Um roteiro europeu

De volta à Inglaterra, nosso indiscutível viajante surpreendeu-se com a quantidade de comentários sobre a coluna que escreveu, há duas semanas, a respeito dos nomes dos países, na qual comprovava que o Peru e a Turquia, por vias tortuosas, são nações homônimas.

Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2009 | 00h55

Mas eis que o leitor Carlos Pacheco, de São Paulo, acrescenta um novo elemento a esse enigma. Segundo ele, no idioma hebraico, a palavra hodu serve tanto para designar a Índia como para batizar a célebre ave que é muito apreciada na ceia de Natal. Em outras palavras: há um terceiro país que também significa Peru, estabelecendo, definitivamente, a supremacia dos meleagridídeos no universo da nomenclatura das nações.

Intrigado, Carlos Pacheco quer saber de nosso correspondente de onde, afinal, provém, a mencionada ave: se da Turquia, da Índia ou do Peru.

Mr. Miles, divertido com a polêmica, esclarece: "Well, my friend, sinto desapontá-lo, mas o legítimo peru está fora dessas questões semânticas. Ele é originário, segundo consta, da América do Norte, lugar onde adoram devorá-lo no Dia de Ação de Graças."

A seguir, ele responde à pergunta da semana:

Mr. Miles: acompanho sua coluna e me sinto compartilhando suas viagens maravilhosas e colecionando todos os seus conselhos de maior viajante do mundo. Minha família está programando, para o mês de julho, uma viagem à Europa. Gostaríamos de conhecer a Alemanha, passar por Praga e finalizar na costa da Croácia, mais precisamente em Dubrovnik. O senhor acha que esse itinerário é viável?

Teresinha de Lisieux F. Miranda

"Well, my dear Teresinha, não existe itinerário inviável: existem, sim, viajantes incapazes. O roteiro a que sua família se propõe é absolutamente factível. Um toque de Alemanha - sugiro, enfaticamente, que Dresden não fique de fora agora que está completamente recuperada -, a sustentabilíssima beleza de Praga e, em um outro universo, a beleza confinada de Dubrovnik.

Confinada, I must say, porque a ?pérola do Adriático? é, in fact, apenas a interminável beleza contida no interior de suas muralhas, uma espécie de museu vivo das rotas venezianas, da cobiça bizantina e da resistência local.

Trata-se, darling, de território confinado. Sujeito, portanto, à exploração obrigatória. It doesn?t matter quantas lojas modernas você encontrará encravadas nesse torrão do passado. A essência, as you will see, permanece intacta. Como, as well, em Praga ou mesmo em Dresden, esta última cidade completamente reerguida em 15 ou 20 anos, seguindo, however, seu projeto original.

Não deixe, entretanto, de preocupar-se com a logística de suas férias. Carros alugados na Alemanha dificilmente podem ser devolvidos em Praga sem sobretaxas caríssimas. Voos entre a capital da República Checa e Dubrovnik devem, seguramente, incluir escalas em Zagreb, com a exiguidade de frequências que essa opção sempre envolve.

Be careful, my dear. Busque as orientações de um agente de viagens de sua confiança para que seus destinos adquiram a compatibilidade necessária. Mas não deixe de ir: houve um tempo - nem tão longínquo assim - em que transitar entre Alemanha, República Checa e Croácia era tarefa para grupos de paraquedistas armados ou comandos de elite.

Hoje, thank God, as fronteiras estão abertas, como se espera de um mundo que precisa de nações para cuidar de suas partes, mas, indeed, pertence a todos nós."

* Mr. Miles é o homem mais viajado do mundo.Ele já esteve em 132 países e 7 territórios ultramarinos

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.