Uma capital da paz no nordeste

É possível encontrar sossego em alguma capital nordestina, sempre associadas a praias cheias, muita música e agito de dia e, principalmente, à noite? A resposta é sim ? em Aracaju, capital do menor Estado brasileiro, Sergipe, os moradores parecem levar a vida sem muita pressa, aproveitando como poucos o sol, o mar e a farta gastronomia à base de peixes e frutos-do-mar. De acordo com uma pesquisa feita pela Secretaria de Turismo de Sergipe, é essa tranqüilidade e a aura de um lugar seguro os principais fatores que atraem os visitantes ao Estado. ?Confiamos tanto nessa realidade que, se algum turista comprovar que foi roubado aqui, ele será ressarcido pelo governo?, garante Pedro Valadares, secretário estadual de Turismo. Por via das dúvidas, é bom o interessado insistir no assunto, se for o caso. Segunda cidade planejada do País ? foi inaugurada em 1855 seguindo o formato de um tabuleiro de xadrez ?, atrás da piauiense Teresina, Aracaju tem, na Orla de Atalaia, o resumo de suas principais atrações. É ali que estão alguns dos melhores bares e restaurantes, sejam eles especializados em pratos internacionais ou regionais. Um exemplo é a Casa do Beiju, famosa por sua iguaria feita com farinha de tapioca e com recheio doce (o de coco e queijo é uma perdição) ou salgado, que pode levar ingredientes como carne-de-sol, frango com catupiry, presunto e queijo... Caranguejo ? Ainda na orla, mas em direção à Rodovia José Sarney, que leva às praias de Aruana, Robalo, Náufragos, Refúgio e Mosqueiro, fica a Passarela do Caranguejo, região que tem fama de servir os melhores caranguejos da capital. É o ponto de encontro certo para quem quer fugir dos points cheios de turistas e interagir com os moradores, freqüentadores assíduos do lugar. Em qualquer barraca ? como são chamados os restaurantes à beira-mar ?, a garantia é de porções fartas e suculentas. A capital sergipana também é reduto do autêntico forró pé-de-serra. Pelas bandas da Passarela do Caranguejo, um bom lugar para se ?matar? de dançar é o Restaurante e Casa de Forró Cariri. O espaço, todas as noites, oferece muito xote e muito baião, além de delícias culinárias como patinha de caranguejo, torta de macaxeira, camarão ao Cariri (moqueca de camarão no coco verde, camarão à milanesa, camarão no palito, arroz e farofa) e toda sorte de pratos com peixes e frutos-do-mar. Feche seu passeio pela Atalaia com uma ida ao Oceanário de Aracaju, da Fundação Pró-Tamar, que trabalha pela preservação das tartarugas-marinhas. O grande barato é ficar observando imagens, ao vivo, captadas do fundo do mar por uma câmera instalada a 12 metros de profundidade, numa plataforma da Petrobrás. No oceanário podem ser vistas 60 espécies, dispostas em dois tanques e 18 aquários. Nos aquários de água doce estão peixes encontrados no Rio São Francisco, como o vermelho e o surubim. Nos de água salgada, com réplicas de uma plataforma de petróleo tomada por organismos como algas, esponjas e corais, vêem-se tartarugas e cavalos-marinhos e até um tubarão-lixa. Cultura ? Um pouco da história e da cultura do povo sergipano pode ser conferido no Memorial de Sergipe (Avenida Beira-Mar, 626, Praia 13 de Julho). São 6 mil peças que retratam o Estado no período pré-colonial e sua participação na 2.ª Guerra Mundial, além de imagens sacras, artesanato, cerâmicas, fósseis animais e vegetais e itens que mostram o folclore, a literatura de cordel, a medicina popular e a gastronomia locais. Mas o que talvez chame mais a atenção no acervo do memorial seja a coleção de Vera Ferreira, neta de Lampião. Por tudo o que já se ouviu e já se mostrou do Cangaço, alguns objetos de uso pessoal do grande nome do movimento, morto numa emboscada no Estado em 1938, parecem despertar ainda mais a curiosidade por esse capítulo cheio de contradições da história nordestina.

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