Uma grande porta no caminho para Santiago de Compostela

Em Saint Jean Pied de Port se encontram três das quatro rotas francesas seguidas pelos peregrinos

SAINT JEAN PIED DE PORT, O Estado de S.Paulo

30 Março 2010 | 01h52

Cruzar o arco de pedra de Saint Jean Pied de Port tem significado quase místico: o peregrino está prestes a iniciar a parte mais difícil da jornada até a espanhola Santiago de Compostela. Trata-se do desafio de vencer os Pirineus, na fronteira entre os países, com trechos tão íngremes que exigem fé redobrada.

Na cidadezinha cercada por grossas muralhas (e também detentora de uma cota de pirambeiras) se unem três das quatro rotas francesas que levam até Compostela, na Galícia, a mais de 20 dias de andança dali. Suas ruas estreitas com calçamento de pedra, Patrimônio da Humanidade pela Unesco, são ladeadas por fileiras de casas enfeitadas com flores.

E parecem ter sempre estado ali para receber e abastecer os peregrinos. As janelas são bem baixas, para facilitar a venda de um ou outro item que o viajante considerasse necessário.

Neste ano, a procura deve ser redobrada nos albergues especiais, que custam a partir de 7 por noite. Tudo porque a data dedicada a São Tiago, 25 de abril, cai num domingo, ou seja, 2010 é jacobino. Aliás, não se espante se ao lado das famosas vieiras que marcam o caminho você ler o nome Saint Jacques ? é Tiago, em francês.

Mesmo muito depois da invenção dos levíssimos bastões de caminhada de alumínio, os cajados de madeira continuam em todas as lojas, por cerca de 10. E as vieiras estão em chaveiros, camisetas e outros tantos itens.

Quem vai à cidade menos por religiosidade e mais por interesse histórico e gastronômico também não se decepciona. Para começar, ali nasceu o vinho Irouléguy, que os monges serviam aos exaustos peregrinos desde o século 12 ? as uvas haviam sido levadas até ali ainda no período de ocupação romana, no século 3.º. Quem tiver interesse mais específico pode conhecer a Cave d"Irouléguy (www.cave-irouleguy.com), aberta a visitas todos os dias, de abril a setembro.

Mas há também a La Fabrique de Macarons. Em tempo: os doces estão mais para bolinhos que para os casadinhos da La Durée. Os sabores vão do tradicional de amêndoas aos mais diferentes (coco com chocolate, pimentão de Espelette...).

Já na saída da cidade, uma parada na cidreria-restaurante Aldakurria (www.cidrerie-aldakurria.com; cardápio a partir de 20), para se abastecer com omelete de bacalhau, cordeiro, chouriço na cidra... Lá estão à venda as delícias de ganso da La Ferme Iribarne. Os famosos confits de canard e fois gras também são encontrados nos mercados gastronômicos de Saint Jean de Luz e Saint Jean Pied de Port. / C.M.

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