Wanise Martinez/ AE
Wanise Martinez/ AE

Turismo na Argentina

Vinícolas, clima jovem, ruínas, Che Guevara. Na Argentina, as férias terminaram com gosto de missão cumprida – e dos deliciosos sorvetes

Wanise Martinez - O Estado de S. Paulo,

04 Outubro 2011 | 11h55

Mendoza

Nosso último contato com a burocracia chilena se deu a caminho da Argentina, por uma estrada belíssima junto à Cordilheira dos Andes. Depois de sete horas de viagem, fomos recebidas pelo clima apaixonante da cidade do vinho. Encantadora e bem estruturada, Mendoza é um daqueles lugares que dão vontade de parar, de ficar. Tem um quê interiorano e pacato, e pinceladas urbanas.

 

Responsável por mais da metade de produção de vinho do país, a cidade tem tours de todos os tipos pelas vinícolas. Com duração de poucas horas, um dia inteiro, a pé, de bicicleta. Compramos nosso passeio em uma agência no centro de Mendoza, a Youth Travel Argentina: duas bodegas, uma fábrica de azeite e outra de chocolate, por 66 pesos (R$ 29). Divertido e delicioso.

 

Depois de tanta degustação e caminhadas, faça uma pausa na Praça da Independência, a maior da cidade. Perto dali está o Parque San Martín, onde fica o Cerro La Gloria, mirante de onde se vê toda a região e os infindáveis vinhedos.

 

Calçadas largas repletas de lojas e restaurantes com mesas do lado de fora formam o centro de Mendoza. As lojas ficam abertas até 21 horas, pelo menos (algumas vão até as 22 horas). Em compensação, das 13 horas às 16h30, a cidade inteira fecha para a siesta.

 

Dali, o movimento se transfere para os bares e clubes da Calle Aristides Villanueva, onde turistas se misturam aos moradores.

Córdoba

Sem sobressaltos no caminho, desembarcamos na universitária Córdoba, a mais de sete horas de distância de Mendoza. Localizada no centro geográfico da Argentina, com um forte passado colonial e os dois pés no presente, a cidade herdou monumentos históricos e a Universidade Nacional de Córdoba, fundada em 1613, um de seus principais pontos de interesse.

 

A segunda maior cidade da Argentina foi fundada antes de Buenos Aires - e chegou a ser capital do país. O clima é nada menos que empolgante: bares repletos de estudantes se enfileiram junto a ruínas e convidam DJs locais e internacionais a comandar as picapes. Onde mais se encontra uma mistura assim?

 

O Parque Sarmiento é um dos passeios mais agradáveis por lá - ótimo para relaxar ou fazer um piquenique.

 

No centro, a Praça San Martín dá acesso à Catedral da cidade e ao Cabildo, ambos construções seculares na cidade fundada em 1537.

 

Eleita capital cultural das Américas em 2006, a cidade está cheia de ótimos espaços artísticos. Quatro galerias municipais excelentes - dedicadas à arte emergente, contemporânea, clássica e às belas-artes, respectivamente - estão localizadas bem perto umas das outras, pelos arredores do centro. A cena alternativa de cinema sempre apresenta novidades. Jovens designers e artesãos vendem suas criações em mercados de rua nos fins de semana.

 

Córdoba é ponto de partida para visitar Alta Gracia, a 40 quilômetros, conhecida por ser a cidade onde Ernesto Che Guevara cresceu. A pequena casa onde ele morou com a família foi transformada em museu: a história do revolucionário é narrada pelos cômodos por meio de objetos pessoais, fotos e cartas.

 

Buenos Aires

 

Em 12 horas, um mochileiro descansa no ônibus e chega a Buenos Aires, última parada do nosso roteiro, com pique para mais um dia. A capital argentina é facílima para bater pernas, a pé ou de ônibus e metrô, cujos bilhetes são baratíssimos – custam 1,10 pesos, menos de R$ 0,50. Casa Rosada, Praça e Avenida de Mayo, Café Tortoni, Calle Florida e Teatro Colón, highlights do circuito básico, podem ser vistos em um dia. Dedique mais tempo à livraria El Ateneo Grand Splendid.

 

Depois, com calma, siga para bairros mais charmosos e agitados, como San Telmo e Palermo Viejo. São bons endereços para compras descoladas, bares da moda e restaurantes caprichados – nem todos assim tão baratos, é verdade. O Puerto Madero é fotogênico, mas não vale a extravagância gastronômica: a comida é cara e genérica.

 

Se quiser balada de turista, os shows superproduzidos de tango estão lá para isso mesmo. Com jantar incluído e transfer, chegam a custar 900 pesos (R$ 380). Há versões autênticas – a recepção do seu hostel é uma ótima fonte de informações sobre eles e as milongas, bailes tipicamente portenhos onde os moradores dançam em pares.

 

E uma última dica antes do fim da nossa viagem e do retorno à realidade: tome muito sorvete na cidade. O de doce de leite sempre será bom.

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