Christian Hartmann/Reuters
Christian Hartmann/Reuters

Tudo o que você precisa saber antes de viajar para a Grécia durante a crise

Com bancos fechados, limites de saque e filas no caixas automáticos, o 'Viagem' responde as principais dúvdas de quem vai embarcar para a Grécia

Felipe Mortara, O Estado de S. Paulo

09 Julho 2015 | 14h54

Dá para entender a apreensão de quem está com viagem marcada para aproveitar o verão grego. Nas últimas semanas, uma série de problemas passaram a preocupar quem pretende viajar para o país em breve. Por conta do calote da Grécia em relação à dívida com a União Europeia, aprovado por plebiscito, os bancos estão fechados (até segunda-feira, 13), há filas em caixas automáticos e restrições de saque (60 euros por pessoa por dia). O valor é apenas para cidadãos gregos – os estrangeiros podem sacar os limites impostos por seus bancos –, mas as longas filas atrapalham também os visitantes.

De perfil altamente turístico, o país sabe bem o quanto depende dos viajantes – e se esforça para tratá-los sempre bem. “As pessoas continuam amáveis, hospitaleiras e simpáticas. Fazer turismo na Grécia hoje, mais do que lazer, é um ato de solidariedade”, acredita o professor universitário Mario Aquino Alves, de 47 anos, atualmente descansando em Santorini.

Apesar da fortíssima turbulência monetária e política, tanto brasileiros a passeio quanto residentes relatam que a situação nas ruas é de tranquilidade. “Em Atenas houve várias manifestações contra e a favor do plebiscito, todas super pacíficas. Ainda se vê cartazes para o ‘sim’ e para o ‘não’ espalhados pela cidade”, relata o profissional de relações internacionais Eduardo Saviano, de 28 anos.

O turismo representa cerca de 16% do PIB da Grécia e julho e agosto são meses chave para garantir renda para o ano todo. Mas será que as dificuldades econômicas afetam apenas os moradores ou já impactam o turismo? Reunimos respostas para as principais dúvidas de quem está com malas prontas e de quem ainda pretende conhecer este país cheio de história e belas praias.

 

1) A crise já atinge os viajantes?

Segundo o consulado da Grécia em São Paulo a crise afeta somente a rotina dos gregos, para os visitantes pouca coisa muda. Do ponto de vista da infraestrutura turística tudo está funcionando perfeitamente, de acordo com o órgão. Em plenas férias, a estudante paulista Bia Morra Alves, de 21 anos, diz que notou uma movimentação atípica, mas que não se sentiu afetada. “No primeiro dia em Atenas vi uma manifestação super tranquila em frente ao parlamento, que se estendeu pelo centro da cidade”, diz.

Já Amanda Fontenele, do blog A Grécia do seu jeito (agreciadoseujeito.com), que também organiza tours pelo país, confirma as enormes filas nos caixas eletrônicos e aponta que “nos dois últimos anos a crise ficou mais perceptível”. “A quantidade de estabelecimentos comerciais fechando, empresas reduzindo o quadro de funcionários e as promoções nas lojas são cada vez mais frequentes”, explica.

De férias, o professor universitário Mario Aquino Alves conta que o clima é de incerteza, mas que não há desespero, rancor, brigas ou corridas, mas apenas filas de pessoas sacando os 60 euros diários a que têm direito até a normalização das atividades bancarias. “Conversando com as pessoas, a maioria não vê maiores perspectivas e nem mesmo saídas para a crise em curto prazo. Nas ruas, é possível ver pessoas pedindo dinheiro, mas não em uma escala diferente do que em outras cidades europeias”, relata Aquino.  

 

2) Quais as principais recomendações para quem vai à Grécia?

A única recomendação feita aos viajantes neste momento pelo consulado da Grécia em São Paulo é aumentar a quantia de euros levados em espécie e evitar sacar dinheiro por lá, por conta das longas filas, que podem vir a esvaziar os caixas eletrônicos – o que aparentemente ainda não ocorreu. Hotéis e lojas maiores continuam aceitando cartão de crédito. O controle do governo sobre o capital é para evitar que ele saia, não que entre. Ou seja, o dinheiro dos turistas é muito bem-vindo.

Proprietária da B Boutique Travel (bboutiquetravel.com.br), operadora especializada no destino, Erica Chrisocheraki vive entre Mikonos e Creta. “Eu faço sempre a mesma recomendação aos meus clientes: trazer um pouco mais de dinheiro. Se puder pagar em dinheiro ajuda bastante a todos aqui”, acredita Erica. “Já estava acompanhando o desenrolar da crise nos dias anteriores à viagem. Chegamos com o máximo de dinheiro vivo possível, para o caso de não aceitarem cartão em algum lugar”, conta Bia Morra.

 

3) Como estão operando as áreas turísticas e museus?

A Acrópole continua inabalável e imponente sobre o Partenon – e repleta de turistas. Até a última quarta-feira, o comércio e áreas voltadas para os turistas, como Plaka, e os pontos históricos e museus, funcionavam normalmente. “A única coisa atípica foi o metrô e o ônibus gratuitos, por conta da crise – mas isso nos favoreceu”, conta Bia Morra Alves.

Em Mikonos e Santorini, as duas mais badalas ilhas do país, a situação é de calmaria segundo a agente de viagens Erica Chrisocheraki. “Pelo que eu percebo aqui não está afetando nada. A ilha de Mikonos abre só no verão e, assim como Santorini, vive só de turismo. Parece que a gente está fora da Grécia”, comenta.

 

4) As pessoas estão desistindo de ir pra Grécia?  

Não é o que se percebe, de acordo com agências de turismo, hotéis e empresas de cruzeiro. A Royal Caribbean, por exemplo, não teve mudanças em suas operações. Já a Costa Cruzeiros afirma que as escalas de seus navios na Grécia seguem normalmente. “Inclusive observamos altas taxas de ocupação a bordo. Acreditamos que a continuidade da atividade turística é essencial para a movimentação da economia local”, afirmou a Costa, por meio de nota.  

 Em Mikonos, a agente Erica Chrisocheraki observa normalidade, com restaurantes, clubes de praia e baladas cheios. “Os clubes de praia Nammos e o Scorpios, que acabou de inaugurar, estão lotados. Também conversei com os gerentes e os hotéis não estão tendo cancelamentos de reserva por aqui”, conta. “Aqui, aparentemente, a gente não vê nada”.

 

5) Vale a pena manter sua viagem para a Grécia?

Sim. O problema do país é majoritariamente econômico e político, afetando principalmente a população. Mas mesmo diante da incerteza econômica, a Grécia continua a ser um país seguro para os viajantes. Não há nenhum tipo de greve neste momento. O governo americano, por meio do site de sua embaixada na Grécia, alerta os seus cidadãos apenas para trazerem mais meios de pagamento, como cartões de crédito e muito dinheiro em “cash”. E encoraja seus cidadãos a manterem a viagem.

“Os gregos fazem de tudo para o bem-estar dos turistas e evitam transparecer a ansiedade destes últimos dias, para que os visitantes realmente se sintam bem aqui. E a crise ainda não prejudicou os turistas”, conta Amanda Fontenelle. Para o professor Mario Aquino Alves não há o que temer. “Não há convulsão social nas ruas, tudo continua funcionando normalmente, exceto o sistema financeiro, e as pessoas continuam amáveis”, diz.

“Feliz ou infelizmente, a crise não afeta tanto os turistas e mais a população local, mesmo. Então continua sendo um destino maravilhoso. Eu, particularmente, estou amando!”, relata Bia Morra Alves.  

 

6) Como se manter atualizado sobre a situação para os visitantes?  

 Acompanhar o noticiário é imprescindível, mas há alguns sites que podem ser de grande utilidade para os viajantes. O Greek Travel Pages reúne notícias atualizadas sobre a situação de voos e dos principais destinos dentro da Grécia, fazendo ressalvas e recomendações.

Já o site da Embaixada Americana em Atenas é dedicado aos cidadãos americanos por lá e  pode dar um panorama um pouco mais alarmista sobre a situação. De perfil mais turístico e focado em  planejamento das  férias, o Visit Greece reúne muitas informações sobre todas as ilhas e regiões do país, mas parece alheio à crise.

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