Uma segunda chance

A estréia do blog de mr. Miles foi uma surpresa para muitos leitores deste caderno, que se sentiram "como que atraiçoados por perderem a exclusividade de seus comentários" (palavras de Marcia Bittencourt) ou acharam que "a sua adesão à transitoriedade da tecnologia barata é um duro golpe na própria permanência de suas ilações" (na visão de Hermínio Sotero Britto). Nosso incansável viajante aceita as críticas, mas confessa que é como se nada tivesse mudado. "Vejam bem, fellows: já fui obrigado a aderir ao laptop porque está cada vez mais difícil encontrar bons cadernos de capa dura e sólidos vidros de tinta como os que se usava no passado. Na última vez que levei folhas de papel carbono na bagagem, os policiais do aeroporto tiveram de chamar engenheiros químicos para confirmar que não se tratava de algum tipo de explosivo. Ou seja, as coisas se alteram, despite of me. Não sinto, porém, que mude a minha maneira de observar o mundo, esse mundo esplêndido que se transforma a cada estação e que, as you know, considero propriedade inalienável de todos, exceto dos que não se aventuram a buscar o que é seu. Por isso, agora também tenho meu blog. Como os sapos que inundavam a minha infância no Condado de Essex, posso sair por aí coaxando: blog, blog, blog. Isn?t it amazing?" A seguir, ele responde à pergunta da semana: Querido mr. Miles: voltei recentemente de Praga (República Checa), Budapeste (Hungria) e Cracóvia (Polônia). As cidades são lindas. Mas onde foi que arrumaram gente tão antipática? Maria Amélia Mello Suarez, por e-mail "Oh, my dear: sinto muitíssimo por sua experiência desagradável. No entanto, há algo que gostaria de lhe dizer com o coração aberto: a antipatia e a descortesia não são traços nacionais. São características, unfortunately, humanas. Você gosta de italianos? Pois believe me, darling: um italiano antipático pode ser mais desagradável que um grego antipático, um chinês antipático ou, até mesmo, I presume, um inglês descortês. Sempre me incomoda muito quando se atribui a uma única nacionalidade um traço definitivo de comportamento. Essa, by the way, é a origem de piadas engraçadas, discussões acaloradas e, last but not least, preconceitos incorrigíveis. Eu também já estive, several times, nas três lindas cidades que você teve a oportunidade de visitar. Também encontrei nelas pessoas infelizes que não gostam do que fazem e que transmitem essa amargura aos que servem. Mas, no geral, encontrei, as well, cidadãos amáveis e sensíveis que, é claro, ajudaram-me a ver suas cidades com olhos mais carinhosos. A única sugestão que posso lhe fazer, dear Mary, é que volte a elas as soon as possible para desfazer a má impressão que lhe ficou. Como alguém que, tendo caído de um cavalo, precisa rapidamente enfrentá-lo de novo, sob o risco de abandonar de vez o prazer de cavalgar. Assim como os destinos, os viajantes sempre merecem uma segunda chance. Para que uma linda experiência (ou três, como no seu caso) não termine se tornando apenas um harsh commentary." * Mr. Miles é o homem mais viajado do mundo. Ele já esteve em 132 países e 7 territórios ultramarinos. É colunista e conselheiro editorial da revista 'Próxima Viagem'

Mr. Miles , O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2008 | 16h33

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