Felipe Mortara/AE
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Uma escala cosmopolita encravada no sertão

Mistura de herança colonial, atrativos naturais e boa infraestrutura mantém a cidade de Lençóis no posto de porta de entrada da região

Felipe Mortara, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2012 | 15h47

Por mais que outras cidades e suas atrações estejam conquistando cada vez mais visitantes – ainda que devagar, o turismo em Andaraí, Ibicoara e Mucugê cresce ano a ano – a antiga Vila Rica da Bahia ainda tem os holofotes sobre si. Não tem jeito, Lençóis continua sendo a cidade mais, digamos, cosmopolita da Chapada Diamantina.

 

Quem sabe seja pela boa oferta de restaurantes, pousadas e bares. Ou por suas 24 agências de turismo receptivo. Talvez por conta dos dois voos semanais (às quintas-feiras e domingos) que chegam de Salvador. Ou ainda por ter a principal rodoviária da região, com três ônibus diários indo e voltando da capital, a 420 quilômetros de distância.

 

A chegada é suave. O colorido casario colonial neoclássico sobe a Serra do Sincorá a partir das margens do Rio Lençóis. A sensação de voltar ao século 19. As ladeiras de paralelepípedos centenários que tanto lembram as cidades históricas mineiras.

 

Mas o ritmo é de Bahia. O calor, também. Sem problemas: vende-se geladinhos, os saquinhos de suco congelado, por toda parte. E as noites são frescas.

 

Deixe-se perder pelas ruas estreitas, onde poucos carros se aventuram. Há sempre um comércio peculiar a descobrir, algum dos 10 mil habitantes com quem bater um papo. Um vendedor de doces, uma banda ensaiando chorinho numa pequena casa de portas abertas para a rua. A cidade vai acontecendo para quem caminha por ela.

 

Passeie pelo Mercado Cultural, junto à Praça das Nagôs e à Ponte dos Arcos. Reza a lenda que, durante a festa do padroeiro, em 23 de janeiro, caso a imagem do Senhor dos Passos deixar de passar sobre a ponte central da cidade, uma serpente emplumada surgirá debaixo dos arcos para devorar a população. Basta um dedo de prosa com um nativo para essa e outras superstições encantarem os visitantes.

 

Provas de que não é só um destino para aventureiros são as muitas famílias com crianças e idosos que escolhem a região para passar férias. A alta temporada, dizem os locais, não é pautada pelas chuvas ou secas, mas pelas férias escolares, em julho e de dezembro a fevereiro.

 

Logo ali. A grande vantagem de Lençóis, além do acesso por boas estradas para quase todos os cantos da Chapada, são as atrações que podem ser facilmente alcançadas a pé – ou em curtos percursos de carro. As piscinas naturais do Serrano, a 20 minutos de caminhada do centro, são um clássico passeio matinal. Em pouco tempo, chega-se ao Salão das Areias Coloridas, com pausa para fotos. Mais alguns passos e a Cachoeirinha convida para um mergulho. Um pouco mais de energia leva à Cachoeira da Primavera, com visual recompensador da cidade cercada de verde.

 

Depois do almoço é comum observar grupos andando tranquilamente até o tobogã natural do Ribeirão do Meio. O caminho tem poucas subidas e demora 40 minutos. O clima é quase de beira de piscina de clube.

 

Para quem tem mais pique, a Cachoeira do Sossego é um desafio e tanto – vale a pena contratar um guia. São 3 horas para ir, outras 3 para voltar. A trilha da Cachoeira do Mixila é outra boa pedida. Contrate uma operadora que garanta o transfer até o Rio Capivara e providencie infraestrutura para dormir em antigos abrigos de garimpeiros.

 

Um roteiro ainda pouco explorado combina mergulho na Cachoeira do Mosquito, a uma hora de Lençóis, e visita à Serra das Paridas. Os 18 sítios arqueológicos da serra foram descobertos por acaso em 2005, quando um incêndio queimou boa parte da vegetação e revelou pedras cobertas por milhares de pinturas rupestres. O que já se sabe é que há inscrições que datam de mais de 15 mil anos.

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