Um britânico no carnaval do Rio de Janeiro

Alvíssaras: Mr. Miles está no Rio! Ele mesmo contou que veio desfilar em alguns grupos de rua, como já fizera anos atrás na companhia de Jorginho Guinle. Perguntamos a ele se não foi importunado pelos farristas devido à sua fama e, elegantemente, ele afirmou: “Nada disso. Fui muitíssimo bem tratado e descobri que o exercício de beijar na boca banalizou-se. In fact, adorei o hábito.”

Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2017 | 04h58

Nosso correspondente britânico contou que saiu às ruas fantasiado de... Mr. Miles, of course. Com um bowler hat antigo e uma elegante bengala com manopla de prata. “Foi uma experiência interessante. Vi diversos foliões me apontando, com comentários do tipo: ‘Olha lá, que boa ideia. O cara veio fantasiado de Mr. Miles!’”. Uma mulher com suas partes mais fofas escapando-lhe do biquíni chegou a me dizer: ‘Essa fantasia está genial. Mas cadê a Trashie?’, perguntou, considerando, portanto, minha criação incompleta.

É claro que não pude permitir que Trashie participasse de um bloco numeroso e apertado. Tenho de respeitar a sua cegueira em algumas ocasiões. However, Trashie liquidou uma garrafa de single malt que deixei à sua disposição. E ficou muito feliz.” A seguir, a pergunta da semana:

Mr. Miles: o senhor gosta de carnaval? Por que não vem até aqui para pular um pouco com a gente?  

Maria Helena Tolentino, de Salvador

Well, my dear, fico honrado com seu convite, embora, unfortunately, eu tenha recebido sua correspondência um pouco tarde demais. 

Besides, Maria, acho esse tipo de invocação um tanto vago. O que você quer dizer com ‘com a gente’? Seríamos você, eu e quem mais? Tampouco vejo qualquer endereço de remetente em sua missiva. Como vou poder achá-la, portanto? Salvador é uma cidade muito grande para que eu consiga encontrá-la com uma placa de identificação. Am I right? 

Anyway, Maria, já participei de vários carnavais em várias partes do mundo. Inclusive o do Brasil, que é o melhor de todos (motivo pelo qual estou aqui novamente). Tive até uma experiência curiosa some years ago. Fui convidado de última hora para um baile a fantasia no Teatro Municipal do Rio – lembra-se quando isso ainda ocorria? – e, desprovido de trajes adequados, não tive alternativa senão ir vestido à paisana, com meu terno e meu bowler hat de todos os dias. It was unbelievable! Deram-me o prêmio na categoria originalidade! 

Em outra ocasião, meu amigo Alceu Valença convidou-me para participar de um bloco chamado, se não me esqueço, Potatoe’s Cod. (N. da R.: Bacalhau do Batata, bloco que fecha o carnaval de Olinda). Eu jamais havia tomado contato com os rudimentos do frevo até então, but it was really not a problem. O bloco era tão espremido e animado que as pessoas literalmente dançaram-me Olinda afora por horas a fio. Não devo ter sequer sujado a sola dos sapatos.

Recordo-me porém que, em certo momento, meus olhos cruzaram com os de uma linda e ardente morena, para quem quis, of course, tirar o meu chapéu, como sempre faço quando desejo cumprimentar uma pessoa. 

Unfortunately, Maria Helena, não logrei alcançá-la e, pior, a moça desapareceu na multidão e nunca mais pude vê-la. 

Também achei muito interessantes os blocos de carnaval que se formam no Rio para cantar e dançar pelas ruas, como estou fazendo agora. Não entendi, however, por que há tantos homens vestidos de mulher. Ou será que todos eles estavam tentando fantasiar-se de escoceses? 

Well, dear Mary: se, no próximo ano você fizer a gentileza de convidar-me de novo com um pouco mais de antecedência e de maneira que eu seja seu par, terei o maior prazer em acompanhá-la. Está mesmo na hora de eu conhecer esses electrical trucks dos quais tantos falam. Don’t you agree?” 

 

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 312 PAÍSES E  

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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