Ricardo Freire/AE
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Turista profissional: um pulinho em Bruges

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Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2009 | 02h31

Cidade-monumento, cortada por canais e pontilhada por belíssimos exemplares de arquitetura gótica, Bruges é um dos maiores ímãs de visitantes da Europa. Todo mundo quer dar um jeito de dar uma passadinha por lá. Vale a pena? Se a Bélgica estiver no seu caminho, claro que vale. Mas se o desvio no seu roteiro for muito grande, é melhor deixar para uma próxima. Bruges se esgota em poucas horas; é mais um passeio do que um destino. Conheça as melhores estratégias de visita.

O QUE VER

Evidentemente, é essencial fazer um passeio de barco pelos canais (6,50 euros). Não descuide, porém, de algumas importantes atrações em terra firme. No caminho entre a estação de trem e o centrinho, procure o Begijnhof, uma espécie de convento para mulheres não-ordenadas, construído no século 13, que se espalha por casinhas brancas em torno de um parque. Na cidade, a Igreja de Nossa Senhora tem uma Madonna de mármore atribuída a Michelangelo. No capítulo curiosidades, em 2007 foi inaugurado o Museu da Batata Frita. Apesar do aspecto de bufê de festa infantil, é um bom lugar para descobrir por que as batatas belgas são mais gostosas do que as outras (Vlamingstraat 33; 6 euros). A melhor experiência gastronômica da cidade, claro, é almoçar a dupla moules-frites (mexilhões ao vinho branco e batatas fritas) num dos restaurantes da praça principal.

BATE-VOLTA

A maioria dos brasileiros que visita Bruges vem de Paris para passar o dia. Na agência Cityrama (www.pariscityrama.com) a excursão de ônibus custa 139 euros. Ir por conta própria, além de mais barato, é menos cansativo, já que o trecho entre Paris e Bruxelas é feito em trem de alta velocidade. Comprando com antecedência no site da SNCF francesa (www.voyages-sncf.com) você consegue uma tarifa "smoove", de ida e volta, por 82 euros. A primeira etapa do trajeto, no trem rápido Thalys, dura 1h25 até a estação Bruxelles-Midi. Então é preciso fazer baldeação para um trem regional que leva mais uma hora a Bruges. Você não pode trocar os horários do Thalys, mas pode embarcar em qualquer trem regional do dia de validade da sua passagem. Se quiser, pode aproveitar a escala em Bruxelas e tirar uma hora para dar uma espiadinha na Grand? Place. Pegue o trem local e salte na estação Bruxelles-Central. É pertinho.

COM PERNOITE

Bruges tem uma coleção de pequenos hotéis da maior simpatia, como o Karel de Stoute (www.hotelkareldestoute.be; desde 70 euros). Mas só passe a noite se você estiver em muito boa companhia e quiser sossego total: depois que os turistas do dia vão embora, a cidade morre. Para dormir numa pequena cidade gótica belga cortada por canais e que tenha alguma vida noturna, a solução é montar base em Gent, que fica a trinta minutos de trem (na metade do caminho a Bruxelas). Um hotel muito confortável, bem no centro histórico, é o NH Gent Belfort (www.nh-hotels.com; desde 72 euros).

COMO PIT STOP

Para mim, o jeito mais prático de visitar Bruges s é fazendo da cidade um pit-stop de uma viagem de trem entre Paris e Amsterdã. Pegue um trem que saia antes de 8h e deixe suas malas na estação Bruxelles-Midi. Há armários automáticos de vários tamanhos - com instruções até em português -, além de um guarda-volumes operado por atendentes. Nesta modalidade, normalmente sai mais barato comprar os trechos de trem separadamente: Paris-Bruxelas e Bruxelas-Amsterdã em voyages-sncf.com, e Bruxelas-Bruges-Bruxelas no guichê da estação. De Bruxelas a Amsterdã são 2h50 de viagem.

 

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INTERNET PARA VIAGEM

www.tablethoteis.com.br

 

Um dos melhores guias de hotéis-butique do mundo agora tem site em português. Além de pesquisar por destino, dá para procurar hotéis descolados por tema, paisagem ou ambiente. As reservas podem ser feitas online. Confira a seção last minute, com tarifas surpreendentes para hotéis de luxo.

 

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DE CARONA NA NOTÍCIA: Real x Outros

A baixa do dólar é uma das notícias mais recorrentes da primeira página. Mas existem notícias ainda melhores para o bolso do viajante. O real já recuperou completamente o poder de compra contra pelo menos duas moedas.

 

A ex-poderosa libra é uma delas: R$ 3,03, mais barata do que há um ano (quando estava a R$ 3,07). Na Argentina, bastam R$ 0,48 para comprar um peso, contra R$ 0,63 há doze meses. Ainda não recuperamos nominalmente tudo contra o dólar (R$ 1,82 na sexta-feira, contra R$ 1,57 em agosto de 2008), mas as promoções de hotéis e do varejo deixam os Estados Unidos mais em conta do que ano passado. O euro, a R$ 2,58, ainda está sensivelmente mais alto do que os R$ 2,44 camaradas de um ano atrás (bem mais palatável, porém, do que o pico de R$ 3,20 em dezembro).

 

No Leste Europeu, dá empate: R$ 1 valia 9,93 coroas checas; agora vale 9,86. Só estamos apanhando do Japão: R$ 1 comprava 69 ienes; hoje não compra mais do que 52.

 

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VIAJE NA PERGUNTA

Não dirijo fora de São Paulo. Como faço para passear pela Toscana, se o trem não chega às cidadezinhas menores?

Lygia, São Paulo

 

Você tem razão, Lygia. Na Toscana o trem só liga as cidades principais, como Florença, Siena, Pisa e Lucca. As estradinhas de cinema e os vilarejos que não estão no mapa só se oferecem facilmente a quem está de carro. Vejo duas soluções para a sua viagem. Uma, mais em conta e potencialmente muito divertida, é andar de ônibus, como os toscanos. Há inúmeras companhias que operam na região, como SITA (www.sitabus.it), CAP (www.capautolinee.it), Lazzi (www.lazzi.it) e Florentia (www.florentiabus.it). Estude os itinerários, jogue o nome dos povoados no Google, e você pode inventar uma viagem interessantérrima. A outra alternativa é procurar pequenos passeios em grupo, que são mais fáceis de conseguir se você se basear em Florença.Veja alguns exemplos na agência Viator.com. (Mas se eu fosse você, ia com tempo e deixava para pesquisar esses passeios in loco, depois de chegar).

Perguntas: turista.profissional@grupoestado.com.br.

 

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DOSSIÊ: Viajando pelo Twitter

link@wendyperrin A colunista da Condé Nast Traveler tem sempre bons links. Em inglês.

 

link@frugaltraveler Matt Gross, do New York Times, procura conforto e charme, sem abrir a carteira. Em inglês.

 

link@travelfish O melhor guia do Sudeste Asiático. Em inglês.

 

link@lonelyplanet "Retuitando o melhor do mundo das viagens". Em inglês.

 

link@benjilanyado Um dos pioneiros das TwiTrips: viagens tuitadas. Em inglês.

 

link@journeywoman Dicas para mulheres que viajam sozinhas. Em inglês.

 

link@aquelapassagem Rodrigo Purisch destaca as boas promoções de voos e milhas.

 

link@aventureiros Dicas e viagens tuitadas pelo mochileiro Mauricio Oliveira.

 

link@vambora Guta Cunha repassa ótimos artigos, em português e inglês.

 

link@minsaude Responde a viajantes aflitos com a gripe suína.

 

link@viagemeaventura Siga nossos passos também na tuitosfera.

 

link@riqfreire A maneira mais fácil de falar com este colunista.

 

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CASAL SILVESTRE

Sílvio e Flora Silvestre são ecoturistas de carteirinha

"Há quinze anos, a praga de nossas praias era o jet ski. Hoje a ameaça ao sossego (e à ecologia) são esses quadriciclos, que estão tomando conta até de lugares onde carros não trafegavam, como em Alagoas e na Bahia. Isso é caso de polícia! Lugar de quadriciclo é na trilha!"

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