Emilio Parra Doiztua|The New York Times
Museu do Prado Emilio Parra Doiztua|The New York Times

Museu do Prado Emilio Parra Doiztua|The New York Times

Um roteiro de arte por Madri a partir do bicentenário Museu do Prado

Grafite, dança, cinema, literatura. Madri respira cultura dentro e fora do Museu do Prado, que celebra 200 anos em 2019

Bruna Toni , O Estado de S. Paulo

Atualizado

Museu do Prado Emilio Parra Doiztua|The New York Times

MADRI - “Queridas Ana e Sofonisba, escrevo desde o futuro, do século 21, para ser exata. Vocês gostariam de saber que lembramos de vocês. De ti, Ana, porque foi mulher, mãe e esposa de reis. De ti, Sofonisba, porque era uma das poucas mulheres que aparecem nos livros de história da arte – vestida, digo. E isso apesar de a maioria de seus quadros ter sido erroneamente atribuída a homens.” 

Ao lado do quadro Retrato da Rainha Ana de Áustria, pintado pela artista renascentista Sofonisba Anguissola em 1573, li o trecho da carta aberta. Escrita por uma visitante, como eu e você, o texto faz parte de uma das ações mais interessantes que o Museu do Prado criou para celebrar seus 200 anos, a serem completados no próximo 19 de novembro - navegue pelo mapa de pinturas do museu e descubra diversas curiosidades.  

Além de legendas pensadas pelo público, exposições especiais com seu acervo têm sido montadas desde o ano passado para recordar sua história e de suas principais obras e artistas – na lista dos famosos estão Velázquez, Goya, Ticiano, El Bosco, Rubens, Caravaggio, El Greco, Rembrandt, entre outros. 

A festa deste aniversário, contudo, não é só do Prado. A cada esquina de Madri, um grafite, uma casa de escritor, um teatro ou um tablado de flamenco deve algo a seu mais antigo museu. 

Por outro lado, como organismo vivo, capaz de contrapor olhares do passado e do presente num mesmo espaço e tempo – o que diriam as mulheres dos 1500 sobre o feminismo de nossos tempos? – um museu não sobrevive sozinho e nem está imune às transformações que o cercam.

Em janeiro de 1989, quando o Prado completava 170 anos, este jornal publicava uma reportagem intitulada Mudam os ventos no museu do Prado (leia na página original clicando aqui). Nela, discutiam-se os novos desafios da mais importante instituição artística da Espanha. “Apesar de seu enorme acervo, só agora o museu começa a sair da letargia em que esteve mergulhado no período do generalíssimo Francisco Franco. A mudança não se faz sem dores.”

Eram tempos de esperança, e, assim como nós, brasileiros, os espanhóis discutiam os rumos de sua redemocratização e identidade depois de tantas cenas de dor – nas Guerras Mundiais; na Guerra Civil; na ditadura franquista. Foi inclusive nesta década de 80 que uma das pinturas mais importantes da história retornava a Madri. Guernica, produzida por Picasso em 1937, foi “exilada” em Nova York a pedido do pintor até que a democracia retornasse a seu país. 

Quando voltou, sua primeira casa foi o Prado. Mas havia dificuldades de espaço e de dinheiro. Reformar o Palácio Villanueva, sede do museu, era necessário, e as obras exigidas ocorreram. Mas, mais do que anexos, foram os novos espaços culturais que surgiram ao longo destes dois séculos que ajudaram o Prado a crescer e se fortalecer. 

É o caso do Museu Thyssen-Bornemisza, cuja coleção impressiona: apesar de menor, é, por isso mesmo, mais ampla cronologicamente do que a do Prado. Após muita discussão, até hoje acesa, este último acabou por transferir suas obras contemporâneas para outras instituições. 

Assim, desde 1992, Guernica vive numa sala só sua no Museu Reina Sofía, outro grande centro de arte da capital que, ao lado do Prado e do Thyssen, forma a “Santíssima Trindade” dos museus madrilenhos. 

Pedimos licença, então, para nos juntarmos à festa do bicentenário abrindo a porta do acervo deste senhor museu. E, a partir dela, levar o leitor a outras tantas portas que surgiram em nosso roteiro artístico pela capital, algumas imprevisíveis e surpreendentes. Será uma viagem por galerias tão lindas quanto as pinceladas de Velázquez – e um convite a novos olhares e legendas para o que você encontrar.

MULTIMÍDIA - Navegue por mais de 6 mil obras do Museu do Prado guiado pela inteligência artificial 

SAIBA MAIS

Como chegar: seguindo pela linha 1 (azul) do metrô, desça na Estación del Arte. É a maneira mais fácil de chegar não só ao Prado, mas também ao Thyssen e à CaixaForum. A estação tem reproduções de obras dos museus da rota. 

Sites: na página do Turismo de Madri, um app auxilia a encontrar as principais obras dos museus do Prado, Reina Sofía e Thyssen: bit.ly/paseoarte. No site da Expedia, dá para reservar um tour privado pelo Prado (38 euros); em: bit.ly/exprado

 

*A repórter viajou com apoio da Expedia e do AirBnb.

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