Um sopro brejeiro na badalada Biarritz

Cidade tem o requinte imperial, mas também a descontração dos surfistas que deslizam em suas ondas

BIARRITZ, O Estado de S.Paulo

30 Março 2010 | 01h52

Inventada como balneário pelo imperador Napoleão III e sua Eugénie, Biarritz surgirá aos seus olhos fulgurante e refinada, tal qual as lojas da Avenida de L"Imperatrice, onde fica o palácio construído para abrigar o amor do casal. A cidade é a joia do País Basco e se irmana ao restante da região principalmente pelo clima brejeiro, apesar dos rapapés de cidade coroada.

Resquícios de ter sido a primeira localidade francesa a abrir suas ondas para o surfe e da grande quantidade de gente que, ainda hoje, desliza sobre as águas? Essa seria uma hipótese bem razoável.

A partir de maio, os turistas começam a chegar e, no auge do verão, 70 mil pessoas se somam aos 30 mil moradores. As praias estão entre os principais atrativos e têm algumas vantagens em relação aos badalados balneários da Riviera Francesa.

Elas continuam públicas ? ainda não foram loteadas por restaurantes que cobram taxa de espreguiçadeira e guarda sol, como em Cannes ? e são cobertas de areia mesmo, sem as pedrinhas que torturam os pés dos turistas em Nice. Com um tempo extra e se o mar não estiver temperamental demais para iniciantes, invista em uma aulinha de surfe.

De manhã cedo, só os esportistas estão na dorminhoca Grand Plage, a principal da orla. Praia organizada, com duchas para tirar o sal do corpo e algumas regras. Nada de skate, nada de cães, nada de entrar na água se as bandeirolas indicarem o oposto.

Já a arquitetura monumental dos prédios da orla, incluindo aí o Hôtel du Palais (o tal palácio de Napoleão III e Eugénie) e o Cassino Municipal, são o oposto complementar das características casinhas dos vilarejos. Na falta de um país real para chamarem de seu, os bascos fazem das fachadas uma extensão de sua bandeira. O branco da cal está lá. Enfeitado pelo vermelho e pelo verde simbólicos (e, às vezes, pela tinta azul que sobrava dos barcos).

Barcos que ainda estão na marina. Pelo menos os de pesca, e não os que na Idade Média se atreviam a arpoar baleias. Atividade cotidiana até meados do século 17, quando os animais desistiram de frequentar as águas onde eram caçados para virar óleo de lamparina. / C.M.

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