Turismo e ecologia de braços dados em Fernando de Noronha

Para preservar a vida marinha, algumas praias são fechadas em certas épocas e visitante tem de pagar taxa ambiental

Mônica Cardoso

01 Junho 2010 | 01h50

Noronha. Para garantir águas sempre cristalinas, taxa e muitas regras. Foto: Alexandro Auler/JC Imagem

 

Por mais de 250 anos, as belezas de Fernando de Noronha ficaram restritas a militares e presos. Só em 1988, quando a ilha deixou de ser território das Forças Armadas, as imagens dessa maravilha no meio do Oceano Atlântico ganharam o mundo. Foi quando começou o desafio de equilibrar turismo e ecologia. "É uma batalha diária para conscientizar moradores e turistas", diz Alexandre Lopes, coordenador de Meio Ambiente e Ecoturismo da ilha.

Para preservar esse santuário, muitas regras foram adotadas. Algumas praias, hábitat de dezenas de espécies, são fechadas à visitação em determinadas épocas do ano. Outras ficam interditadas à noite, quando tartarugas marinhas procuram a região para a desova. Nadar com golfinhos ou usar protetor solar? Nem pense nisso.

A Praia do Atalaia é, de longe, a que segue o regulamento mais rígido. A visita, restrita a 150 pessoas por dia, ocorre na maré baixa e cada um permanece, no máximo, 20 minutos na água para não agredir os corais.  

 

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A entrada em Noronha é limitada a 420 pessoas por dia, justamente para evitar o turismo de massa. O número não inclui os navios, que chegam de outubro a fevereiro. "Os cruzeiros são vantajosos porque o turista consome. Tivemos a ideia de distribuir sacolas biodegradáveis para que ele leve o lixo produzido de volta ao navio", diz Lopes. A embarcação fica ancorada por 30 horas e até 650 turistas podem desembarcar - metade vai para as praias e a outra parte, para a vila.

Para colocar os pés na ilha é preciso pagar a taxa ambiental, que aumenta com o tempo de permanência. A visita de um dia custa R$ 38,24. Cinco dias saem por R$ 187,37. A partir do 10.º dia, o preço dobra, para que o turista não prolongue a estada.

Também não há hotéis, apenas pousadas ou quartos alugados nas casas de moradores. "Não temos registrado aumento nos quartos desde 1994", afirma Lopes. Ainda assim, de acordo com ele, o número de habitantes cresceu 40% em dez anos - principalmente de pessoas que vieram a trabalho.

Embora algumas pousadas já utilizem energia solar, a maioria das casas ainda usa óleo diesel, combustível altamente poluidor. E esse é o desafio atual. O Programa Noronha+20, do Ministério do Meio Ambiente, prevê o uso de energia renovável por vento, sol e correntes marinhas a partir de 2020. A ilha quer ficar ainda mais verde.

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