Ilustração: Carlinhos Müller
Ilustração: Carlinhos Müller

Uma vitamina muito especial

Nosso viajante, agora visitando a Ilha de La Gomera, uma das mais belas e escarpadas das Canárias, aproveitou o fim de 2010 para realizar caminhadas no luxuriante Parque Nacional de Garajonay. Mr. Miles, como se vê, continua trotando mundo afora, ora aqui, ora acolá, habitué de aeroportos (vários leitores já relataram tê-lo visto; mas nenhum nos enviou uma foto para substituir a única e surrada imagem que ilustra esta página), com uma disposição de fazer inveja. Eis por que decidimos reunir algumas questões concernentes à sua saúde e ao seu entusiasmo que intrigam nossos leitores:

Mr. Miles, miles@estadao.com.br*,

08 Janeiro 2011 | 10h00

 

Mr. Miles: o senhor nunca cansa dessa rotina de viajar? E como faz para enfrentar o estresse do fuso horário? Monica Weinstein, por e-mail

"Well, my dear: sua pergunta é pertinente, indeed. Mas apenas do ponto de vista de um não-viajante. As you know, eu não viajo – eu vivo no mundo, o que é diferente. É claro que não sou super-homem, que me canso, me enfastio e tenho dores (ultimamente, tenho cobrado melhor desempenho de meu joelho direito, que ousa fraquejar em momentos de esforço). A diferença é que não sou turista, tampouco caixeiro-viajante ou comissário. I never have to follow a schedule, a não ser que me determine a fazê-lo. Assim, se um lugar me agrada, vou ficando. If I fell sick, protelo a partida. Quando estou incomodado pelo frio, rumo para um lugar quente. Quando há excesso de agitação, dirijo-me para um endereço pacífico. A mobilidade, my dear, é ótima profilaxia e, sometimes, excelente remédio. Quanto ao jet lag, confesso que nos primórdios da aviação passei por desajustes. Hoje, desembarco numa cidade às 18 horas, com meu relógio biológico ajustado para as 6 horas, e sigo para uma happy hour."

 

Mr. Miles, o senhor faz check-ups?

Dr. Martins Braga, por e-mail

"Thank you for your concern, doctor. Por insistência de minha tia Charlotte fiz uma avaliação geral no ano em que os meninos de Liverpool lançaram, if I remember, o Yellow Submarine. Estava tudo em ordem, I must say. Depois disso, exceto pelas recidivas da malária que contraí no Congo, nos anos 1950, não tive nada de grave. Ah, ia quase me esquecendo: fraturei alguns ossos em amazing adventures e sobrevivi a uma picada de escorpião na Namíbia. Também sofro, raramente, de disenterias e gripes, que curo com ervas da sabedoria zulu e uísque de boa procedência. Não pretendo fazer outros check-ups, por três razões. A vida tem sido generosa comigo, sou partidário da teoria de que quem-procura-acha e, last but not least, minha tia Charlotte já não está entre nós, que Deus a tenha."

 

Para manter-se assim ativo em provecta idade, o senhor faz uso de alguma vitamina especial? João Américo Magalhães, Belo Horizonte

"Provecta, my friend, means avançada. Então eu lhe pergunto: provecta em relação ao quê? Considero-me, in fact, uma pessoa avançada, porque sou um ser semovente num universo sedentário. Quanto a minha idade, Joseph, ela é que tenho: não está adiantada nem atrasada. Don’t you agree? Não quero ser cabotino, mas é óbvio que minha ‘vitamina especial’ é o entusiasmo que conservo em descobrir lugares e pessoas. Tarefa tão agradável quanto desafiadora. No dia em que não houver mais dessas pílulas em minha farmácia espiritual, o jornal, I’m afraid, terá de arranjar outro colunista."

 

*É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ESTEVE EM 132 PAÍSES E 7 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

 

 

 

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