Adriano Fagundes
Adriano Fagundes

Um guia para desbravar Amsterdã além das multidões

O overturismo se tornou uma dor de cabeça para quem vive em Amsterdã; veja como ser um bom visitante e, ainda assim, curtir a capital da Holanda

Daniel Nunes Gonçalves, Especial para o Estado

25 Setembro 2018 | 05h00

Anne Frank, desculpe a desfeita de não ter passado na sua casa nem para uma visitinha. Mestre Rembrandt, minha imersão no seu museu vai ficar para a próxima. Prezadas prostitutas do Red Light District, vou ficar devendo aquele rolê noturno entre os luminosos do bairro mais famoso – e achincalhado – de Amsterdã. Abri mão de conhecer estas e outras disputadas atrações turísticas da capital da Holanda por uma causa nobre: eu não queria contribuir com o overturismo.

É assim que tem sido chamado o turismo de massa que incomoda os anfitriões – e do qual a capital da Holanda tem sido vítima. Não foi fácil, especialmente porque minhas duas semanas no país foram exatamente entre julho e agosto, durante o lotado e tão aguardado verão europeu (que, por sinal, está terminando agora). E olha que era minha primeira vez nestas bandas: levei 46 anos e 46 países para, enfim, estrear entre canais deslumbrantes, ladeados por sobrados do século 17 incrivelmente preservados, diante dos quais pedalam orgulhosos, em ciclovias literalmente de primeiro mundo, cidadãos engravatados e executivas de salto. 

++ LEIA TAMBÉM: A Europa reage contra o overturismo

A missão era evitar ser apenas mais um turistão no tsunami de 2,4 milhões de forasteiros que apenas nos 3 meses do verão europeu lotam os quartos de hotéis de Amsterdã – e as atrações mais carimbadas. Como a cidade tem apenas 844 mil habitantes, o fato de ter sua população mais que triplicada (o número não inclui, por exemplo, as hospedagens em casas de AirBnb) já tinha provocado uma série de manifestações da população local no verão de 2017, deixando os profissionais do turismo de orelha em pé. 

Da mesma forma que tem acontecido em Veneza, em Barcelona e outros destinos desejados da Europa, os moradores da cidade mais famosa da Holanda reclamam do incômodo de ter sua rotina totalmente alterada. A população de Veneza até diminuiu em função de não se sentir mais confortável em casa. Assim como os excessos do turismo de massa deram origem ao termo overturismo, a onda de protestos dos locais foi batizada como turismofobia. 

Um outro olhar

Disposto a não aumentar o problema, decidi tentar renegar minha realidade de turista. Pisei em Amsterdã determinado a viver a rotina dos moradores, a flanar sem a ansiedade de quem explora um destino desconhecido, a praticar o chamado slow travel – outra palavra recente no dicionário turístico mundial que consiste, como no movimento slow food, a fazer tudo devagar, com mais qualidade – e pagando o preço de reduzir a quantidade de lugares visitados. 

Dois complicadores dificultavam minha missão: 1) como sou estudante, tive de viajar na altíssima temporada das férias escolares, quando tudo está mais caro e cheio; 2) estar ali pela primeira vez. Em uma segunda viagem seria muito mais fácil, por exemplo, descartar ver a Torre Eiffel em Paris ou o Papa em Roma. 

Por isso, fica estranho não ter o que contar para os amigos e os leitores, ao fim da viagem, quando alguém me pergunta de Anne Frank, de Rembrandt, das prostitutas do Red Light District. Mas uma coisa eu garanto: tudo o que vi fora do circuito mais batido foi muito especial. E a rota que consegui fazer, e que descrevo a seguir, me fez voltar fascinado pela Holanda dos holandeses.

ANTES DE IR

Deslocamentos:  o trem é eficaz para viajar entre cidades holandesas. Pesquise trajetos e horários em ns.nl/en.

Descontos: O I amsterdam City Card oferece descontos ou gratuidade em 40 atrações; válido por 24, 48, 72 ou 96 horas.  O passe dá direito a transporte e passeio de barco; o válido por três dias custa 84 euros  (R$ 406) e tem bom custo-benefício.

 

 

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