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Arte complementa a beleza natural do Instituto Inhotim, em Minas Gerais Washington Alves/Estadão

Um ano depois da tragédia de Brumadinho, um guia de como visitar Inhotim

Instituto (assim como a maior parte da cidade) não foi afetado pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão e está no centro da recuperação do turismo da região

Anelise Zanoni, Especial para o Estado

25 de janeiro de 2020 | 07h00

Os pingos de chuva molhavam devagar as altas árvores dispostas lado a lado nas trilhas do Instituto Inhotim quando embarcamos em um dos carrinhos de golfe que circulam pela vasta área da propriedade em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte. O cheiro de mato molhado e o canto de diferentes pássaros e cigarras nos acompanharam na visita naquela manhã. Nada que pudesse fazer lembrar a tragédia de um ano atrás, quando pelo menos 230 pessoas morreram com o rompimento da barragem do Córrego do Feijão

Protegido por um cinturão verde e enriquecido por pinturas, esculturas, fotografias e instalações de cerca de 60 artistas de 38 países, o Instituto Inhotim - assim como a maior parte da cidade de Brumadinho - não foi afetado pela tragédia de 25 de janeiro de 2019. Ainda assim, viu 50% de seus funcionários terem perdas diretas com o ocorrido e uma redução brusca no número de turistas.

Mesmo antes do acidente, Inhotim tinha vocação para fortalecer a comunidade, atraindo para a região visitantes que fazem bate-volta a partir de Belo Horizonte ou preferem estender a visita (o recomendado é usar dois dias para ver as galerias com calma). Outra possibilidade é usar o museu-parque como parada no caminho para Ouro Preto.  

Ao programar uma visita, o turista encontrará atividades que podem incluir shows, passeios guiados e uma agenda intensa - além, é claro, das 23 galerias de arte e 560 obras espalhadas ao longo de 140 hectares. Um passeio pelos três eixos (laranja, amarelo e rosa) é um convite para diferentes experiências sensoriais, capazes de mexer com os cinco sentidos e de resgatar memórias da vida.

Novidades

A tentativa de retomar o número de visitantes do Instituto Inhotim após o acidente com a barragem coincide com a inauguração de novas instalações:

Robert Irwin: a obra sem título é feita em concreto, aço inox e vidro artesanal e tem 6,3 metros de altura por 14,6 metros de diâmetro. Fica próxima à conhecida Beam Drop, no eixo laranja.

Visão Geral: Na galeria Mata (eixo amarelo), a exposição coletiva traz obras de vários artistas brasileiros. Entre elas, Mix (Boom), de Alexandre da Cunha; Barril de Petróleo; de Iran do Espírito Santo; e Seção Diagonal, de Marcius Galan.

Yano-a:  O trabalho exibido na galeria de Claudia Andujar (eixo rosa) foi desenvolvido a partir da apropriação de uma fotografia em preto e branco de uma maloca Yanomâmi incendiada.

O Sombra e Água Fresca: Localizado no eixo laranja, é o maior jardim do Instituto e tem 32 mil metros quadrados.

Tem pouco tempo? Use os carrinhos

Nossa visita começou logo após a abertura do Instituto, às 9h30, numa manhã chuvosa. Percorrer o Inhotim de carrinho custa R$ 30 além da entrada (R$ 44), e, à primeira vista, pode parecer um passeio de preguiçoso. Mas para quem quer ver (quase) tudo em um dia, é o melhor investimento.

O trajeto é um luxo, porque a partir dele surgem paisagens incríveis que mesclam obras de arte feitas por artistas do mundo e pela própria natureza. Samambaias gigantes, palmeiras, flores de vermelho intenso, ipês, orquídeas e um exibido tamboril em frente a

um lago aparecem no percurso. 

Para aproveitar melhor o passeio, a sugestão é focar em um dos três eixos do parque e seguir viagem. Iniciamos a jornada pela rota laranja, a maior e mais farta em atrativos. 

Como visitar

Eixo laranja

Tendo como ponto de partida a recepção e a loja de design, uma das primeiras paradas da trilha laranja é a galeria da artista carioca Adriana Varejão. A textura lisa do espelho de água em frente ao prédio forma uma imagem moderna que mescla o verde das árvores e o efeito impessoal do concreto do prédio. Logo no jardim está a Panacea Phantastica, um conjunto de azulejos com a pintura de 50 tipos de plantas alucinógenas. 

Ao entrar na galeria, respire fundo. A artista fez esculturas que parecem tripas humanas dentro de azulejos brancos. O impacto tem justificativa: a obra foi inspirada no desabamento do Hotel Linda do Rosário, ocorrido no Rio em 2002 e que matou um casal.

Sair da galeria e ingressar no Jardim Veredas Tropicais foi alívio para olhos. Inspirado em Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, a área faz uma leitura das paisagens brasileiras por meio de espelhos d'água e buritis. Bancos de madeira em

formato de troncos convidaram para a contemplação.

Ali pertinho, desde setembro de 2019, há um outro jardim: Sombra e Água Fresca. A nova área passou por um processo criativo de quase 10 anos liderado pelo paisagista do Inhotim, Pedro Nehring. Hoje são cerca de 700 espécies, entre plantas nativas e exóticas. O legal do espaço é a proposta multissensorial: quem passa pode comer as frutas que nascem nas mais de 80 espécies de plantas. Para os visitantes e sabiás que adoram voar por ali, há fartura de lichias, mangas, jabuticabas e bananas.

Saindo do jardim a bordo do carrinho, avistei de longe uma curiosa árvore pendurada por pés de aço. Era a obra de arte Elevazione, do italiano Giuseppe Penone. A árvore é uma castanheira centenária feita em bronze. Ao lado dela, cinco árvores foram plantadas para que, com o tempo, sustentem a obra com seus galhos e folhas.

Mais adiante, numa área pasto rasteiro, estão dezenas de pesadas vigas de ferro comidas pelo tempo e enterradas em uma piscina de concreto. A obra Beam Drop, do americano Chris Burden, foi instalada em 2008, em uma performance que durou 12 horas.

Na época, teve a participação de um guindaste para desorganizar as barras.

Ali pertinho está outra novidade, uma obra do americano Robert Irwin com 6,3 metros de altura por 14,6 metros de diâmetro. Em concreto, aço inox e vidro artesanal, traz mais uma experiência multissensorial, porque podemos entrar na obra, que ganha

tonalidades diferentes com a luz do sol.

Além de mostrar a criatividade de artistas em espaços generosos, Inhotim também tem peças interativas. Na galeria Marilá Dardot relembrei os galpões de um sítio de família. O prédio com paredes vazadas abriga letras em cerâmica e objetos de jardinagem. A ideia é formar palavras, que futuramente se transformarão em flores e em pequenas plantas. Escolhi a letra inicial do meu nome, "A". Dentro dela, coloquei terra fofa e algumas sementes de amor-perfeito. Depois, escolhi um lugar embaixo das árvores e deixei a chuva abençoar minha pequena obra.

A alguns passos da galeria, uma piscina com degraus lembra uma agenda telefônica perdida no meio do mato. Entretanto, é mais uma obra que nos surpreende. A Piscina, assinada por Jorge Macchi, é atração nos dias de calor: é permitdo nadar na água transparente.

Pelos hectares do eixo laranja há também obras que nos incomodam. Na galeria Psicoativa Tunga uma ampla sala contornada por vidros tem elementos ligados à mitologia pessoal, como pentes, tranças e tacapes, que fazem crítica ao espaço e ao comportamento humano.

Eixos amarelo e rosa

Quando me disseram que para visitar o Inhotim seria necessário pelo menos dois dias, achei que fosse balela de quem gosta de viajar devagar. Ao encontrar as primeiras galerias e obras espalhadas pela mata, percebi que realmente é preciso tempo para percorrer o Instituto e digerir seu conteúdo.

Em todos os ambientes há sintonia entre o mundo criativo da arte e os elementos da natureza. Até na hora do almoço temos momentos de contemplação. No amplo restaurante Oiticica, por exemplo, a decoração alva e os paredões com vista para o verde convidam para uma refeição tranquila. O local funciona com self-service, que custa R$ 69 o quilo (R$ 59 às quartas-feiras) e tem pratos vegetarianos e veganos.

Saindo dali, partimos para um roteiro pelas trilhas amarela e rosa, que, na minha opinião, reservam as peças de maior impacto e contraste. A obra do carioca Hélio Oiticica está pertinho do restaurante homônimo e é composta por coloridos paredões que fazem

fronteira com um lago - perfeitos para fotos instagramáveis. A Invenção da Cor, Penetrável Magic Square # 5 faz parte de um grupo de seis trabalhos que se espalham em torno da praça e formam um labirinto a céu aberto. A obra foi executada após a morte

do artista, que deixou explicado em projeto como gostaria que fosse instalada.

Também em frente a um lago, a galeria True Rouge é um susto aos olhos. Em uma sala branquíssima, o artista Tunga reuniu vidros que lembram recipientes de laboratório com líquidos vermelhos, que remetem ao sangue humano. Por vezes, a instalação lembra um

útero.

Outro destaque do roteiro é a galeria da fotógrafa Claudia Andujar. Nascida na Suíça e radicada no Brasil, ela produziu mais de 400 fotografias com o povo yanomami na Amazônia brasileira. O trabalho é singular: conseguimos captar a alma e as

emoções dos fotografados. As imagens foram feitas entre 1970 e 2010 e mostram, numa viagem no tempo, a radical mudança na vida dos indígenas.

Em meio à mata também passamos por um terreno embarrado e abrimos a porta de uma esfera cestavada. Ali dentro, uma retroescavadeira e uma árvore branca feita de polietileno de alta densidade lembra intervenções do homem no meio ambiente. A De

Lama Lâmina é assinada pelo americano Matthew Barney e nos deixa com uma pergunta: como a máquina foi parar dentro de uma esfera?

Dentro de uma área entre os ricos biomas da Mata Atlântica e do cerrado, o Inhotim tem como ponto de encontro um majestoso e alto tamboril, onde nosso passeio foi se encerrando. A árvore centenária fica no coração do parque e está ali desde a época

em que a região era apenas uma vila. 

ANTES DE IR

Tempo: Reserve pelo menos um dia inteiro para percorrer o Instituto (o ideal são dois) e logo na entrada solicite um mapa. O ideal é escolher um dos eixos para começar a visita.

Horários:  De terça a sexta, das 9h30 às 16h30; sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30. Fecha às segundas.

Ingressos: A entrada inteira custa R$ 44. Nas quartas-feiras é gratuito, mas é preciso reservar o ingresso online no site Sympla. Crianças de 6 a 12 anos, pessoas com mais de 60 anos, estudantes e professores têm meia entrada. Moradores de Brumadinho têm entrada gratuita, mas precisam se cadastrar no Instituto.

É gratuito: Estacionamento, bicicletário, uso de fraldário e guarda-volumes. Há visitas orientadas gratuitas que ocorrem das 11h às 14h. Informe-se na recepção.

Transporte interno: Um carrinho elétrico com motorista fica à disposição dos visitantes de terça a sexta, das 10h às 16h, e fins de semana e feriados, das 10h às 17h. O transporte custa R$ 30 por pessoa. Crianças de até 5 anos não pagam. O carrinho é gratuito para pessoas com deficiência (mais um acompanhante).

Como chegar de ônibus: Há duas empresas que fazem o trajeto de Belo Horizonte para o Inhotim. A Belvitur tem transporte que sai do hotel Holliday In (Rua Professor Moraes, 600, bairro Funcionários). O ônibus parte às quartas, sábados, domingos e feriados às 8h30 (nos demais dias depende da quantidade mínima de 4 passageiros). De terça a sexta-feira, o retorno é às 16h30; aos sábados, domingos e feriados, às 17h30. A passagem custa R$, 60 ida e volta, e R$ 35 somente volta.

Já a Saritur tem transporte que sai da Plataforma F2 da rodoviária de Belo Horizonte. O ônibus parte às 8h15 e

retorna às 16h30. Sábados, domingos e feriados, é às 17h30. A passagem custa R$ 41,05 ida e R$ 37,15 a volta.

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Roteiro em Belo Horizonte vai de Niemeyer a mercado

Conjunto de prédios da Pampulha e delícias como doce de leite garantem mineirices na capital

Anelise Zanoni, especial para o Estado

25 de janeiro de 2020 | 06h55

Um roteiro clássico de quem vai ao Instituto Inhotim geralmente inclui uma visita a Belo Horizonte. A capital mineira tem como cenário uma coleção de prédios antigos e obras assinadas por Oscar Niemeyer, o que faz do trajeto uma viagem pela história da cidade.

Os primeiros prédios erguidos no início da carreira do famoso arquiteto habitam alguns endereços da capital mineira. Nos anos 1940, ele foi convidado por Juscelino Kubitschek, presidente à época e seu amigo pessoal, a desenvolver uma nobre área na cidade, onde fica hoje o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, declarado Patrimônio Mundial pela Unesco.

Na região destacam-se o Museu de Arte, a Casa de Baile e a Casa Kubitschek. Depois de permanecer fechada por dois anos para reforma, a Igreja São Francisco de Assis foi reaberta em outubro do ano passado.

No circuito cultural da Praça da Liberdade também é possível ver uma das obras de Niemeyer: o prédio que leva o nome do arquiteto e que já foi endereço de Tancredo Neves. A praça conta com oito prédios públicos transformados em espaços interativos.

Mercado de mineirices

O Mercado Público de Belo Horizonte tem um grande diferencial: com certeza, tem os melhores produtos tradicionais mineiros, como queijos, cafés e doces de leite. Dentro do prédio que ocupa uma quadra inteira, a regra é caminhar sem pressa, degustar produtos e definir onde serão feitas as compras. Entre os queijos tradicionais estão o fresco mineiro e o da serra da canastra.

Também encontramos variedades de bancas com castanhas, amêndoas e pistaches, objetos feito em barro, canequinhas esmaltadas e cachaças típicas que podem servir de presente para os amigos.

Ao contrário de alguns mercados como o de São Paulo ou de Porto Alegre, que têm muitas opções de restaurantes e lanchinhos, em Belo Horizonte a variedade é menor – claro que você pode experimentar produtos nas bancas, mas não será suficiente para matar a fome no horário de almoço.

Uma opção gastronômica concorrida é o Casa Cheia. Ao chegarmos à porta do lugar, entendemos o significado do seu nome. Tradicional pela culinária, o restaurante tem fila durante boa parte do dia. O sucesso está no cardápio farto, com iguarias como o mexidoido chapado (R$ 36,90), feito com arroz, tirinhas de carne, linguiça, legumes e bacon, e as almôndegas de carne de sol (R$ 34,90).

Onde se hospedar em BH

Um roteiro prático pela capital mineira exige hospedagem em localização privilegiada. O bairro Savassi pode ser interessante para quem deseja aliar programação cultural com boas opções gastronômicas e noturnas.

Vizinho do shopping Pátio Savassi, o Radisson Blu fica no coração do bairro. A decoração moderna aposta no contraste. Ao lado da recepção, há uma sala com uma grande estante de fundo vermelho que abriga objetos e quadros. Em frente ao elevador, pedras preciosas catalogadas ficam dispostas numa caixa de vidro grudada em um paredão. Poltronas redondas que parecem jabuticabas pretas servem de descanso.

Outro destaque é o restaurante Pátio Olegário. Durante o dia serve café da manhã com produtos típicos mineiro. Pão de queijo, cocada, goiabada e doce de leite são variados e famosos por lá. Depois do desjejum, o lugar se transforma em uma famosa pizzaria e restaurante – as redondas que saem do forno já receberam uma quantidade de prêmios na cidade.

Pertinho do Radisson Blu está o Ibis BH Savassi, uma opção mais econômica. Entre as comodidades do Holliday In estão piscina ao ar livre e academia – de lá partem os ônibus diretos para o Inhotim. Para quem quer luxo pertinho do circuito da Liberdade, o Fasano Belo Horizonte tem spa com piscina, sauna, academia e o restaurante Gero.

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Passeios imperdíveis a partir de Brumadinho

Visual da serra, banho de cachoeira e até uma esticada à histórica Ouro Preto. Há muito para conhecer na cidade mineira

Murilo Busolin, Brumadinho

25 de janeiro de 2020 | 06h55

Brumadinho não se resume a Inhotim. E, se você é desses que não nega uma aventura, um restaurante diferente ou belas paisagens e quer contribuir para que o turismo local volte a crescer após a tragédia, abaixo estão passeios que todo turista precisa se programar para fazer quando estiver de passagem pela cidade mineira.

Ouro Preto

É a dica número 1 que qualquer morador de Brumadinho responde quando fazemos a clássica pergunta: “O que mais podemos fazer na região?”. A cidade universitária, a 107,4 quilômetros de distância, tem fama de “não parar nunca”. Possui atrativos para todos os gostos, de igrejas históricas com arquiteturas incríveis a restaurantes badalados, de bares tradicionais a feiras de artesanato. Tudo com muito charme.

Leve seu par de tênis mais confortável, muita disposição e hidratação, já que quase todo o turismo local é comumente feito a pé, pela proximidade de uma atração a outra. A opção de táxi sai muito mais salgada do que você pode imaginar.

A Praça Tiradentes, principal parada de turistas, é cercada de guias e lojas. Lá, você pode começar sua caminhada em busca dos principais pontos de Ouro Preto. Antes de começar seu tour, não deixe de entrar no Armazém Rural, na praça, para experimentar as diversificadas cervejas artesanais (R$ 12 a R$ 15).

Quer garantir aquela lembrancinha de viagem? Você pode garimpar as mais charmosas da região na feira de Pedra Sabão. Instalada em frente à Igreja São Francisco, na praça de mesmo nome, é um dos destinos mais buscados no centro da cidade. Esculturas e peças de artesanato e de decoração se destacam na feira, também conhecida pelas joias (anéis de prata legítima com pedras de cidades vizinhas na faixa de R$ 120).

Se estiver procurando um passeio tranquilo e em família, o Trem da Vale é a indicação perfeita. Leva os passageiros de Ouro Preto a Mariana em uma hora. O bilhete custa R$ 70 (ida e volta), em carro convencional. Para uma experiência ainda mais impactante, há a opção de carro panorâmico, por R$ 90, para apreciar a paisagem em torno da antiga ferrovia.

O Passo Pizza Jazz, na Rua São José, era o lugar mais indicado nas redes sociais para almoço ou jantar sem erro. Minha experiência confirmou que não dá para sair de Ouro Preto sem passar no famoso estabelecimento, com entradas de até R$ 45. Escolhi corniccioni pelati, uma massa de pizza assada com queijo tipo Grana, molho pomodori pelatti e alho torrado (R$ 24). Inesquecível.

Os pratos incluem massas e risotos, mas o foco é a pizza. Os preços vão de R$ 53 a R$ 87 (com frutos do mar). É importante ressaltar que os tamanhos são fartos, grande ou gigante. Escolhi meia alho poró com mascarpone e meia brie com parma. Sinto saudades até hoje.

Do alto da serra

Separe um fim de tarde de sua viagem para conhecer o Topo do Mundo, a 59,7 quilômetros de Brumadinho, no alto da estrada da Serra da Moeda. A partir das 17 horas, é garantido se deparar com uma das vistas mais bonitas da sua vida.

O acesso é gratuito, e você pode se arriscar voando de parapente. O custo é de R$ 350 por corajoso – é preciso agendamento prévio (parapentetopodomundo.com.br).

Pertence ao grupo de amantes de bons vinhos e queijos? Separe uma garrafa do seu favorito para apreciar o momento de calmaria. Você vai ver muitos grupos e casais que vão até lá com essa intenção, além das fotos para o Instagram. Não se esqueça de recolher todo o lixo que gerou, pois infelizmente é normal se deparar com restos de outros que passaram por lá.

O local também é conhecido pelo Horizontes, novo restaurante que serve entradas de até R$ 30, porções de até R$ 40 e pratos principais no valor de R$ 70.

Tranquilidade e gastronomia

Entre pousadas e chalés de Brumadinho se destaca A Mi Manera Bistrô – Pousada & Brewpub (Rua A Dois, 51). Localizada a 11 quilômetros do Centro, a casa está cercada por natureza. Funciona há mais de sete anos como bistrô, e há dois foi estruturada com o intuito de receber visitantes.

Primeiro lugar entre 140 restaurantes na cidade, segundo o site de avaliações TripAdvisor, o bistrô vale uma visita mesmo se você já está hospedado em outro lugar. A chef Yvine Lopes prepara os pratos em frente aos convidados, com uma pitada especial de alto astral. O cardápio é uma mistura equilibrada entre a culinária brasileira e a cozinha internacional, desenvolvido com base na vivência de Yvine na Europa e em Curaçao.

Experimentei e recomendo: as entradas camarão ao pil pil (R$ 60), panelinha de cogumelos (R$ 45) e gorgonzola ao mel parma e nozes (R$ 45). Entre os pratos principais, há risoto de shimeji, shitake e queijo brie (R$ 54), camarão ao creme de açafrão (R$ 65) e filezinho ao creme gorgonzola (R$ 54). A cereja do bolo dessa experiência é a cerveja artesanal feita na pousada, a Getto, uma strong ale com 7,5% de teor alcoólico (R$ 18).

Banho de cachoeira

Cerca de 150,8 quilômetros (2 horas e 49 minutos de carro) separam Brumadinho da região mineira conhecida pelas cachoeiras e belezas naturais. Para um percurso curto e tranquilo para tomar um banho e publicar belas fotos nas redes sociais, a opção mais indicada é a Serra do Cipó.

Fazendo uma trilha de um quilômetro, classificada como “nutella” pelos frequentadores, você tem acesso a quatro lugares diferentes, incluindo uma piscina natural e a grande cachoeira Véu da Noiva. O custo é de R$ 30 por pessoa para passar o dia no local, com opções e estrutura para quem deseja fazer acampamento. Detalhe importante: a água é extremamente gelada. Prepare-se!

Outro atrativos

As lembranças da tragédia em janeiro de 2019 ainda são vivas em Brumadinho. Além do impacto direto na população, o setor do turismo vive a maior crise que já conheceu. O turismólogo Pedro Henrique da Silva, que trabalha para a prefeitura, conta que o perfil do hóspede mudou. “A maior parte é de funcionários temporários de empresas terceirizadas envolvidas na reparação dos danos. Os turistas são a minoria”, explica.

Para reverter a situação, Brumadinho se esforça em mostrar que a cidade está segura. Logo após o acidente, fez uma campanha incentivando roteiros na região. Ainda este ano deve lançar materiais gráficos promocionais e totens informativos. “Tivemos muitos cancelamentos de reservas, destruição de pousada e fechamento de negócios por tempo indeterminado. Porém, ainda temos muitos pontos turísticos na região, como o Inhotim”, diz o turismólogo.

Além de ter o jardim botânico e o museu a céu aberto como atrativos, o instituto promove eventos para atrair público e novidades, como o festival MECAInhotim. Também são frequentes shows com artistas da cena independente e com cantores consagrados – Caetano Veloso, Jorge Ben Jor e Marisa Monte já passaram por lá. O Instituto Inhotim atua como o principal atrativo da região, mas a cidade aposta também em outros. Confira três deles abaixo:

Casa Branca

Localizado no entorno do Parque Estadual da Serra do Rola Moça, tem atividades de arvorismo, tirolesa, rapel, caminhadas ecológicas e visitas a mirantes.

Centro Histórico de Piedade do Paraopeba

A vila é um centro de romaria para devotos a Nossa Senhora da Piedade. Tem casarões coloniais, igrejas centenárias, alambiques e lojas de artesanato.

Sítio Histórico Quilombo do Sapé

É uma pequena localidade símbolo da cultura e memória afro-brasileira em Brumadinho. / Colaborou Anelise Zanoni, especial para o Estado

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