Roberta Zawit/AE
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Um dia na companhia das jubartes

É preciso madrugar para encarar o passeio até a Ilha Siriba, em Abrolhos. Mas a principal atração fica no meio do caminho: o encontro com as baleias

Roberta Zawit/ Abrolhos, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2011 | 03h07

Às 7 horas já estava tudo pronto para o barco deixar o porto de Prado. É preciso zarpar cedo, afinal, são 10 horas de um passeio que inclui snorkeling no Arquipélago de Abrolhos, pausas para observar as baleias que invadem a costa baiana entre julho e novembro e uma caminhada na Ilha Siriba.

Motores ligados, prepare a máquina fotográfica e não a tire do pescoço: as baleias podem aparecer a qualquer momento. Foi assim com nosso grupo. Navegávamos a mais ou menos uma hora quando o barulho do motor cessou, dando lugar a gritos animados. "É a calda de uma baleia, e é das grandes. Na posição que ela está, deve permanecer por mais uns 10 minutos. Vocês estão com sorte", disse Milton Marcondes, diretor de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte.

O cenário, emoldurado por um oceano absurdamente azul e um sol que brilhava incessantemente, tornava a imagem ainda mais bela. Apelidei a baleia, a primeira que avistei, de Juju. Ela, afinal, ficou em nossa companhia por cerca de 20 minutos, distante do barco apenas 20 metros. Como os motores estavam desligados, nada desviou a atenção do animal. E nos deu a oportunidade de tirar inúmeras fotos.

Quando se cansou, Juju colocou a cabeça para fora d'água, tomou fôlego e voltou a exibir a cauda. Segundo Marcondes, há várias hipóteses para a gigante ter se colocado nessa posição: para descansar, amamentar ou alcançar uma termorregulação de seu corpo por meio da cauda exposta ao sol e ao vento.

Após cerca de 20 minutos de parada, seguimos. E não demorou muito para encontrarmos mais baleias. Um grupo que dava saltos fora d'água, deixando todos boquiabertos. Marcondes explicou que se tratava de um "grupo competitivo", que estava se preparando para acasalar.

Abrolhos, afinal, é conhecido como berçário das jubartes. Ali, as gigantes acasalam, dão à luz seus filhotes e oferecem aos turistas um verdadeiro espetáculo, composto de acrobacias e da cantoria típica da espécie.

Caminhada na ilha. Depois do show natural, o barco continuou seu percurso até a Ilha Siriba, a única do arquipélago aberta aos turistas. Felipe Buloto, gestor ambiental e orientador do passeio, explica ao grupo como desembarcar na ilha e nadar com snorkel sem assustar a fauna.

Além da máquina fotográfica e dos chinelos, não é permitido levar mais nada em mãos - muito menos trazer algo da ilha, mesmo que seja uma pedrinha ou uma porção de grãos de areia. Afinal, somos os "invasores" de uma terra habitada apenas por duas espécies de aves marinhas: os atobás brancos e os rabos-de-palha.

Os atobás não gostam de dividir o espaço com ninguém - os rabos-de-palha só conseguem sobreviver porque fazem seus ninhos entre as pedras, numa espécie de minicaverna, fora do alcance dos atobás.

A trilha, demarcada, é percorrida em 20 minutos. Depois, basta cair n'água - os pés de pato já estão a postos. Durante uma hora, é possível observar tartarugas, peixes e recifes em uma água morna, transparente e relativamente rasa: a profundidade não passa de três metros.

Diversão garantida, é hora de tomar o caminho de volta - são pelo menos três horas até Prado. Quem sabe não haverá mais baleias pelo caminho.

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