© 2018 Artists Rights Society (ARS), New York  Beeldrecht, Amsterdam
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Utrecht

Formas e cores puras

Mônica Nobrega, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2018 | 03h10

Encostamos as bicicletas numa parede qualquer – “nem precisa do cadeado, não acontece nada”, assegurou Jitte Rosendaal, o guia daquela tarde – e descemos para admirar e fotografar um exemplar gigante da Cadeira Vermelha e Azul. A réplica estava ao lado do Velho Canal, no meio da rua com calçamento de tijolinhos no centro de Utrecht, quarta maior cidade da Holanda com 300 mil habitantes e segunda parada no país. Retomamos a atmosfera medieval ali, sim. Mas o design continuou no centro das atenções. 

Ah, as bicicletas. Elas fazem parte da vida dos holandeses, quase como uma extensão do corpo. Em Utrecht, foram nosso meio de transporte para circular pelo centro histórico, ir e voltar do hotel, a 3 quilômetros de distância, sair para almoçar e jantar, visitar o Museu Central e fazer o tour guiado, cujo tema era o movimento artístico De Stijl, que completou 100 anos em 2017.

De Stijl reuniu um grupo de artistas interessados na pureza das linhas arquitetônicas, nas formas geométricas simples e na funcionalidade. Em muitos aspectos, foi parecido com a escola alemã Bauhaus, da qual, inclusive, foi contemporâneo. A redução da cartela cromática a cores primárias – azul, vermelho e amarelo vivos, além do preto e do branco – é sua característica mais marcante. Falar de De Stijl é falar dos retângulos e quadrados brilhantes do pintor Piet Mondrian (1872-1944).

Centenária. A Cadeira Vermelha e Azul foi criada por outro dos integrantes famosos do movimento, o designer e arquiteto Gerrit Rietveld (1888-1964), que nasceu e morreu em Utrecht. Foram as criações de Rietveld que conduziram nosso tour artístico pela cidade.

O Museu Central tem a maior coleção do designer no mundo, inclusive uma preciosidade: a Vermelha e Azul na sua versão original, só de madeira, sem pintura, que é como ela primeiro veio ao mundo, em 1918 – está completando 100 anos neste 2018, portanto. A pintura colorida só foi aplicada cinco anos depois, em 1923. 

Outros móveis criados por Rietveld estão expostos no Museu Central em interessantes e contrastantes arranjos com quadros franceses e holandeses da segunda metade do século 19 e primeira metade do século 20, pertencentes à coleção de uma certa família Van Baaren. Ficam assim até o fim de 2019. 

De bicicleta, seguimos entre canais e depois por dentro do belo Parque Wilhelmina, do século 19, até uma área residencial, cerca de 3 quilômetros a leste do centro histórico. Na década de 1920, esta era uma área nas franjas da cidade. 

Aqui, a socialite Truus Schröder (1889-1985) encomendou a Rietveld uma casa. A construção, entregue em 1924, virou patrimônio da Unesco tanto pelo design quanto pela funcionalidade de seu interior. As paredes se movem para adaptar os cômodos aos vários usos do dia. A Casa Rietveld Schröder está aberta a visitas, com agendamento. Dica: a lojinha tem bons livros sobre a arquitetura do período. 

Outra criação de Rietveld, conhecida como Casa do Chauffeur (do motorista) está perto, no número 20 da Rua Waldeck Pyrmontkade. É de 1928 e sua fachada em módulos, de tão afinada com os retângulos, cores e retas do movimento De Stijl, parece muito com um quadro de Mondrian.

Para ver mais em Utrecht

Canais 

Como Amsterdã, mas em menor escala, Utrecht centra a vida do dia a dia em torno dos canais. O Velho e o Novo são os canais principais; margens rebaixadas ao nível d’água recebem as mesas de restaurantes e bares e propõem, assim, uma experiência bem diferente de convivência com os cursos d’água. Passear pelas águas é indispensável – e você pode fazer isso em barco aberto, fechado, ou até de stand up paddle. Desde 20 euros. 

 

Dom Tower 

Com 112 metros, é a torre de igreja mais alta da Holanda. Lá do topo, depois de subir os 465 degraus (pelas escadas, não há elevador), tem-se uma bela visão panorâmica da cidade. A meio caminho, aos 50 metros de altura, estão os 14 sinos. Ingresso a 9 euros.

 

Tour de bicicleta 

A muito holandesa cultura da bicicleta é forte em Utrecht. Vale a pena se encaixar em passeios guiados para interesses específicos, como o passeio focado em comida da Colorbike. O city tour clássico pelo centro histórico recomendo que você faça por conta própria: alugue a bike no seu hotel ou em lojas do centro e perca-se.

 

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