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Um expresso e uma porção de história, por favor

Confira xícaras e salões centenários em cafés mundo afora

Bruna Tiussu /O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2012 | 02h09

Segundo lar da poesia de Peter Altenberg

 

Localizado no Palais Ferstel, um palacete no centro de Viena, em um salão com abóbada marcante e janelões que permitem a entrada da luz natural, o Café Central merece a visita nem que seja pelo ambiente. No cardápio, receitas austríacas, de goulash a strudel de maçã, mais bolos, tortas e cafés.

Inaugurado em 1876, ficou famoso como ponto de encontro de artistas e literatos, tendo entre os frequentadores Sigmund Freud, Leon Trotski e Peter Altenberg, que morava tão perto do Café Central que o usava como local de trabalho - há uma estátua do escritor na entrada. Destruído na 2.ª Guerra Mundial, foi reinaugurado em 1986.

 

À moda de Buenos Aires: com tango e jazz

 

Foi um imigrante francês que fundou o mais antigo café de Buenos Aires, até hoje um reduto histórico e cultural da capital portenha. Localizado na Avenida de Mayo, o Café Tortoni mantém o ambiente aconchegante que encantou moradores desde a inauguração, em 1858. Frequentado por ilustres como Carlos Gardel, Jorge Luis Borges e Alfonsina Storni - há um salão que homenageia a poetisa -, foi sede da La Peña, uma espécie de associação literária e artística. Hoje, o lugar recebe para refeição completa, chá ou café da tarde e para apresentações diárias de jazz ou tango, no salão do subsolo. Há, ainda, biblioteca e área de jogos, com mesas de sinuca, dominó e cartas.

 

Diante das janelas, a Ópera de Paris

 

Um dos cantinhos mais parisienses da Cidade Luz está de aniversário: o Café de la Paix completa 150 anos de história, decoração e menu que encantam moradores e visitantes. O estilo imperial, com lustres robustos, adornos em dourado e pé direito alto continua lá, bem como a mobília que foi usada por célebres como Oscar Wilde, Henry Toulouse-Lautrec e o tenor Enrico Caruso - dizem que os três tinham mesas cativas.

O projeto é assinado por Charles Garnier, mesmo arquiteto da vizinha Ópera de Paris, que pode ser admirada do próprio café. Os pratos são criação do chef Christoph Raoux; os doces, do chef pâtissier Dominique Costa. Além disso, desde 2005, o café convida estilistas do mundo todo para compor sobremesas do menu especial Patisserie Fashion: Paco Rabanne, Manish Arora e o brasileiro Alexandre Herchcovitch já exibiram criações.

 

Monumento em forma de cafeteria

 

Segundo café mais antigo da Itália - atrás do Florian, em Veneza -, o Antico Caffé Greco, aberto em 1760 na elegante Via Condotti, é praticamente um monumento em Roma. A decoração tem pinturas românticas, grandes pilastras e espelhos antigos. Atmosfera clássica que conquistou ilustres como Giorgio de Chirico, Dickens, Goethe e Stendhal.

 

Três séculos em destaque na Praça São Marcos

 

Em plena Praça São Marcos, coração de Veneza, o primeiro café da Itália foi inaugurado em 1720. Então batizado de Venezia Trionfante, em pouco tempo o estabelecimento passou a funcionar com o nome atual, Florian, em homenagem ao dono Floriano Francesconi.

Era em suas salas confortáveis, decoradas com mármore, espelhos com molduras douradas e afrescos que a aristocracia do século 18 se reunia para uma xícara de chocolate quente, a bebida mais apreciada na época. O local também foi palco de mudanças sociais e comportamentais - para se ter uma ideia, era o único estabelecimento que admitia a presença do público feminino até altas horas, o que ajuda a explicar o apreço de Casanova pelo lugar. Símbolo da cidade até hoje, quem o visita encontra a mesma decoração dos séculos passados. E, é claro, o autêntico espresso italiano.

 

Em memória da 'belle époque' carioca

 

A Confeitaria Colombo, no centro do Rio, é o local que melhor representa a belle époque na então capital do Brasil. Fundada em 1894 por dois imigrantes portugueses, conserva a mobília de jacarandá, os enormes espelhos de cristal e os balcões de mármore, todos de inspiração europeia.

Em 1922, em homenagem ao primeiro centenário da proclamação da independência do País, a casa ganhou um salão de chá no segundo andar, com uma exuberante claraboia de vitrais coloridos que o visitante pode ver até mesmo do térreo. Lá em cima, hoje, também funciona o restaurante Cristóvão, especializado nas cozinhas portuguesa e espanhola - aos sábados, há feijoada. No andar de baixo, mesas e cantinhos dos balcões são concorridos durante todo o dia. Quitutes centenários, como o pão de ló e o doce rivadávia, um bolo recheado, fazem sucesso.

 

Fachada art déco de um símbolo de Praga

 

Talvez você encontre quitutes e cafés tão saborosos quanto os do Café Imperial. Mas ambiente similar não há em Praga. O prédio, construído entre 1913 e 1914, tem fachada art déco e abriga o Hotel Imperial, um marco da capital checa. Lá dentro, são as paredes cobertas com azulejos brancos e amarelos e o teto de mosaico que dão graça ao salão com mobília inspirada no início do século 20. O local ganhou fama ainda antes da 2.ª Guerra Mundial - hoje, a cozinha é responsabilidade do chef Zdenek Pohlreich, conhecido pelo trabalho ali e também por seu programa de culinária na TV nacional. Os doces são a maior tentação do cardápio.

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