Um mergulho nas piscinas de Pamukkale

Castelo de algodão tem fontes a 33 graus onde, diz a lenda, tudo se cura

Marianna Aragão, O Estado de S.Paulo

10 Março 2009 | 01h49

De longe, as manchas brancas parecem montanhas de neve. Ou grandes bolas de algodão suspensas no nada, o que acabou por dar ao local o nome de Pamukkale, ou castelos de algodão, em turco. Conforme você se aproxima, faz ainda menos sentido. Há gente por todo lado, segurando os sapatos e molhando os pés em piscininhas naturais, que descem em cascata numa colina de 160 metros.

 

Cascatas: terremotos esculpiram formações ricas e sal e minerais

Estamos a 20 quilômetros do centro de Denizli, cidadezinha no oeste da Turquia. As piscinas são, na verdade, bacias formadas pelos frequentes terremotos que atingiram a região e deram origem às nascentes de água, muito ricas em sal, minerais e calcário, explica o estudante de Turismo Porta Gokay, que nos serve de guia. O depósito desses materiais deu o aspecto esbranquiçado às rochas.

 

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Essa é a parte técnica da história. O encanto de Pamukkale vem de suas lendas. Uma delas conta que uma jovem muito feia e pobre, desesperada por não ter um pretendente, resolveu se jogar do alto da plataforma branca. Caiu nas águas de uma piscina, onde foi encontrada por um rapaz rico, que se apaixonou e se casou com ela. Diz-se, então, que quem se banha ali fica cada vez mais belo.

Milhares de turistas chegam à remota região em busca das propriedades medicinais de suas águas. "Aqui se cura de tudo", conta um taxista, enquanto beberica chá e aguarda os passageiros se divertirem nas cascatas. Portanto, mesmo em perfeita saúde, é a hora de fazer como eles. Tire os sapatos sem medo: a água está sempre em torno de 33 graus. E a paisagem mágica vai obrigá-lo a gastar algumas horas por aqui.

A cinco quilômetros dali, seguindo ao norte pela estrada emoldurada de macieiras, fica Kirmizi Su, ou "água vermelha". Mais uma fonte de águas terapêuticas. Nas ruas próximas está boa parte das pousadas e pensões. A maioria com letreiros em até cinco idiomas.

Em Karahayit, você encontra as casas de gözleme. Esse prato tipicamente turco é uma espécie de panqueca, geralmente recheada de queijo, mas pode levar espinafre, carne ou cogumelos, além de um bocado de pimenta. O toque adicional fica por conta das senhoras de lenço na cabeça e longas saias, as chefs do restaurante: sentadas no chão, forrado como uma mesa, elas travam longas conversas enquanto preparam a massa, recheiam e aguardam o gözleme ficar pronto. Espere sem pressa pela refeição, já que você também estará muito bem instalado nas confortáveis almofadas espalhadas pelo piso.

Estrutura

Desde que a região de Pamukkale foi declarada Patrimônio Mundial da Unesco, em 1988, cresceu o movimento de turistas em Denizli, uma charmosa cidade universitária. O boom de hotéis trouxe problemas. Muitos empreendimentos buscaram nas montanhas a água para abastecer suas piscinas privativas. O resultado? Diminuição dos níveis das bacias naturais e rachaduras nas pedras brancas de Pamukkale. Agora, a prefeitura tenta desativar estabelecimentos que ficam em um raio de até 2 quilômetros do local.

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