Uma casa troglodita, com certeza

Escavadas nas montanhas, habitações são parada indispensável

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

31 Março 2009 | 02h42

As casinhas brancas, cavadas dentro das montanhas, de Matmata parecem coisa de filme. Bem, isso até tem uma dose de verdade (como você vai descobrir mais abaixo), mas, neste caso, o mérito do cenário inusitado é todo do povo berbere. As casas trogloditas mantêm a temperatura ambiente estável e são o abrigo perfeito em uma região onde o termômetro alcança 40 graus de dia e cai abaixo de zero grau à noite.

 

Aos 84 anos, Zohra Azouz recebe os visitantes com chá e narra a trajetória de sua família nas montanhas

Os primeiros berberes teriam chegado à cidade vizinha de Tamezrete por volta do século 11. Com o tempo, as casas trogloditas se tornaram uma espécie de favela na região, segundo explica o guia tunisiano Salem. As moradias, muito pobres, não tinham nem sequer luz elétrica. Com o apelo turístico, o governo investiu na infraestrutura dessas habitações, melhorando a qualidade de vida local.

 

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Hoje, as casas trogloditas são parada obrigatória dos ônibus de turismo. Conscientes da curiosidade dos visitantes por seu modo de vida, muitos moradores colocam todo tipo de atrativo para ganhar os turistas - e, com isso, conseguir alguns dinares a mais no orçamento.

A família de Zohra Azouz, de 84 anos, faz parte desse grupo. A matriarca recebe os visitantes com sorriso acolhedor. Logo vem o chá - é costume servir a bebida a quem chega. A partir de então, sinta-se livre para explorar tudo: da cozinha aos quartos, decorados com simplicidade, repletos de porta-retratos e objetos de família.

Com a ajuda de uma das filhas, Zohra conta que sua família está na moradia há mais de cem anos - seu avô já vivia ali. E, mesmo casados, alguns de seus filhos continuam vivendo em casas trogloditas que vão se anexando à original. Quando vão embora, os turistas dão a gorjeta à matriarca, que retribui com uma bênção berbere.

GUERRA NAS ESTRELAS

Quem ficou curioso com a experiência pode passar a noite - ou pelo menos almoçar - em uma típica casa troglodita. O Hotel Sidi Driss, feito como tal, tem quartos simples e confortáveis. A maioria não tem banheiro. Banho, só nos chuveiros coletivos.    

Foi ali, aliás, que George Lucas rodou uma das cenas antológicas de Star Wars. O bar do hotel, parte do planeta Tatooine, transformou-se no reduto das espécies mais estranhas da galáxia. Orgulhosos, os donos exibem um álbum de fotografias - um tanto quanto desbotadas pelo tempo - com os bastidores da produção.

 

Sidi Driss: hotel serviu como bar intergalático do filme de Lucas

PECHINCHE SEM MEDO

Pechinchar faz parte da cultura árabe. Não fique constrangido: faça uma contraoferta até 80% menor que o preço pedido. Se mostrar desinteresse, melhor. Quase sempre sua sugestão será aceita. E, ainda assim, o vendedor terá feito um ótimo negócio. À parte as quinquilharias turísticas de praxe (ímãs de geladeira, miniaturas e por aí vai), há produtos que você terá de comprar por lá. Eis alguns:

linkAzeite: a Tunísia é grande produtora de azeite de oliva. Há campos de oliveiras pelas estradas e, em Dougga, você verá algumas espalhadas pelas ruínas. Resista à tentação de provar a azeitona in natura. O gosto não é nada agradável

linkTâmaras: são encontradas por toda parte, em árvores que se parecem com palmeiras ou nas casas de comércio. Vendidas em caixas para facilitar o transporte

linkHarissa: feita com pimenta e especiarias, a pasta picante costuma ser servida como entrada em vários restaurantes. Coloque azeite em volta e coma com pão, devagar (é picante, lembra?). Nas cidades maiores, pode ser encontrada em lojas turísticas ou nos mercados, por um preço bem mais em conta

linkLenços diversos: você vai enlouquecer com os lenços coloridos. Os palestinos, super na moda, podem ser encontrados por até 4 dinares - cerca de R$ 6. Quanto mais você levar, maior o poder da pechincha

linkMão de Fátima: também conhecida como Hamsá, simboliza a mão protetora de uma das filhas do profeta Maomé. Os muçulmanos usam como talismã.

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