Anelise Zanoni
Não há por que ter pressa para explorar os cânions – praticamente intocados – que circundam Cambará do Sul Anelise Zanoni

Um guia para desbravar os cânions de Cambará do Sul

Cidade gaúcha é porta de entrada para os parques nacionais Aparados da Serra e Serra Geral - por ali, só o vento tem pressa

Anelise Zanoni, Especial para o Estado

29 de setembro de 2019 | 07h00

Se há uma coisa que tem pressa na região gaúcha dos Campos de Cima da Serra, é o vento. Quando ele sopra, percorre as fendas dos desfiladeiros e atravessa paisagens onde estão as maiores (e talvez mais belas) cadeias de cânions da América do Sul. A pressa, contudo, fica mesmo com o vento. Pensei nisso enquanto percorria uma trilha de campo aberto em Cambará do Sul, com sol no rosto e coração acelerado, em agosto. Me dei conta de que, desde minha última visita à região, em 2004, muita coisa mudou por ali. Mas tudo num ritmo lento.

Naquela época, há 15 anos, quando a gente nem imaginava viajar com um smartphone como guia, todos os acessos tinham estrada de terra, onde geralmente buracos gigantes marcavam presença. Hoje, no município de Cambará do Sul, conhecido como a terra dos cânions (é a porta de entrada para os parques nacionais Aparados da Serra e Serra Geral) e principal destino para quem visita a região, o asfalto chegou, mas apenas para parte dos caminhos. Muitas vias rústicas que recortam as paisagens verdes e rurais ainda estão lá, assim como as pousadas que funcionam dentro da casa dos proprietários e o comércio, que geralmente fecha as portas na hora do almoço.

Talvez esse seja um dos principais encantos de um dos destinos mais bonitos do Rio Grande do Sul. Mas é preciso ter tempo para percorrer as distâncias até os principais cânions e serenidade para parar em frente à imensidão de paredes de pedra e ficar contemplando o belo trabalho feito pela natureza. 

Por falar em força natural, ela está muito presente por lá. Praticamente intocada, com cânions gigantes, quedas d'água que brotam de paredões e vegetação em meio a cachoeiras, a região deve ampliar o número de turistas nos próximos anos. Isso porque está marcada para agora, em outubro, a definição sobre a concessão à iniciativa privada dos parques nacionais Aparados da Serra e Serra Geral. Ambos abrigam os cânions mais visitados do Rio Grande do Sul: o Itaimbezinho e o Fortaleza, respectivamente.

Mudanças à vista

Entre os moradores, há quem torça para a entrada de uma empresa internacional, que poderia melhorar o acesso e a infraestrutura de visitação. Outros ainda não se acostumaram com a possibilidade de a cidade poder receber no futuro até quatro vezes mais viajantes por ano. De acordo com a secretária de Turismo de Cambará do Sul, Beatriz Isoppo Trindade, Cambará recebe anualmente 250 mil pessoas e, em três anos, o número pode chegar a 1,2 milhão. O avanço certamente teria reflexos em municípios vizinhos que têm alto potencial turístico, como São José dos Ausentes, Jaquirana e Praia Grande (já do lado catarinense).

Por enquanto, a pedida na região é viajar sem pressa e ser atendido com simpatia em restaurantes e pousadas familiares, cujos proprietários contam com emoção as histórias de seus antepassados. As agências locais também são pequenas, e se orgulham dos guias que cresceram entre as trilhas que levavam a cachoeiras e a cânions pouco explorados.

Há, no entanto, espaços para quem deseja mais de conforto e exclusividade. Neste sentido, Cambará do Sul é o município com melhor infraestrutura, com tipos de hospedagem variados.

O Parador, por exemplo, é um refúgio de luxo onde se pode passar dias na maior mordomia, com refeições assinadas por chefs. Para quem se preocupa com sustentabilidade, conhecer o projeto do Cambará Eco Hotel pode ser inspirador. E, àqueles que não se importam de ficar mais afastados dos parques e gostam de roteiros alternativos, o Estância das Flores, em Bom Jesus, e o disputado Morada dos Canyons, em Praia Grande, já do lado catarinense, são boas alternativas. Seja qual for o jeito de viajar, vá com calma para contemplar. Deixe a pressa para o vento.

ANTES DA VIAGEM

Como chegar

A partir de Porto Alegre, siga pela BR-116 em direção à serra gaúcha. Nossa sugestão é acessar a RS-239 a partir de Novo Hamburgo. Depois, em Taquara, seguir pela RS-020 até Cambará do Sul. A estrada é toda asfaltada. São cerca de 3 horas de viagem.

A partir de Florianópolis, desça em direção ao Rio Grande do Sul pela BR-101. Próximo a São João do Sul, ingresse na SC-290 rumo a Praia Grande e depois siga pela RS-427 até Cambará do Sul. Você encontrará estrada de chão a partir de Praia Grande – o trecho tem pedras e muitas curvas. São cerca de 5 horas de viagem.

Internet

Muitos pontos da região não têm internet, e a conexão em alguns hotéis pode ser lenta. Prepare-se para estar conectado apenas com a natureza.

Caixas eletrônicos

Muitos restaurantes, bares e lojinhas aceitam cartão de débito e crédito, mas você pode encontrar dificuldade de sacar dinheiro nas cidades, porque caixas 24 horas são raríssimos.

Alimentação

Quando for aos parques, leve lanche e água, pois não há opções de alimentação. Também é importante organizar a rotina da viagem, porque muitos lugares ficam bem afastados de restaurantes ou mercados (por esse motivo, algumas pousadas oferecem pensão completa).

O que colocar na mala

O destino tem foco na aventura, então prefira roupas confortáveis. Leve protetor solar e chapéu/boné para as longas trilhas. Um casaco corta vento também pode ser interessante, assim como roupas térmicas (mesmo no verão o clima pode mudar e fazer frio de uma hora para outra).

Quantos dias?

Em média, quatro dias são suficientes para conhecer as principais atrações. Deixe um dia para Aparados e o centrinho de Cambará, outro para Serra Geral e passeios complementares (como o passo do S), um em São José dos Ausentes e outro para curtir o hotel.

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Itaimbezinho e Fortaleza: cartões-postais da região

Há trilhas desafiadoras e outras mais simples, mas a paisagem é sempre recompensadora

Anelise Zanoni, Especial para o Estado

29 de setembro de 2019 | 06h50

Levar o título de terra dos cânions é uma grande responsabilidade. Com pouco mais de 6 mil habitantes, a cidade de Cambará do Sul precisou descobrir seu potencial empreendedor para aproveitar seu potencial turístico e criar opções aos viajantes que vêm conhecer os cânions Itaimbezinho, no Parque Nacional de Aparados da Serra, e Fortaleza, no Parque Nacional Serra Geral.

Quem passa pelo centrinho percebe a movimentação: pedreiros levantando paredes com pressa surgem aqui e ali. Querem terminar o trabalho a tempo de a concessão dos parques ser efetivada. Enquanto isso não acontece, fazer a visitação é tarefa fácil, mas exige planejamento: reserve um dia para cada parque, pelo menos. Ambos têm entrada gratuita.

O ideal é privilegiar passeios pela manhã, para evitar paisagens com neblina. Também é importante saber que o clima muda rapidamente, podendo transformar dias amenos em clássicos de inverno.

Aparados da Serra

Para quem vai aos parques por conta própria, a dica é ir primeiro aos Aparados da Serra. A chegada à área protegida, que em dezembro completa 60 anos, exige percorrer 11 quilômetros de estrada de chão. São cerca de 20 minutos balançando – mas compensa.

 A entrada é simples: paramos numa cancela, deixamos alguns dados pessoais e seguimos de carro até o estacionamento. Desde 2016, o acesso é gratuito.

Atualmente, duas trilhas estão liberadas: a do Cotovelo e a do Vértice. Comece pela primeira, mais longa, assim o corpo se acostuma e todo o resto vai parecer fácil. Ao todo, são cerca de 3 horas de passeio em um caminho leve, passando entre árvores e pontilhões de onde é possível ouvir o barulho da água.

A gente não percebe, mas a caminhada é feita pelas bordas do Itaimbezinho, que só desponta no horizonte no final do passeio. E é justamente no fim que está o melhor. É quando paramos nos mirantes e podemos ver parte dos 5,8 quilômetros de extensão das paredes, que algumas vezes são cobertas por quedas d’água.

No total, a trilha do Cotovelo, com pouco mais de seis quilômetros (ida e volta), transpõe arroios e passa por mirantes instalados à borda do cânion, possibilitando uma vista privilegiada. Em uma das plataformas, despenca o Véu de Noiva, cachoeira que deságua no fundo do abismo por onde corre o Rio do Boi (ótimo ponto para quem gosta de trilhas longas, difíceis e guiadas). Depois da visita, voltar os 3 quilômetros restantes fica até fácil. 

Já a trilha do Vértice pode ser acessada ao lado do centro de informações, local onde está o único banheiro do parque e que mantém exposições sobre algumas atividades da cidade. É uma trilha fácil – tem apenas 1.500 metros e aproximadamente 1 hora de duração. 

Nos primeiros passos, já temos uma vista parcial dos paredões, que ficam à disposição em frente ao mirante. Do alto, observam-se a Cachoeira das Andorinhas e o vértice do cânion Itaimbezinho.

Serra Geral

Guardar o melhor de uma viagem para o final é sempre mais interessante. Por isso, sugiro deixar a visita ao Parque da Serra Geral por último. Do centro de Cambará, são cerca de 40 minutos até o parque. Assim que chegamos, ao descer do carro, avistei ao longe uma montanha com alguns pontinhos no topo. “Sim, é para lá que vamos, onde estão aquelas pessoinhas”, confirmou o guia.

De mochila nas costas e casaco corta-vento, apertei o passo. A primeira aventura era rumo a um caminho simples em direção ao cânion. Logo após o estacionamento, à esquerda, a rápida trilha pela vegetação rasteira dá acesso à primeira vista do cânion que faz divisa com Santa Catarina.

Para quem tem problema de mobilidade (ou só preguiça mesmo) é a trilha perfeita. São apenas três quilômetros, o que dá, mais ou menos, 1h30 de caminhada rápida e muito simples. Sem falar que a paisagem reserva um momento “uau”.

No meio do caminho surgem montanhas que parecem ter sido cortadas à faca, dispostas lado a lado. Para os corajosos, fotos sobre as pedras da borda rendem imagens lindas. Mas fique atento: os desfiladeiros não são protegidos e há risco de quedas.

Como já conhecia o cânion, sabia que valia a pena seguir por outra trilha de três quilômetros que levaria a uma das paisagens mais bonitas do Brasil. A trilha do Mirante é cansativa e, por vezes, prejudicada por causa do vento e da neblina, por isso é sempre mais indicado percorrê-la na parte da manhã.

No dia da minha visita, ofegante, percebi como o coração batia forte enquanto seguia em direção ao pico da montanha. Naquele dia de inverno ensolarado, foi preciso tirar casaco, manta e blusão de lã, agora desnecessários.

Já no topo, recebi a melhor das recompensas. Uma vista de 180 graus para o paredão que separa o solo gaúcho do catarinense. A paisagem parece se perder pelo horizonte e convida para um momento de silêncio e introspecção, cortado apenas pelo voo dos pássaros que habitam por ali.

Conheça os parques

Privilegie os passeios pelos cânions pela manhã para evitar a neblina. Também é importante saber que o clima muda rapidamente, podendo transformar dias amenos em clássicos de inverno.

Aparados da Serra

É preciso percorrer 11 quilômetros de estrada de terra a partir do centro de Cambará do Sul.  Entrada gratuita.

· 2 trilhas abertas

· Apenas no centro de visitantes há banheiros. Não há opção de alimentação.

· Aberto das 8h/17h (a trilha do Cotovelo fecha às 15h)

Serra Geral

São 14 quilômetros de asfalto e 9 de estrada de terra a partir do centro de Cambará do Sul. Entrada gratuita.

· 2 trilhas abertas

· Não há banheiros nem opção de alimentação

· Aberto das 8h/17h

Curiosidade

Acredita-se que os cânions que ficam na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina tenham começado a se formar há pelo menos 130 milhões de anos. Com até 900 metros de altura, eles teriam passado por uma explosão subterrânea, que causou derrame de lavas basálticas, que se esparramam e depois se racharam. Afiadas, as bordas parecem ter sido aparadas à faca, motivo pelo qual o lugar ficou conhecido como Aparados da Serra.

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Além dos cânions: cachoeiras e aventuras para quem tem dias a mais

Tem alguns dias a mais? Há outros passeios interessantes na região fora dos parques

Anelise Zanoni, Especial para o Estado

29 de setembro de 2019 | 06h50

A região dos Aparados da Serra não se limita aos dois principais parques de Cambará do Sul. Dezenas de trilhas e cachoeiras estão no mapa natural da região.

Parque Estadual do Tainhas

A 36 quilômetros de Cambará do Sul, no município de Jaquirana, o Parque Estadual do Tainhas guarda um passeio radical. Ali está o Passo do S, um lajeado que tem formação rochosa em forma – adivinhe – da letra “S”.

É possível atravessar de uma margem à outra de carro (4x4), moto, cavalo e, às vezes, a pé. A poucos metros, no sentido da correnteza, há uma queda d’água com cerca de 100 metros de altura. A vegetação rasteira destaca o lajeado e, ao longe, é possível ouvir a força da queda d’água que despenca a partir do Passo do S. 

Com a ajuda do guia Andrews Mohr, que sempre viveu na região, desci até bem perto da cachoeira. O caminho, molhado e escorregadio, exige bastante paciência e foco. A chegada, contudo, é mais que compensadora: em meio às grandes pedras dá para ver e sentir a força da água. Uma energia imensa.

No retorno, fizemos o percurso do Passo do S até a outra margem. Tive a sensação de que o carro não passaria. Embora estivesse com uns 20 a 30 centímetros de água, o carro foi andando devagarinho até conseguir cruzar a correnteza. Ufa.

Para fazer o percurso é importante seguir as marcações colocadas no próprio Passo do S. Também é prudente conversar com os guias para evitar sustos como o ocorrido em outubro do ano passado, quando três jipeiros ficaram presos no local e precisaram ser resgatados de helicóptero.

O passeio custa, em média, R$ 120 por pessoa, com a Aparados Ecoturismo (54) 99907-8199. O pacote inclui água, visitas guiadas e ingressos também para a Cascata dos Venâncios.

Cascata dos Venâncios

Depois de percorrer 33 quilômetros de caminhos de terra desde Cambará do Sul, paramos o carro no pátio de uma casa. Uma mulher levantou da cadeira onde estava, pegou uma planilha e anotou alguns dados. Cada pessoa paga R$ 15 para entrar na Fazenda Cascata dos Venâncios, propriedade privada no município de Jaquirana que se transformou num dos principais parques de ecoturismo da região.

Banhado pelo Rio Camisas, o parque tem um conjunto de quedas d’água onde é possível passar o dia, acampar, fazer piquenique e até tomar banho de cascata. Para aqueles que querem passar o dia todo, o valor sobe para R$ 25.

Na parte direita do parque, há área com mesinhas e uma trilha muito fácil e plana leva às primeiras quedas. É impossível não sorrir ao ver a água transparente descendo entre as pedras.

Do outro lado, pela esquerda, vem a segunda surpresa: os paredões de rocha são maiores, e a água triplica de tamanho. É por ali que a maioria das pessoas prefere tomar banho no verão.

Depois, quando achamos que já vimos tudo, vem o presente final. A partir de um mirante a poucos passos das cascatas, conseguimos ver o todo: uma cadeia de muitas cascatas, pedras e natureza quase intocada. 

A fazenda fica a 33 quilômetros de Cambará do Sul, no município de Jaquirana. Há banheiros e estrutura para piquenique, incluindo churrasqueira e quiosques.

Centro de Cambará

Embora boa parte dos turistas faça os passeios focados nos parques de Cambará do Sul e deixem a cidade pra trás, vale a pena dedicar uns minutos para conhecer o centrinho local.

O ponto de partida pode ser a Casa do Turista, onde é possível pegar mapas e solicitar informações. Para quem viaja sem planejamento, é um bom início para pensar o roteiro.

Na pequena área central, chamam a atenção alguns casarões em madeira, que datam dos anos 1960. Em um deles, amarelo como gema de ovo, está o Centro Cultural Dr. Santo Borneo.

No primeiro andar há um pequeno museu, com objetos dos primeiros moradores, fotos e histórias que relembram passagens do local. O segundo andar preserva uma biblioteca.

Em frente à construção está a igreja matriz São José e uma peculiar sequoia. Os moradores afirmam que a árvore chegou ao local depois de ter passado – acredite – por uma viagem à lua. Sua semente pode ter sido uma das centenas que viveram em órbita em 1971, em uma expedição da Apollo 14. A muda da árvore teria chegado à região em 1982, depois de ter sido germinada em terreno lunar. O prefeito da época teria convencido políticos de Brasília a trazê-la para a cidade (na mesma época, outras cidades receberam mudas de sequoias).

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Glamping de luxo ou pousada familiar: confira as opções de hospedagem

Cambará do Sul é a cidade que tem opções mais variadas de hotéis na região dos parques nacionais

Anelise Zanoni, Especial para o Estado

29 de setembro de 2019 | 06h50

Glamping com vista

O centro de Cambará do Sul recém tinha ficado para trás no espelho retrovisor quando comecei a percorrer uma larga estrada de terra. De repente, parei o carro para deixar uma família de ovelhinhas atravessar. Achei linda a cena e segui adiante. Quando passei

pela porteira da fazenda que dá as boas-vindas no Parador, percebi o sinal: o hotel erguido a poucos quilômetros dos cânions está alinhado com o espírito da região.

A integração entre os elementos da natureza e o conforto de um hotel são evidentes desde os primeiros minutos no Parador, um  acampamento de luxo - ou glamping, para usar o termo da moda. Quem chega ganha uma taça de espumante de boas-vindas, que pode ser apreciada em frente à lareira ou de uma das janelas que introduzem à paisagem dos Campos de Cima da Serra.

Estofados em tons bege e marrom, detalhes em pedra e madeira compõem a ambientação da sala de convívio e são um convite para, antes de conhecer o quarto, avistar as montanhas e o movimento do Rio Camarinhas, que serpenteia o terreno (vale descer próximo à água e sentar-se em uma das cadeiras dispostas em frente ao rio).

Para chegar aos chalés, atravessamos um tablado de madeira instalado no topo da montanha. Ao entrar na minha suíte, já abri um sorriso: a varanda tinha lareira, que podia ser acesa a qualquer momento do dia, e uma jacuzzi exclusiva. Todas as acomodações têm calefação e lençol térmico. No total, são três modelos de quarto com diárias que partem de R$ 420.

O hotel mantém ainda um spa, assinado pela marca francesa L’Occitane, com dezenas de terapias e massagens.

O café da manhã, tomado em meio ao som dos pássaros e do movimento da água, é preparado com produtos regionais. Além de ovos, geleias e mel de produtores da região, há ainda uma área com alimentos sem glúten e sem lactose. 

No almoço e no jantar, o Restaurante Alma está aberto para não hóspedes. Durante o dia, o elegante bufê tem saladas dispostas em pratos de porcelana e pratos quentes sobre o fogão à lenha. O cardápio é sazonal e custa R$ 69 durante a semana e R$ 80 aos domingos. Aos sábados, o churrasco campeiro, preparado em fogo de chão, é o protagonista do almoço. Ao custo de R$ 148 por pessoa, o churrasco tem cortes especiais como o costelão e o cordeiro enterrado na brasa.

Foco na sustentabilidade

Andando para lá e para cá, o morador mais querido do Cambará Eco Hotel para em frente à lareira. Com rabo balançando e língua para fora, Godo é um simpático e tranquilo anfitrião de quatro patas: um lhasa apso. 

Desde que iniciou as operações, há 10 anos, o hotel tem a natureza como inspiração e assume uma pegada sustentável. Nos quartos, há cobertores feitos com fibras de garrafas pet, produtos biodegradáveis nos banheiros e redutores de água em pias e torneiras. O telhado é feito a partir do aproveitamento de caixas de leite. De acordo com Stephany Brugnera, gerente de operações, o objetivo é sempre investir em ideias práticas para que o local fique em perfeita harmonia com as belezas da região. 

Um grande lago com um pontilhão serve de passagem para os hóspedes e também para atividades de lazer. As tarifas custam a partir de R$ 366, e alguns quartos têm micro-ondas e frigobar. O café da  está incluído e traz sempre receitas da região, como pinhão, arroz de leite e polenta brustolada.

Pouso na fazenda

A apenas um quilômetro do centro de Cambará do Sul é possível vivenciar as rotinas de uma fazenda. Em operação desde 1996, a Pousada Corucacas é pioneira em receber turistas ansiosos por viver a experiência de acordar no mato, à beira de um lago e ao som gritante das corucacas, pássaro endêmico.

No início do negócio, a visão empreendedora era outra. O proprietário Roberto da Luz Trindade conta que só percebeu o potencial da fazenda depois da visita de um grupo de universitários. Na época, eles sugeriram a oferta de alguns quartos para turistas. O projeto amadureceu e, em 2000, a família investiu em um modelo de pousada, que se tornou referência na região. 

A pousada tem um programa completo de imersão (tarifas a partir de R$ 250 o casal). Para quem fica nos quartos de frente para o lago, é comum ver patos e gansos circularem pelo pátio. No final do dia, o movimento das ovelhas chama a atenção.

Além da lida diária da fazenda, os hóspedes podem participar de atividades de pesca esportiva, fazer passeios a cavalo (R$ 50 por pessoa, 1 hora) e tirar leite da vaca no início do dia.

 

Vista privilegiada dos cânions

Quem comenta que vai de carro de Cambará do Sul até Praia Grande, em Santa Catarina, certamente ouvirá relatos sobre a Serra do Faxinal. Repleta de pedregulhos e de curvas perigosas que ladeiam imponentes cânions, a estrada merece paciência e atenção. Mas é o caminho mais curto (são 32 km) para acessar o luxuoso hotel Morada dos Cânyons.

Instalado no topo de uma montanha, o hotel tem vista privilegiada para os cânions. Cada um dos 10 chalés foi construído para aproveitar os cenários naturais. Alguns contam com janelões de vidro e jacuzzi. Os que não têm vista para os cânions

receberam um terraço, para ver as belezas do alto.

Mesmo com ocupação total, é difícil ver muita gente circulando por áreas sociais como sala de jogos, restaurante e piscina. O motivo é simples: como prezam pela privacidade, as áreas comuns são espaçosas e muitas pessoas aproveitam para curtir as mordomias dos quartos.

Um dos espaços mais bonitos é a piscina aquecida e com borda infinita, que tem como paisagem os paredões. Perfeita para uma foto para o Instagram.

As tarifas começam em R$ 955. É recomendável fazer reservas com pelo menos três meses de antecedência. Para quem vai à pousada a partir de Porto Alegre ou Florianópolis, há estrada com asfalto.

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Onde comer: opções gastronômicas para recuperar as energias

Fazer trilha abre o apetite: veja onde matar a fome na região

Anelise Zanoni, Especial para o Estado

29 de setembro de 2019 | 06h50

Aos poucos, Cambará do Sul cresce e vai se destacando também na cozinha. Com 22 opções gastronômicas, a cidade já consegue satisfazer diferentes tipos de turista e oferece experiências como passeios em cachoeiras antes ou depois da refeição. Técnicos do

Sebrae constantemente prestam consultorias para os estabelecimentos, ajudando os empreendedores a encontrarem potencial dentro das ideias. Separamos alguns lugares que, além de preparar uma bela refeição, promovem experiências diferenciadas.

Restaurante do Lago

A alma da família Barbier está neste restaurante que compartilha terreno com o Cambará Eco Hotel. De frente para o lago, a casa comandada pelo chef Marcos é mobiliada com objetos da família. As mesas são portas desmontadas de casas antigas e parte dos objetos são herança da avó, natural de Santa Rosa.

A família toda se envolve no empreendimento. O pai cozinha e circula pelo salão para saber gostos e compartilhar histórias com os clientes. A matriarca e os dois filhos montaram uma miniorquestra: ela toca harpa e as crianças, piano e violino. Por vezes o espetáculo ocorre durante o jantar, complementado pela voz de Marcos.

O cardápio tem receitas que levam ingredientes da região, caso de "Surpresa dos Cânions", uma truta recheada com gila (variedade de abóbora com aparência semelhanteà de uma melancia), pinhão queijo tipo Serrano e mel. O peixe é servido com salada, arroz e aligot (espécie de purê de batata mesclado com nata e queijos) e custa R$ 55. 

Outras sugestões são a sopa campeira, feita com feijão-branco e charque de cordeiro, e o rolinho de truta com molhos de gengibre, branco e de mel, também servido com aligot.

Sabores da Querência

Vico e Claudia Dreher estavam cansados da agitada vida corporativa. Assim, há 10 anos, fizeram as malas rumo a Cambará do Sul. Deixaram a vida como administradores de empresas em Novo Hamburgo (RS) e decidiram plantar frutas silvestres orgânicas como mirtilos, framboesas e amoras no terreno do Sítio Querência Macanuda. Foi o início da Sabores da Querência, uma pequena fábrica de geleias e antepastos. Hoje os doces, colocados delicadamente em potinhos de vidro, estão nos principais hotéis da região e são vendidos pela internet. As geleias custam entre R$ 22 e R$ 25, em potes de 260 gramas.

Pelo extenso terreno onde estão plantadas as frutas, há espaço para receber os turistas, que geralmente circulam nas plantações e aproveitam para experimentar as delícias do pequeno bistrô. No cardápio há cheesecake, brownie, chocolate quente, quiches e tábuas de frios. Também é possível solicitar a organização de piquenique na propriedade. É preciso agendar a visita: (54) 9-9976-3313.

Fazenda Estância Felicidade

Foi fácil escolher o nome da estância que consolidaria o sonho de Carlos, um ex-executivo da área da tecnologia que decidiu empreender na terra dos cânions. Ele mudou de profissão: agora é parrilleiro e recebe dezenas de turistas todos os sábados para um churrasco na Parrilla do Seu Carlos.

Das brasas saem cortes como prime rib, linguiças campeiras artesanais, assado de tiras e legumes. Na hora do almoço, aos sábados, é Carlos quem anuncia que a comida está na mesa.  Para complementar os assados, um pequeno bufê com saladas, aipim, arroz e legumes defumados fica à disposição.

Depois da refeição e de uma longa conversa à beira da churrasqueira, é possível fazer uma trilha pelos campos e depois pela mata fechada, que leva até a Cachoeira do Tio França. O percurso começa fácil, mas tem trechos de média intensidade quando se aproxima da queda d’água. A experiência de churrasco e passeio custa R$ 75 por pessoa.

Pub Máquina do Tempo

Não se admire se pouco depois de entrar nesse bar você estiver cantando alguma música de Menudo, Blitz ou Roxette. No bar temático criado pelo Che Wodarski e pela jornalista Patrícia Lemos, a nostalgia aflora, pois todos os elementos da casa levam aos anos 80.

Disquetes servem de descanso para copos de cerveja e personagens como Smurfs, Topo Gigio e ET integram a decoração da casa. Se quiser passar o tempo, há cartuchos para jogar Atari, Genius e até arriscar uns pulos no Pogobol.

No cardápio, imperam as cervejas artesanais, entre elas a Grota Bier (600 ml, R$ 28), produzida em Praia Grande (SC) e supostamente feita com água dos cânions. Para matar a fome, vá de Fritas do Fofão (com cheddar e bacon, R$ 27) ou Picadão Trem da Alegria (presunto, queijo, picles, azeitonas, calabresa e ovo codorna, R$ 45).

O Casarão

Garrafas de vinho, chapéu e objetos feitos com pinhas são alguns dos elementos que decoram a grande e antiga casa que abriga o restaurante. Descendente de italianos, a família recorda histórias por meio da decoração e do cardápio. Eles servem à mesa polenta brustolada, queijo tostado e galeto, dispostos sobre uma chapa quente. Depois, surge um rodízio de massas que incluem variedades como tortéi, ravióli e nhoque. A fartura fica completa com o bufê de saladas e de sobremesas.

A refeição com galeto custa R$ 59 por pessoa. A casa também tem rodízio de trutas. Cartões, só de débito.

Pizza Retrô

Um dos lugares mais disputados de Cambará do Sul para o jantar  mais parece um museu que resgata a história de ícones da música popular brasileira e movimentos musicais dos anos 70. O passeio pode começar com a escolha de um vinil: o visitante elege o que gosta e a eletrola faz o trabalho. No salão espaçoso, há lareira e muitos objetos temáticos, como malas e rádios antigos, livros e quadrinhos.

O cardápio tem mais de 30 variedades de redondas, algumas com ingredientes típicos da região, como charque, queijo serrano, mel e pinhão. Nessa linha está a pizza de paçoca de pinhão, com mussarela, queijo Serrano, alho e linguiça (R$ 72). 

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São José dos Ausentes, para um turismo mais 'raiz'

A 50 quilômetros de Cambará do Sul, cidade conhecida pelo inverno rigoroso tem pousadas charmosas com ares de fazenda

Anelise Zanoni, Especial para o Estado

29 de setembro de 2019 | 06h50

Todos os anos, o frio que faz em São José dos Ausentes, daqueles de arder o corpo, é notícia. Na maioria das vezes, as temperaturas negativas surgem no inverno, quando a geada e a neve aparecem com certa frequência. Mas com as mudanças abruptas do tempo, até no verão a pequena cidade a 1.200 metros do nível do mar fica conhecida pelas baixas temperaturas. O que ainda se conhece pouco, entretanto, é a quantidade de atrativos naturais do destino.

A 50 quilômetros de Cambará do Sul, a cidadezinha tem pouco mais de 3 mil habitantes, boa parte deles espalhados em fazendas e pequenos povoados. Tudo por lá parece girar em torno do mundo rural, e o turismo, embora com gigante potencial, anda a passinhos lentos.

Antigamente, a Fazenda dos Ausentes, como era chamado o município, foi o maior latifúndio do Estado, abrangendo uma área acima de mil quilômetros quadrados. Neste terreno também despontam paredões de cânions na divisa com o estado de Santa Catarina.

Pico do Montenegro

Um dos pontos mais conhecidos da região é o Pico do Montenegro, onde está o ponto mais alto do Rio Grande do Sul, com 1.403 metros de altitude. Para chegar, é preciso ir de carro ou no lombo de um cavalo. A entrada na porteira é livre. Embora esteja dentro de uma propriedade privada, a Pousada Fazenda Montenegro, o entra e sai é comum e sem custo.

Pelo caminho rumo ao pico e ao cânion que leva o mesmo nome, campos verdes e dourados balançam com o vento constante. Quem faz a trilha pela área do cânion, sem perceber, caminha pela borda do despenhadeiro. É preciso cuidado especialmente quando há neblina.

Ao percorrer a margem dos cânions percebemos a imensidão do conjunto de paredões de pedra e vegetação. Por vezes, é comum uma vertigem diante de tanta natureza embaixo dos pés. 

Além do Montenegro, também podem entrar para a listinha de visitas o cânion o Boa Vista, localizado dentro da Pousada Ecológica dos Canyons, e o Amola Facas, que tem uma cachoeira com 241 metros de altura. Aliás, por causa das longas distâncias entre os atrativos turísticos de São José dos Ausentes, muitas pousadas oferecem passeios pelos cânions e cachoeiras da região e operam em sistema de pensão completa. Ou seja, as hospedagens são roteiros completos. Visitamos três delas:

Pousada Fazenda Montenegro

São 7h de uma manhã típica de inverno em São José dos Ausentes. A geada ainda branqueia os campos da Fazenda Montenegro. O céu está limpo e meia dúzia de jacus cantam para mostrar que estão pelo terreno. Junto ao bom dia de Anápio Donizete Pereira recebemos uma caneca esmaltada com café preto. Saímos rumo ao curral e, em poucos metros, fomos recebidos por de mugidos de vacas e bezerros. A primeira hora da manhã é o momento da ordenha.

O fazendeiro senta no banquinho de madeira para tirar direto da vaca cerca de 200 mililitros de um leite cremoso e cheio de espuma.

O chamado camargo, mistura de café preto com leite recém ordenhado, é para os fortes.  A primeira lida da manhã na Fazenda Montenegro pode ser acompanhada diariamente por qualquer hóspede. Depois das vacas, é possível ver o desjejum dos cavalos e  liberar as ovelhas para o pasto.

Localizada numa área de 100 hectares, a fazenda funciona como pousada e tem na experiência do campo seu ponto forte. No restaurante da família, são servidos almoços e jantares dos hóspedes. Numa das estantes desse grande salão há produtos coloniais à venda, como geleias, doce de leite caseiro e mel. Orgulho da família, o queijo serrano produzido na fazenda é feito em formato retangular, para se diferenciar do queijo feito pelos vizinhos, que é redondo.

Além de viver dias de fazendeiro, os hóspedes ficam instalados em pequenos e confortáveis quartos foram batizados com o nome de atores da TV Globo que já passaram por lá. Nicette Bruno e Carla Hadler são alguns exemplos.

Entre os passeios, as cavalgadas podem passar por até três cânions: Montenegro, Coxilha e Funil. O roteiro de duas horas custa R$ 85 por pessoa e o de três horas, R$ 100 por pessoa. As diárias custam a partir de R$ 350 por pessoa, com pensão completa

 

Pousada Fazenda Potreirinhos

Era início de uma noite de inverno quando a administradora de empresas Fernanda Albuquerque e o namorado, Marcos Naves, chegaram a São José dos Ausentes. De carro, pararam em frente à Pousada Potreirinhos e decidiram entrar. Queriam pouso para uma noite, mas antes de fecharem negócio ganharam um abraço apertado de Nilda Nakes Salib, proprietária da fazenda.

Receber hóspedes com carinho é comum para a anfitriã, que desde 1997 abre as portas de sua casa para receber os turistas. Natural de São José dos Ausentes, ela é a quarta geração que está na fazenda e assumiu junto com os filhos e o marido a administração da casa. 

Quem passa pela porteira encontra uma residência ampla, com porta-retratos e objetos pessoais que contam a história da família. “O objetivo é mostrar nossa cultura e jeito de ser. Aqui todos vivem nosso dia a dia. Por isso, tudo é no tempo da fazenda”, explica Nilda.

A rotina campeira inclui alimentar os bichos, organizar dormitórios e fazer comida para os hóspedes, que sempre se alimentam na casa. “É muito bom esse contato. Conheço bastante a serra catarinense, mas percebi que aqui as hospedagens são mais simples e cheias de carinho. Ouvir as histórias, conhecer filhos e netos e até mesmo o nome dos animais é ótimo”, explica Fernanda, que saiu de Santa Catarina e passou sete dias de férias na região.

As diárias custam R$ 200 por pessoa (R$ 250 na cabana) e incluem pensão completa e passeio pelo Desnível dos Rios e no Cachoeirão dos Rodrigues. 

O Desnível dos Rios abriga dois rios que correm em paralelo, o Silveira e o Divisa. As corredeiras de cada um são separadas por paredões de rocha e com uma diferença de quase 20 metros de altura. 

Estância das Flores

O trajeto de 25 quilômetros de estrada de chão indica que a Estância das Flores é um lugar exclusivo, daqueles que a gente fica feliz só de ouvir o canto dos pássaros ou o sopro do vento.

Numa área isolada entre Bom Jesus e São José dos Ausentes, o local combina o conforto de um hotel com a simplicidade da vida na fazenda e é uma ótima opção para quem quer visitar vinícolas e fazer passeios menos convencionais.

Inaugurada em julho de 2018 em uma área de 200 hectares, tem apenas 10 suítes, todas equipadas com calefação e banheira de hidromassagem. O número reduzido de quartos faz com que o local receba no máximo 25 pessoas, para oferecer “privacidade”, como relata o proprietário, o empresário Paulo Souza.

Além de a pousada ser uma experiência no campo, o empreendimento tem uma agenda de  atividades adicionais. Cavalgadas rumo aos cânions e cascatas podem custar a partir de R$ 70 por pessoa. Há também passeios pelos oito cânions de São Jose dos Ausentes e um piquenique  na beira do Pico Montenegro.

As diárias custam R$ 350 por pessoa com pensão completa. Para o próximo ano deve ser construída outra pousada da rede, desta vez ao lado do cânion Amola Facas.

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