Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Uma vista panorâmica de Huayna Picchu

Passeio complementar à visita a Machu Picchu, no Peru, subida ao topo da jovem montanha pede esforço e, talvez, ajuda das mãos

Felipe Mortara, O Estado S. Paulo

31 Março 2015 | 03h00

MACHU PICCHU - A experiência de chegar a Machu Picchu é um grande momento em qualquer currículo turístico. E pode ficar ainda mais intensa, ganhar novos contornos e olhar panorâmico. Quando o nascer do sol torna inesquecível o primeiro encontro com a cidadela inca, do alto de Huayna Picchu a sensação ganha jeito de sonho realizado. 

Huayna Picchu é aquela elevação mais alta que aparece na maioria das fotos de Machu Picchu. Em quíchua, a língua dos incas falada até hoje na região, significa “montanha jovem”. Algum preparo físico ajuda a chegar até o topo, a 2.720 metros de altitude, 290 metros acima do patamar onde estão as ruínas. 

Lá do alto, no ponto ao qual, segundo os guias, os incas iam em busca de isolamento e iluminação espiritual, uma panorâmica dramática e vertical sobre o vale do Rio Urubamba e o complexo de terraços que, mais de 500 anos depois de construído, ainda surpreende pela sofisticação. Vale, inclusive, levar lanche e fazer um ligeiro piquenique nas alturas.

São necessários, em média, de 45 minutos a uma hora para se chegar lá, por degraus esculpidos na pedra em diferentes tamanhos. A subida é íngreme e o esforço, grande, principalmente por causa do ar rarefeito – levar um saquinho de folhas de coca pode ajudar nos momentos em que a altitude se fizer sentir. Apesar disso, vi viajantes de todas as idades pelo caminho. É questão de paciência e alguma persistência.

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Um dos principais desafios de Huayna Picchu é a umidade poderosa, especialmente entre os meses de outubro e março, que faz diferença até mesmo para os turistas de perfil atlético. Pelo mesmo motivo, as pedras se tornam escorregadias e podem provocar tombos. Em alguns pontos será preciso usar as mãos como apoio. Como desafio adicional, o fato de que, em alguns momentos, o abismo está logo ali. Mas não há motivo para sustos: a caminhada é segura.

Em certo ponto da trilha principal de Huayna Picchu é permitido descer à esquerda e seguir placas até o Templo da Lua – o que vai exigir um pouco mais de disposição para caminhar por duas horas extras, entre ida e volta, a partir do percurso básico. 

O Templo da Lua é uma ruína bem preservada, incrustada em uma espécie de caverna na rocha. O lugar é tão curioso que dá espaço à imaginação e novas dúvidas sobre os motivos que teriam levado os incas a erguer cada uma de suas edificações.

Controle rígido. Todos os dias, 400 pessoas, divididas em dois turnos, às 7 e às 10 horas, são autorizadas a subir ao alto de Huayna Picchu. O limite foi estabelecido em 2011, quando a visitação diária à própria Machu Picchu foi limitada a 2,5 mil pessoas. 

O acesso é controlado com rigor. Aos pés da montanha, o visitante tem de apresentar seu ingresso para aquele trajeto específico e preencher um livro de registros.

De modo geral, é possível andar sem guia, ainda que as explicações de quem conhece o lugar e suas histórias certamente enriqueçam a experiência. Na porta do parque, que abre pontualmente às 6 horas, dezenas de profissionais se oferecem para guiar a visita – com ou sem a subida a Huayna Picchu – por valores que variam de 100 a 150 soles (R$ 102 a R$ 154).

A qualquer momento pode ser preciso mostrar o passaporte. Leve o documento dentro de algum compartimento impermeável. Na saída, quem quiser pode receber um carimbo gratuito no passaporte com um icônico pictograma de Machu Picchu. 

Museu. Para quem busca mais informações sobre a incrível civilização inca que dominou aquela parte do Peru, o pequeno Museu de Sítio Manuel Chávez Ballón (entrada a 22 soles ou R$ 23) é opção complementar à visita a Machu Picchu. Exibe algumas peças, fotos e textos explicativos da cultura local. 

O museu fica no povoado de Águas Calientes, base de pernoite para os turistas que querem estar às portas da cidadela inca no horário da abertura do parque – antes, portanto, da chegada dos trens turísticos que trazem a maior parte dos visitantes. Mas, por estar distante do centrinho, exige uma caminhada de 30 a 40 minutos por estrada de terra. 

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SAIBA MAIS

Agende: para subir a Huayna Picchu é preciso comprar o ingresso antecipado no site oficial (machupicchu.gob.pe), a 152 soles (R$ 156), o que inclui a entrada em Machu Picchu. Subidas às 7h e às 10h.

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