Uma pequena e colorida Veneza no meio da Alsácia

Colmar faz justiça à comparação com a cidade italiana com seus canais floridos, cafés e lojinhas de antiguidades

Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2007 | 03h01

A graciosa Colmar, na Alsácia, demora a revelar seus encantos. Na chegada à cidade, a seqüência inicial de prédios envidraçados como os de qualquer avenida de escritórios não tem mesmo a menor condição de empolgar o turista. A provável primeira parada, a Praça Rapp, que homenageia o general do exército de Napoleão Bonaparte nascido na cidade, também não desperta grande interesse.Mas essa sensação dura apenas até o viajante descobrir a parte antiga da cidade. Então, a expressão blasé dá lugar a uma sincera admiração. São ruas e mais ruas de traçado irregular e calçamento de pedra, casas e mais casas de arquitetura típica daquela parte do mundo, tão próxima da Alemanha, janelas e mais janelas com flores no parapeito. Tudo isso cortado por canais também enfeitados por flores (aliás, você nunca deve ter visto tantas flores por metro quadrado em área urbana), a ponto de os arredores da Rua Poissonnerie ser chamada de ''''pequena Veneza''''. E animado por mesas nas calçadas que parecem nunca mais acabar.No passado, Colmar era dividida. Na parte popular, na margem de baixo do Rio Lauch, viviam comunidades de operários: a dos peixeiros, a dos trabalhadores de curtume... Construídas nos séculos 16 e 17, as coloridas casinhas de dois ou três andares têm estrutura de madeira. O rio era usado para o transporte de mercadorias.Na margem alta moravam os ricos. Há vários monumentos construídos pelo arquiteto Auguste Bartholdi, criador de nada menos do que a Estátua da Liberdade. Sim, a de Nova York. Pois ele nasceu em Colmar em 1834 - e morreu em Paris, 70 anos depois - na casa que hoje abriga o museu em sua homenagem. O acervo conta com modelos que o arquiteto executou antes de chegar à forma definitiva da famosa estátua. Não deixe de ver também a Igreja de Saint-Martim, do século 14.Todo esse passeio é para ser feito a pé, por dois motivos: primeiro, é tudo perto e vários trechos são exclusivos para pedestres; segundo, porque há uma infinidade de lojinhas tentadoras de antiguidades, artigos de decoração e utensílios domésticos escondidas (ou não) pelas vielas. Além disso, a qualquer momento você pode parar para um café. Onde quer que se esteja, há uma mesinha ao ar livre a poucos passos.No Natal, Colmar é pura festa. Coberta de neve, ela se enche de luzes e abre suas ruas a cinco mercados que vendem produtos para a data. Coincidência ou não, a cidade tem um Museu do Brinquedo e dos Trenzinhos, onde estão expostas objetos que um dia foram presentes de Papai Noel.Ao ir embora da simpática Colmar, você nem reparará mais nos prédios comuns, envidraçados e sem graça. Conquistados pela cidade, seus olhos estarão sensíveis aos parreirais que a cercam. São plantações da uva pinot gris, com as quais se produz o vinho típico da Alsácia. Museu Bartholdi: (00--33-3) 8941-9060; www.musee-bartholdi.com. Entradas: 4,40 (R$ 11,18)Museu do Brinquedo: (00--33- 3) 8924-5526; www.museejouet.comInformações: www.ot-colmar.fr

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