Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

Adriana Moreira, São Miguel dos Milagres

21 Novembro 2017 | 04h00

O mar sempre morninho, na temperatura ideal para entrar sem ter de “criar coragem”. A água transparente, num tom indecentemente verde, que parece mandar você parar imediatamente e aproveitar aquele cenário com o pé na areia, antes mesmo de fazer check-in na pousada. A costa alagoana é assim: uma sucessão de deliciosas tentações, organizadas de tal maneira que parece irresistível alugar um carro para explorá-las. Afinal, são apenas 230 quilômetros de ponta a ponta.

Mas que tal se rebelar contra as convenções? Que tal escolher um único ponto para se instalar, sem pular de pousada em pousada, dispensar o carro alugado e fazer aquilo que se deve fazer nas férias: relaxar?

Foi exatamente isso que fiz no começo de outubro. Em vez de deixar a Praia do Toque como uma mera escala, privilegiando áreas mais movimentadas como Maragogi ou Gunga, optei pela tranquilidade de um lugar com zero badalação e muita calmaria.

Dispensar o carro, para mim, tem tudo a ver com a proposta de relax. Desde que decidi vender o meu, há dois anos, tenho evitado dirigir também nas viagens – na medida do possível, é claro. Ter um automóvel sob sua responsabilidade significa ter de lidar com questões como se concentrar no caminho, estacionar ou encontrar um lugar para lavá-lo antes da devolução (as locadoras cobram taxas altíssimas para quem devolve o veículo sujo). 

Sendo assim, falei com Jessy Greenhut, da Pousada da Amendoeira, onde eu me hospedaria, e perguntei o que ela achava da ideia. “Tranquilo. Se você quiser ir a outra praia, tem mototáxi, buggy e também temos bicicletas na pousada”, foi a resposta. Perfeito. 

Como o objetivo era uma viagem num ritmo mais lento, não percorri toda Rota Ecológica (trecho de 35 quilômetros entre Barra do Camaragibe e Japaratinga). Me concentrei nas proximidades do Toque, usando principalmente uma das bicicletas da pousada para me locomover. 

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Todos me recomendaram cautela, especialmente durante a semana, quando há ainda menos movimento nas praias, mas não me senti insegura momento algum. Vi muitas mulheres, moradoras locais, com suas crianças brincando no mar ou pegando mariscos, e pescadores cuidando de seus barcos. Estava atenta, mas sem tensão. 

Era tudo o que eu precisava durante os cinco dias em que passei de frente para aquele mar morninho, sempre na temperatura ideal, indecentemente verde.

 

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O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 03h30

Uma sucessão de lindas praias, ao longo de aproximadamente 35 quilômetros, entre Japaratinga e Barra do Camaragibe. A chamada Rota Ecológica é repleta de pequenos povoados litorâneos, onde a vida tem um ritmo mais tranquilo – embora esse cenário esteja cada vez mais ameaçado com a grande quantidade de condomínios que vêm se espalhando por ali. Ao menos por enquanto, o visitante consegue curtir o mar sempre convidativo da costa alagoana e se deparar com mulheres preparando mandioca numa casa de farinha comunitária. Ou observar, pela manhã, famílias com baldes cheios de mariscos recém-capturados para o almoço do dia. Já as antigas praças de TV, com um televisor comunitário, são cada vez mais raras.

É possível explorar boa parte desse trecho litorâneo de bike (como eu fiz) ou nos passeios de buggy. Vale dizer que os veículos não podem rodar nas praias, então eles seguem pela AL-101 parando em pontos determinados para os turistas se banharem. O bacana é que os bugueiros sempre conhecem pontos estratégicos e trazem seu olhar local para o roteiro, com histórias e dicas. O passeio de 3 horas custa R$ 150 – reserve na própria pousada.

Mas se você tiver optado por alugar carro e não quiser ter a despesa extra do buggy, pode fazer um roteiro semelhante por conta própria. Mas informe-se sobre os pontos de parada para não deixar passar points bacanas do caminho – nessa reportagem, listamos algumas sugestões. 

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O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 03h30

A Praia do Toque fica no coração da chamada Rota Ecológica. A fama desse pequeno trecho de areia, na orla de São Miguel dos Milagres, tem muito a ver com a Pousada do Toque, inaugurada no ano 2000, com uma proposta que mescla sofisticação e rusticidade. Hoje, a praia é sinônimo de charme e ganhou outras pousadinhas interessantes, restaurantes de cardápio inesquecível e uma faixa de areia em que o sossego é garantido.

No Toque, o único restaurante pé na areia é o da pousada Milagres do Toque, que também funciona como receptivo para grupos de agências de turismo. Mas se você está hospedado em uma das pousadinhas dali consegue desfrutar do serviço de praia exclusivo que esse estabelecimento oferece. Sem muvucas, música alta ou vendedores inconvenientes. 

Próximo ao centro de São Miguel, há barracas simples, conhecidas pelo nome da mais famosa: Recanto da Mija-Della. Nos fins de semana, grupos fazendo bate-voltas ou em ônibus de excursão costumam parar por ali. Seguindo em direção a Barra do Camaragibe, as praias são desertas em boa parte do tempo – um quiosque aqui, outro ali, alguns barcos de pesca, uma pousada. Fui de bicicleta até o comecinho da Barra, bem devagar. A volta, contra o vento, foi um pouco mais puxada. Mas quem tem pressa? 

Quem se hospeda no Toque tem como centro urbano mais próximo – com restaurantes, lojas e bares, tudo muito simples – o povoado de Porto da Rua, um distrito de São Miguel dos Milagres a apenas 1 quilômetro de distância do Toque, sentido Tatuamunha. É interessante observar que a maior parte do comércio não fica à beira-mar, mas às margens da rodovia.

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O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 03h30

Com lindos casarões construídos entre o fim do século 19 e começo do século 20, a Praia de Tatuamunha começa a ganhar ares de polo de artesanato, com várias lojinhas lado a lado na AL-101. Uma delas pertence à família de Maria e Ciro Procópio, que produzem e vendem peças produzidas com materiais locais, especialmente o coco. “Do coco tudo se aproveita”, diz Maria. Os itens custam a partir de R$ 10 – há bolsas, luminárias e até concha para feijão. 

 Ao lado, o recém-inaugurado Espaço das Artes tem peças de artistas conhecidos do Estado, como as tradicionais carrancas da Ilha do Ferro e as cabeças de barro feitas por dona Irinéia, da região quilombola de Muquém.

A praia tem uma beleza ímpar, onde se vê o encontro do Rio Tatuamunha (onde vivem peixes-boi; leia mais aqui) com o mar. É uma delícia se banhar ali, mas siga o conselho que sua mãe certamente daria: fique na beirada, porque no meio do rio a correnteza é forte.

Uma vez ali, não deixe de subir no mirante em frente ao cemitério para se deparar com a bela panorâmica acima. 

 

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O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 03h30

Com mais de 400 mil hectares de área e se estendendo ao longo dos litorais de Pernambuco e de Alagoas, a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais engloba algumas das piscinas naturais mais famosas do País (como Porto de Galinhas e Maragogi) e outras menos concorridas (como as de São Miguel dos Milagres). Da Praia do Toque às piscinas são no máximo 10 minutos em pequenas jangadas – o horário de saída e chegada vai depender da maré, por isso, combine com o próprio jangadeiro.

 A Associação de Jangadeiros de São Miguel dos Milagres (82-99996-1745) cobra, em média, R$ 50 pelo passeio. Mas as pousadas costumam ter seus jangadeiros de confiança – que, muitas vezes, até oferecem descontos para os hóspedes. Quem me conduziu com muito bom humor e histórias para contar foi o Roxo, nascido e criado no povoado de Porto da Rua, vizinho ao Toque.

Roxo (que gosta de ser chamado pelo apelido, e, para sanar qualquer dúvida, mostra o crachá de condutor com o nome que ele mesmo escolheu) não vive apenas das galés. Também é pescador e monitor do Projeto Peixe-Boi (mais informações na página 6), e não gosta quando as pessoas não seguem as regras de preservação.

 “Olha ali, não pode fazer isso não, o jangadeiro tem de orientar o pessoal”, diz, apontando para um grupo de turistas andando sobre uma área de recifes na qual, segundo ele, isso não é permitido. Comento que a água é tão transparente que, mesmo batendo perto da cintura, vejo meus pés. “Ah, mas anda chovendo muito. No verão, a cor do mar é muito mais bonita.”

Os jangadeiros sempre têm snorkel para emprestar aos turistas, que se deleitam observando peixinhos coloridos que nadam entre as galés. Mas vale a pena investir em um próprio, já que nem sempre os equipamentos estão em bom estado – e, convenhamos: é um bom investimento em um mar cristalino como o da região, onde qualquer mergulho no mar pode render surpresas. 

Depois de um tempo nadando por ali, Roxo me pergunta se quero visitar também as piscinas do povoado vizinho de Porto da Rua. Por que não? 

Há apenas mais uma jangada além da nossa, e alguns pescadores que vieram caminhando da praia, graças à maré baixa. Tudo lindo: mais exclusivo, mais peixes – e mais correnteza. “É que a maré já começou a subir”, explica Roxo. “É bom esse povo da pescaria se apressar, porque agora vai ser rápido.” Pergunto quanto tempo temos e ele me tranquiliza: “Calma, ainda dá para você ver muito peixe antes de a gente voltar.”

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O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 03h30

Nos últimos anos, a Praia do Patacho se transformou em sinônimo de luxo e exclusividade, com pousadas como Aldeia Beijupirá, Pousada Patacho e Xuê, entre outras. A praia não tem bares, restaurantes ou vendedores à beira-mar, e é preciso se embrenhar por estradinhas de terra, em meio ao coqueiral, para chegar ali.

Os coqueiros, aliás, emolduram Patacho e sua vizinha, a Praia da Laje, ambas perfeitas para quem não quer nada além de ouvir o barulho do mar. As piscinas naturais estão logo ali – as próprias pousadas agendam passeios com jangadeiros para explorá-las. 

 A Praia do Patacho pertence ao município de Porto de Pedras, onde não faltam pousadas e restaurantes. O farol de 1940 é o principal cartão-postal – quem faz o passeio de buggy sempre para ali.

Se você quiser continuar pela Rota Ecológica até Japaratinga ou Maragogi, é preciso cruzar o Rio Manguaba de balsa, em um trajeto de não mais que dez minutos. Deixe a câmera fotográfica sempre a postos.

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O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 03h30

Admito: quando ouvi a sugestão de fazer o passeio pela área de mangue próxima ao Rio Tatuamunha, não fiquei tão empolgada, mas estava curiosa com a proposta. Não imaginava que o tal roteiro pela Trilha das Camboas seria um programa tão lindo e enriquecedor. Além de Rafael Lustosa, da Camboa Ecoturismo, tive como companheiros de trilha o casal Kétria e Rafael Souza, em seu último dia de férias.

Camboas, segundo Rafael explicou, são canais de maré que se formam naturalmente nos manguezais. “É por onde passa o maior volume de água quando a maré tá secando ou enchendo”, conta ele. Por esses “caminhos d’água” peixes entram e saem do manguezal – e são neles que os peixes-boi dormem, descansam e dão à luz seus filhotes.

Biólogo de formação, Rafael foi estudar a região e percebeu que havia um potencial turístico ali. Há três anos montou a agência, que funciona dentro do Angá Hotel.

É justamente pelas camboas que nosso passeio é conduzido (R$ 30; reserve pelo 82-99174-1599). Vá de chinelos, que, em determinado momento, serão retirados: na maior parte do tour, estamos com os pés descalços, experimentando os diferentes tipos de solo que nos é apresentado. Fique tranquilo: é seguro. Basta caminhar com alguma atenção.

Começamos por uma área com vegetação de restinga e uma linda visão: pequenos caramujos grudados nos ramos, branquinhos, dão a impressão de serem flores prestes a desabrochar. É só ao se aproximar que se percebe a diferença. 

Logo estamos pisando sobre uma areia grossa, que alguns passos depois se transforma em uma lama onde nossos pés afundam até os tornozelos. Minutos depois, estamos caminhando no leito do rio. As mudanças no solo se sucedem, e a vegetação também se transforma no caminho.

A beleza se apresenta no inesperado. Seja o grupo de crianças, moradoras das proximidades, brincando no rio, no voo majestoso da garça, nos minicaranguejos que correm juntos quando nos aproximamos – num primeiro momento, dá até a impressão de que o solo está se movendo.

Seguimos até a foz do Rio Tatuamunha para um merecido mergulho antes da volta, caminhando quase sempre pelo leito do rio. Vá de boné, reforce o protetor solar e não esqueça de levar água. O trajeto, de cerca de 2h30, é plano e bem tranquilo para fazer com crianças. Desafiador mesmo é tirar a lama dos pés no fim do passeio. 

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O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 03h30

É muito carisma. Embora possa chegar a um peso de 600 quilos e até 4 metros de comprimento, o peixe-boi marinho é um animal doce e curioso, totalmente inofensivo. Mas foram essas características que o transformaram em presa fácil de caça no passado, deixando o mamífero à beira da extinção. 

A reprodução também não é o forte do peixe-boi. A mãe dá à luz apenas um bebê, depois de 13 meses de gestação – e as águas calmas do Rio Tatuamunha estão entre os lugares favoritos da espécie para esse processo. 

É ali, às margens do rio, que funciona a Associação Peixe-Boi. Embora já houvesse passeios para observar o animal no passado, foi em 2009 que comunidade, prefeitura, Estado e ICMBio se uniram para criar o projeto. Graças a um programa de televisão, a sede foi totalmente reformada há três anos e ganhou sala de espera para grupos, balcão de atendimento e espaço para mostrar o artesanato feito pela comunidade (difícil resistir aos peixes-boi de pelúcia, de todos os tamanhos e cores). 

Atualmente, as visitas são agendadas e custam R$ 50 – há um limite de 70 pessoas por dia para fazer o passeio. Na jangada, além dos turistas, vão dois remadores e um condutor, que explica as características do animal. Não é permitido tocar ou alimentar o peixe-boi. No dia da minha visita, vimos dois indivíduos, que estavam mais concentrados em suas refeições do que na nossa jangada. 

Embora a sede tenha ganhado cara nova, a área de embarque e desembarque das jangadas ainda é provisória – a antiga ponte que levava às embarcações está sendo restaurada.

 

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O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 03h30

Quem passa pela casa de paredes azuis às margens da AL-101, com retalhos de couro e de borracha espalhados, pode pensar que se trata de um sapateiro comum. O ambiente simples na região do Toque, com sandálias pregadas na parede, não reflete a complexidade do trabalho de Marcos Lima, que faz calçados sob medida há 38 anos. 

Autodidata, ele conta que a ideia de fabricar sapatos artesanais veio quando ele viu um homem andando com o calçado descolado. Começou fazendo testes com materiais diferentes, “errando e acertando” e, com o tempo, passou a criar botas de montaria para fazendeiros, no modelo que a pessoa pedia. Mas há anos deixou as botas de lado para se dedicar apenas às sandálias de couro, cujos clientes são, quase sempre, turistas. “O turista elogia, valoriza nosso trabalho”, conta ele. “Passei e me sentir realmente um artista.”

 Lima não pergunta quanto a pessoa calça para fazer seu trabalho: ele mede os pés de todos os ângulos possíveis. “As pessoas não têm o pé igual, né?”, justifica. Embora haja alguns exemplos de modelos pendurados na parede, o cliente pode pedir algo específico e até trazer uma foto. “Faço igualzinho”, conta, orgulhoso. 

Com a ajuda da filha Carol, Lima ganhou até perfil no Instagram, onde é possível ver algumas de suas peças. Os preços variam entre R$ 80 a R$ 120, e as sandálias ficam prontas em um ou dois dias, dependendo do modelo. Todos com quem conversei garantiram: as peças são muito confortáveis. Telefone: 82-99922-7223.

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O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 03h30

A vantagem em se hospedar em uma pousada com restaurante é poder abraçar, sem culpa, aquela preguiça que dá depois de um dia inteiro de mar e sol e não sair de lá nem para jantar. Mas, se quiser dar uma saidinha, há boas opções. 

No Quintal

O casal Renata e Lucas Nogueira deixaram a vida corrida da cidade grande para montar o restaurante na Praia do Toque (que, originalmente, funcionava no quintal de casa). O ambiente consegue ser, ao mesmo tempo, rústico e sofisticado, com pratos caprichados, que incluem temperos e vegetais da própria horta. De entrada, pedi o carpaccio de melancia com rúcula, castanha de caju, muçarela de búfala e molho de mostarda e mel. Para o prato principal, segui a sugestão do chef: moqueca de polvo (R$ 63; por sinal, deliciosa). Além da comida cheia de sabor, o ambiente é pura simpatia: os garçons se apresentam logo na chegada, e os donos passam de mesa em mesa conversando com os clientes.

Restaurante do Enildo

Sentar em um restaurante e pedir apenas uma água de coco é algo impensável em lugares como Porto de Galinhas ou Praia dos Carneiros, onde os estabelecimentos exigem uma consumação mínima. Referência em Porto da Rua e região, o Restaurante do Enildo (82- 3295-1310) é um dos mais movimentados, com opção para quem quer sentar no salão ou ficar com o pé na areia. Ainda assim, o atendimento será igualmente atencioso tanto se você pedir só uma bebidinha quanto se você quiser almoçar. O local faz a linha simples, mas organizado, com caldinhos (R$ 5) e pratos bem servidos como as peixadas (a partir de R$ 60). O próprio Enildo vem, de tempos em tempos, checar se está tudo bem com seu pedido.

Pousada da Amendoeira

O restaurante da pousada é aberto a não hóspedes no almoço e no jantar, mediante reserva. Os pratos individuais seguem a linha saudável, sem frituras, com muito tempero e sabor. Me apaixonei pelo Farofeiro, peixe grelhado com farofa de castanhas, arroz dois grãos, couve e purê de banana-da-terra (R$ 75), que acabei pedindo duas vezes. Outro que deixou saudades foi o Amarelo e Manga, peixe grelhado ao molho de manga, com banana da terra e arroz picante com coco e limão (R$ 67). No jantar, há uma entradinha-surpresa, já incluída no preço. A pousada tem horta própria, por isso a maior parte dos temperos e verduras é produzida ali mesmo, sem agrotóxicos. E o que sobra no prato vira adubo, fazendo um ciclo perfeito. Mas sempre tem lugar para a sobremesa, e o petit gateau de goiaba, acompanhado de sorvete de creme (R$ 27), foi simplesmente inesquecível.

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O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 03h30

Meu chalé era o primeiro, o mais próximo do mar. Deitada na rede da minha varanda particular, eu vi a lua cheia subindo e corri para a praia, iluminada apenas pelo luar. O barulho do vento funcionava como uma canção de ninar, embalando um sono tranquilo. A única preocupação era decidir se devia dormir um pouco mais ou levantar para ver o sol nascer daquele marzão, por volta das cinco da manhã.

O casal Jessy e Tsachi Greenhut (ela paulistana, ele israelense) compraram a Pousada da Amendoeira há nove anos – um sonho antigo, explica Jessy. “Nos apaixonamos pelo lugar”, conta. São apenas nove bangalôs, distribuídos pelo chão de areia, como se fosse uma extensão da praia. Os funcionários chamam os hóspedes pelo nome e também se apresentam: Fabiano, Hélio, Gil e tantos outros são sempre sorrisos, um sorriso genuíno. “Sempre reforçamos que eles são importantes, os funcionários também são a pousada”, diz Jessy.

Há uma preocupação constante com o meio ambiente. Nos quartos, xampu, sabonete e condicionadores são biodegradáveis. O lixo orgânico vira adubo e o restante é recolhido por uma cooperativa de Maceió. “Foi uma luta conseguir. Hoje, outros 30 estabelecimentos da região também estão reciclando”, comemora Tsachi. 

Para fazer o local o mais aconchegante possível, o casal fez algumas escolhas. Não há internet nos quartos, só nas áreas comuns, para que os hóspedes interajam. Em vez de Netflix, você pode emprestar filmes ou livros na biblioteca. Piscina também foi dispensada: “Para quê, com esse mar incrível, na temperatura ideal bem aqui na frente?”, diz Jessy. Aliás, é possível contemplá-lo das espreguiçadeiras do deque ou das cadeiras instaladas na areia. E, de lá, apenas estender a mão para pedir água de coco, porções, caipirinhas...

Melhor não pensar em regime ali. O café da manhã é à la carte, com frutas, açaí com granola caseira, pães feitos na pousada, tapioca, bolo, omelete, suco, café... Pedi uma banana e Fabiano me sugeriu: “quer com mel e canela, na chapa, com queijo coalho?”. Não consegui resistir. 

As diárias começam em R$ 730, com meia pensão (leia mais sobre o restaurante da pousada aqui)

Em tempo: crianças são bem-vindas.

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O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 03h30

Como chegar

Para chegar à Praia do Toque, o melhor é vir pelo Aeroporto de Maceió. Com carro alugado, você precisará ter atenção no caminho: é preciso pegar a BR-101 em direção ao Recife e sair em direção a Flexeiras. Não há muitas placas que indicam São Miguel dos Milagres ou a Rota Ecológica. Se optar por transfer, custa R$ 200 cada trecho, para até quatro pessoas por veículo.

Maré

Oos passeios para as galés e pelo mangue do Rio Tatuamunha dependem da maré. Programe-se para ir nas luas cheia ou nova, quando há maior amplitude de maré. Foi o que eu fiz.

Horários

Tudo é mais cedo por ali: o sol nasce antes das 5 da manhã e se põe por volta das 17h30. Restaurantes costumam fechar às 21h; o melhor é chegar para jantar até as 20 horas. Ao menos um dia, acorde cedo para ver o sol surgindo das águas do mar. As noites de lua cheia são outro espetáculo: ela também ascende do oceano e tinge de prateado o mar à frente. Sem iluminação artificial nas praias, o espetáculo é garantido. 

Réveillon

De 27 a 31 de dezembro, o Réveillon dos Milagres leva diversas atrações à Praia do Marceneiro, com festas open bar. É possível comprar as festas individualmente (a partir de R$ 400) ou em combo (a partir de R$ 1.890).

Projeto social

Criado por Jessy e Tsachi, da Posauda da Amendoeira, o Instituto Yandê realiza atividades sócio-ambientais na região. Há curso de informática, biblioteca, mutirões de limpeza e oficina de reciclagem. Doações de livros são bem-vindas.

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