio com Domaine Turbillon, que leva o nome do castelo de Sion, a capital de Valais. É um vinho de sobremesa produzido a partir de uma das variedades da uva Humagne Blanche, que está entre as mais antigas da região. Madeleine conta que capitaneou um movimento de recuperação de uvas locais que tinham deixado de ser cultivadas. E foi com uma descendente dessas variedades que conquistou o prêmio.

Mesmo usando igual tipo de uva, o Vale do Rhône suíço produz vinhos bem diferentes dos que são feitos no trecho francês, com rótulos mais conhecidos no mercado brasileiro. Na França, por causa do clima mais quente, o vinho que leva Syrah, por exemplo, têm alto teor alcoólico. "Aqui na Suíça, como o calor é amenizado pelo ar fresco das montanhas, a bebida fica mais suave", explica Madeleine. "Há realmente dois vales do Rhône."

SOB O PARREIRAL

Comandado pelas gêmeas Mary Rose e Rose Mary Morard, o Les Mazots du Cos du Château tem vista espetacular para o Vale do Rhône e é o destino certo para quem quer provar raclete. As mesas ficam sob uma enorme parreira e o menu do dia é uma delícia. Para começar, frios e uvas brancas frescas. Na sequência, raclete e torta de maçã. Preço: 60 francos suíços (R$ 101), com vinho.

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