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Vacinação acelera viagens pelo Brasil e até para o exterior

É alta a probabilidade de viajar nos seis meses após a segunda dose, afirmam 60,97% dos brasileiros ouvidos em levantamento do TRVL Lab, obtido com exclusividade pelo Estadão'. Máscara, álcool em gel e distanciamento continuam necessários

Nathalia Molina, Especial para o Estadão

23 de julho de 2021 | 05h00

Enfim, uma disputa entre Rio e São Paulo que vale incentivar: quem vacina mais. Só a imunização pode conter o coronavírus, afirmam os especialistas em saúde. E, no caso específico do turismo, apenas a vacinação traz a segurança necessária para as viagens voltarem, desde o início da pandemia repetem representantes de associações da área e executivos de empresas do setor.

Dados da segunda edição do relatório Insights para o Turismo, obtidos com exclusividade pelo Estadão, mostram que 60,97% afirmam ser alta a probabilidade de fazer uma viagem a lazer nos seis meses após a segunda dose da vacina. Destinos no exterior estão nos planos de 8,83% ainda para 2021 e de 21,37% para o segundo semestre de 2022. Em parceria com a Elo, o estudo foi feito pelo TRVL Lab, uma iniciativa da consultoria Mapie com a Panrotas, empresa que produz conteúdo para profissionais de turismo.

“A vacinação em massa dá a garantia de um retorno com mais consistência. Apesar de vermos alguns destinos cheios, como Gramado e Nordeste, a maior parte das pessoas ainda não viajou. Está aguardando se sentir segura”, afirma Carolina Sass de Haro, sócia da Mapie, uma das realizadoras do Tendências 360, evento online que discute o que há de novo no setor, de terça a quinta da próxima semana.

Feira normalmente realizada em São Paulo, a WTM Latin America também será virtual, entre 10 e 12 de agosto. O evento contará com destinos como Maldivas (primeira participação do país, que se destacou nas viagens de brasileiros na pandemia), Israel, Chile, Argentina e Orlando (EUA). “Um mês atrás, estávamos vendo viagens para vacinação ou quarentena. Agora, as pessoas estão começando a ir para onde querem e, para o ano que vem, isso deve se ampliar”, diz Simon Mayle, diretor da WTM Latin America. “Fiquei muito feliz com essa redução de taxa de infecção no Brasil. Sabemos que destinos no mundo começaram a abrir quando isso aconteceu.”

Mais países abertos para brasileiros

A lista de países abertos para brasileiros sem exigência de quarentena espicha a cada semana e comprova a importância da vacinação para essa sensação de segurança. Algumas companhias de cruzeiros também exigem imunização completa para embarque; a Norwegian é uma delas. França, Suíça e Canadá anunciaram que passam a receber viajantes internacionais – veja como emitir o certificado de vacinação em inglês e espanhol para viagem internacional.

O requisito para a entrada: estar totalmente imunizado contra a covid. A retomada gradual do turismo nacional e internacional endossa a tendência. Como as capitais de São Paulo e do Rio de Janeiro concentram a maior parte dos viajantes, tanto para o mercado doméstico quanto para o externo, o avanço da vacinação nessas duas cidades se reflete no aumento das vendas de serviços e produtos turísticos.

“Antes, eu tinha muito medo. Estava preocupada de pegar covid. Com a vacina, a gente se sente mais segura, mas não quer dizer que tem de sair por aí sem tomar cuidado. Álcool em gel e máscara são imprescindíveis. Não dá para deixar de lado. É importante as pessoas respeitarem as regras”, diz Judith Birochi Forni, de 74 anos, uma viajante assídua até o surgimento da covid. “Meu último roteiro foi para o Marrocos, em novembro de 2019.”

Até receber as duas doses, Judith se manteve isolada. No meio de 2021, foi para Serra Negra, no interior paulista, acompanhada das duas filhas, imunizadas com a primeira dose. As viagens com as amigas, normalmente organizadas por ela, pararam desde o início de 2020. Começam a ser retomadas no segundo semestre deste ano, com um roteiro da Pomptur, operadora especializada em terceira idade. “Uma coisa que deu segurança para o meu grupo voltar a viajar é que vamos para um hotel em Botucatu, uma cidade onde todos foram vacinados, mesmo os jovens”, explica.

A insegurança com a pandemia é uma das razões que desmotivam a viajar, para 72,37% dos ouvidos no Insights para o Turismo. O comportamento dos outros é preocupação para 34,43%. Afinal, vacinado pode se contaminar e passar o vírus adiante.

Destinos preferidos pelos viajantes

Lençóis Maranhenses e Jericoacoara (CE), no Brasil. Maldivas e a mexicana Tulum, no exterior. Esses destinos de águas transparentes estão entre os que tiveram crescimento expressivo nas vendas para brasileiros em junho deste ano, segundo o boletim mensal Dados e Cenários Futuros, divulgado nesta semana pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), que responde por cerca de 90% das viagens de lazer negociadas no País.

Além das surpresas, o levantamento traz os mais vendidos: outros lugares no Nordeste, Rio e a gaúcha Gramado, por aqui; e Cancún, Dubai, Egito e Miami (EUA), lá fora. “Uma tendência que percebemos ultimamente foi de lua de mel e até casamentos. Como não podemos ter aglomerações, as pessoas reduziram a cerimônia a grupos menores para casar no Caribe ou no México”, diz Roberto Haro Nedelciu, presidente da Braztoa.

A reação do mercado aparece nos números. Em 2020, as associadas da Braztoa tiveram 66,8% de queda no faturamento. Em junho deste ano, 22% já venderam o mesmo ou até mais do que antes da pandemia, em comparação com os valores históricos do mês. O retorno dos voos reforça a expectativa de retomada. No primeiro semestre de 2021, empresas como Air France e Copa Airlines aumentaram as frequências partindo do Brasil e a Latam alcançou 75% da oferta de assentos da sua malha dentro do País.

Férias num lugar com imunização avançada

A quantidade de pessoas vacinadas no destino também entrou para a lista de aspectos considerados pelos viajantes na hora de escolher que lugar visitar. Quando a família Santos decidiu o roteiro destas férias de julho, o Maranhão levou a melhor, por um conjunto de fatores; entre eles, o ritmo da imunização no Estado.

“A vacinação, minha e do meu marido, ocorreu em junho. Mas, com dois adolescentes em casa, analisamos as regiões com maior avanço da imunização e com lugares ao ar livre e temperaturas altas. Assim, escolhemos os Lençóis Maranhenses”, conta Cássia Ramos dos Santos, que viajou com o marido, Marcelo, e os filhos, Luana e Marcello. “Ficamos fascinados com a beleza do local. As lagoas são perfeitas, e o pôr do sol, na praia ou nas dunas, é um espetáculo.”

Antes de voltar para São Paulo, eles dormiram uma noite em São Luís. Segundo a Secretaria de Estado do Maranhão, a capital tem recebido mais moradores de outras regiões do Brasil. Em junho, 58% dos turistas da cidade saíram do Sul e do Sudeste, enquanto o Nordeste enviou apenas 25% dos visitantes.

Para o secretário estadual de Turismo, Catulé Júnior, como a vacinação em São Luís foi noticiada nacionalmente – a capital está com 95% da população imunizada com a primeira dose –, o fato acabou levando viajantes ao Estado. “Isso se torna atrativo para que as pessoas nos visitem. O turismo interno continua muito aquecido, e a ocupação está acima de 50% nos principais polos, especialmente São Luís, Lençóis, Delta e Chapada das Mesas.” De acordo com o consórcio de veículos de imprensa, no Maranhão, 47,14% da população está vacinada com a primeira dose e 29,85% já está totalmente imunizada (duas doses ou única).

Lençóis Maranhenses em família

Como o meio do ano é a época indicada para ver as lagoas dos Lençóis cheias, a família Santos aproveitou ao máximo o destino, dividindo a acomodação entre Barreirinhas (na Pousada Encantes do Nordeste) e Atins (na Jurará). “Tomamos todos os cuidados no transporte, na hospedagem e nos passeios. Os restaurantes tinham cozinheiros e garçons de máscara e uso de álcool em gel, inclusive à beira-mar.”

De janeiro a julho deste ano, a Encantes do Nordeste registrou 1.168 hóspedes do Brasil, sendo 35% do Sudeste, o que equivale a cerca de 400 pessoas. Durante o mesmo período de 2019, antes da pandemia, a pousada recebeu apenas 254 viajantes brasileiros no total. “O pessoal do Sudeste foi uma surpresa, um número bem maior do que a gente esperava. Houve uma corrida às viagens porque o ambiente da pandemia em cidades como São Paulo está pesado demais. As pessoas precisam sair, ver natureza, estar ao ar livre”, afirma Edvaldo Baltazar, morador da capital paulista e proprietário do grupo Trip Nordeste, dono das duas pousadas nos Lençóis Maranhenses.

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