Mônica Nobrega/Estadão
Mônica Nobrega/Estadão

Uma cidade, dois resorts: entenda as estações de esqui de Park City

São os dois complexos de esportes de inverno: Park City Mountain e Deer Valley

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2019 | 04h40

PARK CITY - Quando disse que não há ganho sem sacrifícios, o tal do no pain, no gain, me referia não apenas ao frio, mas também a todo o equipamento de esqui. Botas, bastões, capacete, óculos e esquis compõem um kit pesado e desajeitado. Um incômodo que Park City ameniza com o serviço dos “mordomos de esqui”. 

Em horário agendado, no dia da nossa chegada, recebemos na sala do apartamento os tais mordomos, que traziam botas e os outros equipamentos, tudo baseado nas informações que havíamos passado previamente, como peso, altura e número de calçado. O kit da Ski Butlers para iniciantes custa a partir de US$ 160 por dia, e cerca de US$ 520 para uma semana. Há o mesmo serviço para snowboarders. Os preços incluem entrega e retirada na hospedagem. 

Não sou mais uma completa iniciante, mas também não cheguei ao nível intermediário. Em Park City desci duas vezes uma pista de 3.500 metros, fazendo curvinhas à esquerda e à direita para controlar a velocidade, e com baixo índice de tombos: nenhum na primeira descida, três na segunda (nesse caso, ainda deu para culpar o cansaço!).

Com altitude média de 2.100 metros na base das montanhas, Park City não provoca nenhum grande mal de altitude. Os passes diários para adultos custam a partir de US$ 157 em Deer Valley e de US$ 139 em Park City Mountain. 

Deer Valley

O instrutor Gianni Dervissoglou, argentino de Bariloche, recebeu meu grupo num portunhol confortável. Há muitos instrutores com esse mesmo perfil em Park City, o que facilita a vida de brasileiros que não entendem inglês. 

A maioria dos novatos passa a primeira meia hora achando que nunca conseguirá. Acontece com quase todo mundo; sugiro fortemente que você resista à sensação de desconforto desse primeiro contato, agravado pelo aperto das botas. Ali pela metade da segunda hora de aula você já estará deslizando um pouquinho – uns 5 metros –, ou bastante: um trecho de até 50 metros, se a empolgação e a coragem baterem fortes.

Deer Valley não recebe snowboarders. É um resort exclusivo para esquiadores, um dos três neste formato que existem nos Estados Unidos. Reparei que isso faz subir a média de idade do público frequentador, mas também garante uma bem-vinda tranquilidade para descer as pistas admirando a vista da cidade e a moldura da vegetação nativa, formada sobretudo por altas árvores coníferas.

Peguei o teleférico expresso Silver Lake para visitar a outra base de Deer Valley – também acessível de carro e pelos ônibus gratuitos que circulam o dia inteiro em toda a cidade, em média a cada 20 minutos, em rotas circulares que incluem todos os pontos de interesse para turistas. É uma área de condos e hotéis de luxo, como o Stein Eriksen Lodge, cinco-estrelas que já foi escolhido por publicações especializadas como o melhor hotel de esqui do mundo.

O Stein Eriksen, cujo nome faz homenagem ao esquiador norueguês homônimo, medalhista olímpico, tem um spa concorrido, onde a massagem “da casa” consiste em focar os movimentos nos pontos onde o corpo do turista mais dói depois de horas de esqui. É o hotel mais ski-in/ski-out da cidade, com neve literalmente na porta.

Park City Mountain

Outra argentina de Bariloche, Josefina Romero, nos esperava para as aulas na Park City Mountain. O dia era de nevasca forte, frio ainda mais intenso – chegou a 15 graus negativos no alto da montanha – e, dessa vez, as lições já não eram tão básicas. 

A área da escola de esqui junto à base Park City Village é bem grande, mais gostosa de aprender. O público é mais numeroso e jovem, incluindo snowboarders. O resort também é o mais conectado ao centrinho da cidade, com o teleférico Town partindo da Main Street e pistas (de nível difícil) que terminam na avenida principal. Para quem não pratica esportes de neve, Park City tem a gôndola Quicksilver para um passeio panorâmico que une montanhas: vai até Canyons. 

Animadíssima, Josefina logo nos ensinou a fazer curvas fechadas como forma de controlar a velocidade e frear os esquis de um jeito que o “formato da pizza” não consegue. Logo pudemos embarcar no teleférico PayDay para começar o grande desafio: os três quilômetros e meio da pista Bonanza, que é, sim, para iniciantes, mas tem algumas curvas e desníveis desafiadores.

Nada impossível. Tanto que, depois de uma pausa para almoço no ótimo The Farm, na base Canyons Village – pedi batata doce recheada com chilli de bisão, cheddar defumado e bacon, uma bomba que você pode chamar de caloria, mas eu estava chamando de energia –, voltamos, na companhia de Josefina, para a mesma Bonanza. E a descemos mais uma vez, como despedida das deliciosas pistas de Park City. 

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