Ursos à espreita em caminho de samurais

As vizinhas Magome e Tsumago mais parecem cidades cenográficas. Cheguei a Magome, a menor das duas, no final de uma tarde chuvosa, com o céu em tons de azul escuro. A rua principal estava quase vazia. Em uma das casas antigas, pude observar de uma fresta da janela uma família assistindo à TV. Alívio: por um momento, achei que tivesse viajado no tempo e que a qualquer instante me depararia com samurais e ninjas.

MAGOME, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2013 | 02h20

Entre as duas cidades há uma grande atração: o caminho Nakasendo, que costumava ligar Kyoto a Tóquio durante o período Edo (1603-1867), nos tempos do Japão feudal. O trecho entre Magome e Tsumago foi preservado - são 7 quilômetros em uma trilha sem muitas dificuldades, que pode ser completada entre duas e três horas de caminhada tranquila.

A maior parte dos turistas prefere mesmo iniciar a rota a partir de Magome, já que, nesse sentido, há bem menos subidas que na direção oposta. Por todo o percurso, placas alertam para a presença de ursos. A solução para isso estaria nos pequenos postes espalhados pelo percurso: sinos, que o viajante deve tocar para (supostamente) assustá-los, caso encontre um deles. Felizmente não topei com nenhum.

Era março e ainda havia muita neve pelo caminho. As paisagens mudam a cada curva: montanhas, florestas de pinheiros, algumas poucas casas e uma cachoeira. No meio da caminhada, pequenos altares budistas a céu aberto rodeados de árvores transmitiam muita paz.

À frente, após passar um grupo de empolgados senhores japoneses - muito mais preparados do que eu para enfrentar a neve -, uma clareira na floresta de pinheiros revelou uma casa antiga. De seu interior saiu um homem com roupas de camponês e chapéu de palha, estilo chinês. Ele apanhou água no poço em frente e entrou de novo na residência.

Curioso, caminhei devagar para observar o que se passava. Lá dentro o chão era de terra, uma panela de ferro cozinhava sobre a fogueira. O senhor me convidou para entrar, ofereceu chá e balas. Neste caso, era realmente um cenário: o tal camponês era um agente que trabalha para atender aos viajantes e acentuar o clima "vintage" da caminhada. / T.Q.

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