Turismo sustentável em forma de poesia

Encontre o seu caminho no doce balanço dos maiores rios brasileiros

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2008 | 02h49

Quem vive do rio desenvolve com ele uma relação de amor, proximidade e, principalmente, respeito. Suas águas garantem o sustento do pescador e a irrigação da lavoura. São palco de brincadeiras infantis e do trabalho pesado das lavadeiras, tão comuns no Amazonas. Em muitos casos, o rio sustenta a casa, palafita que ondula com a passagem da voadeira.   Veja também:  Uma mistura de realidades no Solimões  Roteiro de praias e ilhas pelo Rio Negro  Encontro em duas cores  A beleza de inesperados balneários  Velho Chico de canções e romances  Quedas espetaculares no Iguaçu. E peixes num Tietê diferente  Confira opções para navegar pelo País Realidades e imagens que você conhecerá nesta reportagem que surgiu de uma inquietante pergunta. O turismo que começa a ganhar força em nossos 55 mil quilômetros quadrados de cursos d?água será capaz de se desenvolver sem prejudicar a natureza? A resposta trouxe certo alívio. E a consciência de que essa indagação precisa ser refeita de tempos em tempos. "Transformar um rio em atração turística pode render recursos importantes para a economia local", diz Malu Ribeiro, coordenadora do núcleo Rede das Águas da SOS Mata Atlântica. "O turismo é positivo se for bem planejado, criando trabalho e renda para as comunidades." Os estrangeiros foram os primeiros a notar o grande potencial turístico da Bacia Amazônica. Viram que as rápidas voadeiras sumiam na imensidão quase oceânica dos rios - em alguns trechos, a distância entre as margens ultrapassa os 25 quilômetros - e criaram cruzeiros de luxo pelo coração da floresta. Mas o aproveitamento sustentável dos recursos fluviais ainda não ocorre de forma efetiva na Bacia Amazônica, segundo Fernando Kanni, professor de Gestão em Turismo Sustentável do Senac-SP. "Alguns navios freqüentam a região há 30 anos, mas os moradores ainda vivem da mesma maneira", afirma. "É preciso haver diálogo entre empresários e governo para beneficiar a todos." O Ministério do Turismo ainda não desenvolveu projeto nesse sentido, de acordo com o coordenador-geral de Serviços Turísticos, Ricardo Moesche. Ele garante, no entanto, que o órgão está trabalhando para classificar as empresas de turismo fluvial em operação na Amazônia. E deve, em um prazo indefinido, passar a fiscalizar embarcações, exigir capacitação de funcionários e a adoção de itens de segurança. Estradas Na Região Norte, rios são estradas. Canoas fazem papel de carro e as barcaças, de ônibus. Todos, mesmo as crianças, têm suas embarcações. As casas flutuam, as escolas flutuam. O aproveitamento das hidrovias, no entanto, não se repete no restante do País. Segundo Adalberto Tokarski, gerente de Desenvolvimento e Regulação da Navegação Anterior da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o Brasil utiliza hoje 15 mil quilômetros de hidrovias. Número que poderia subir para 40 mil quilômetros com melhorias simples, como sinalização e eclusas. "Rios sinalizados são um incentivo para as empresas construírem barcos de turismo." O especialista cita como exemplo o São Francisco, que chegou a ter um bom fluxo de embarcações turísticas movidas a vapor no passado. "Hoje, o rio está sendo revitalizado com ajuda de recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A partir do momento que ele estiver mais navegável, a atividade será retomada." Sim, o Brasil fluvial tem potencial turístico. Mas isso não basta para atrair visitantes, diz Fernando Kanni, do Senac. "É necessário ter infra-estrutura, hotéis, áreas de acesso e mão-de-obra." Destacamos, a seguir, os rios com mais vocação turística do País. Uma reportagem com as informações da equipe do Viagem & Aventura e a poesia visual dos fotógrafos do Grupo Estado. Um ponto de partida para que você encontre seu caminho. Pelas águas.

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