Uma visita aos gabrovanos

miles@estadao.com.br*,

11 Novembro 2010 | 10h00

 

Em uma prova de que está com sua veia jornalística absolutamente desobstruída, nosso intrépido correspondente decidiu viajar para Gabrovo, na Bulgária, município natal do pai da futura presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Foi da cidade mais comprida do país - 25 quilômetros de extensão ao longo do Rio Yantra - que Petar Stefanov Roussev partiu, em 1929, para, após algumas escalas, formar família no Brasil.

Mr. Miles conta tudo o que viu em Gabrovo, a "Manchester búlgara". O que, de alguma forma, pode dar pistas sobre comportamentos atávicos que despertarão (ou não) durante seu mandato.

 

"Well, my friends: Gabrovo é uma festa. Não como Paris, of course. Não posso imaginar, however, que qualquer lugar do mundo, incluindo a sede do Partido dos Trabalhadores no Brasil, tenha comemorado tão efusivamente a eleição de mrs. Rousseff. Houve fogos nos céus dos Bálcãs e manifestações de euforia. O prefeito Nikolay Sirakov (ligeiramente bêbado, I’m afraid), foi às ruas para informar que já convidou a ‘neta ilustre de Gabrovo’ para visitar a urbe e receber, de suas mãos, a chave da cidade.

Há uma curiosa exposição de fotos de parentes de mr. Roussev aberta ao público. Por dois ou três dias, vossa presidente foi mais comentada que Berbatov, ídolo nacional da Bulgária que joga no Manchester United.

 

Gabrovo orgulha-se de possuir 14 mil estátuas e, in fact, pode-se vê-las por todos os lados, quase sempre bustos de homens com vastos bigodes. Não há hotéis ou restaurantes excepcionais, mas, ainda ontem, com Trashie ao meu lado, comi um excelente bohcha gyuvetch, acompanhado de uma garrafa de vinho Toherga, que me rendeu apenas três horas de cefaleia. O curioso, para seu conhecimento, é que Gabrovo é considerada a capital búlgara do humor. Tem até um simpático museu sobre o assunto. Do you want to know the reason for that?

 

É que os gabrovanos (ou seriam gabrovenses?) são célebres por sua… Como direi? Sovinice. E todas as piadas sobre o tema que circulam no país envolvem os habitantes da cidade diretamente. Vou dar alguns exemplos do que se diz, bem-humoradamente, sobre eles.

 

Os gabrovanos cortam os rabos de seus gatos para que eles entrem em casa mais rápido, de modo a economizar na calefação; que inventaram uma tampa para ovos, de modo a poder usar o ovo em mais de uma refeição; ao receber visitas para um chá com pão, os gabrovanos aquecem todas as facas, com o propósito de evitar que alguém se sirva de manteiga. Diz-se, ainda, que suas casas ficam sempre com as luzes piscando, porque, quando leem, eles apagam as luzes para virar as páginas.

 

Há milhares de ditos similares. Se de alguma forma a ascendência gabrovana de mrs. Rousseff pesar em suas futuras decisões, estejam certos, my friends, de que seu governo não terá a mínima chance de se tornar perdulário."

 

A seguir, nosso correspondente responde à pergunta da semana:

Mr. Miles: estamos programando viagem a Nova York com a família toda. Todavia, ouvimos recomendações para tomar cuidado, pois há uma onda de percevejos (bed bugs) na cidade, inclusive em hotéis de boa categoria. Há motivos para preocupação? Devemos desistir da viagem?

 

Ranulpho Pereira Santos, por e-mail

"Well, my friend: lamento dizer que os percevejos estão realmente de volta. Já atacaram, entre outros prédios famosos de Nova York, a loja de departamentos Bloomingdale’s e o Empire State Building.

On the other hand, exceto por algumas picadas doloridas, os bed bugs não costumam provocar consequências piores. A verdade é que a Big Apple poderá levar décadas para acabar com essa praga. Você não vai adiar sua viagem por tanto tempo, vai? Então, com o perdão pelo trocadilho, nem se coce por esse tema."

 

*É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ESTEVE EM 132 PAÍSES E 7 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

 

 

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