Um amuleto inseparável para cada viajante

Pode ser um chaveiro, a imagem de uma santa... O que vale é acreditar

Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2008 | 02h48

Minutos antes de embarcar para Buenos Aires, no ano passado, a psicóloga Karina Giacheri Guedes saiu do aeroporto e voltou para casa. Não havia a menor possibilidade de entrar no avião sem seu chaveiro de quartzo rosa, presente da mãe: só com ele se sente protegida. Seja pelo medo do avião ou pela sensação de ter algo familiar por perto, viajantes como Karina não saem sem amuletos. A psicóloga, hoje com 34 anos, chegou a ter um companheiro bem mais volumoso que o chaveirinho. Adolescente, ela ganhou na Disney um enorme burro de pelúcia. Meses depois, voltou lá para trabalhar como monitora. Fez mais de 30 viagens a trabalho para os parques de Orlando em quatro anos, sempre com o Bisonho. "Ele virou o mascote dos grupos, ajudava a integrar o pessoal." Aquele vôo para Buenos Aires, no ano passado, ela perdeu - e a agência levou quase uma semana para remarcar o passeio. Por sorte, ela faria a viagem sozinha. "Meu marido sempre pergunta pelo chaveiro porque sabe que volto mesmo. Fiz isso algumas vezes." Com fé Relíquias religiosas também são amuletos freqüentes. O gerente de hotel Tharles Balen, de 33, leva no pescoço uma medalha de São Bento, presente de uma tia, quando voa de Florianópolis para Caxias do Sul para visitar a família. Detalhe: ele morre de medo de avião e coleciona histórias de turbulências assustadoras. Garante já ter sido "salvo" (ao menos emocionalmente) pelo talismã. A professora de educação física Regina Nery, de 45, conta com uma ajudinha de Santa Rita na hora de visitar lugares novos - a imagem de 18 centímetros tem vaga cativa na mala. Quando a viagem é para acompanhar alunos em competições fora de Piedade, a santa garante proteção extra em quadras e em vestiários. Por falar no mundo do esporte, a nadadora pernambucana Joanna Maranhão, de 21 anos, aderiu aos amuletos nos Jogos Olímpicos de Pequim. A atleta incluiu na mochila um olho grego em formato de chaveiro, presente de uma amiga. Para não faltar Como superstição não se discute, o analista de investimentos Fábio Luiz Bonadia, de 29 anos, decidiu adotar um ritual diferente. Na volta para casa, ele sempre traz bolachas de chope coletadas em bares por onde passa. "São para garantir que não vai faltar nunca", brinca. A bebida, obviamente. Mas durante os roteiros, ele também aposta na força dos talismãs. Tem sempre consigo um cartão com seu nome, trazido por uma tia do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, e fitas do Senhor do Bonfim. Além do amuleto mais importante, a mochila. "Ela me acompanha há 12 anos. Já foi ao Maranhão, ao Ceará, à Chapada Diamantina, à Austrália, à Nova Zelândia e à Argentina."  

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