Vaidoso: perfume exclusivo e barba feita

A meia hora do Louvre, já fora de Paris, fica o La Vallée Village, um lugar que certos homens saudosos, chorosos até, chamariam de Daslu a céu aberto. Um grande outlet de marcas de luxo que em 2011 recebeu 5,8 milhões de visitantes. Os brasileiros (65% brasileiras, para ser preciso) são os terceiros no ranking, atrás dos chineses e dos russos, me conta Bernard Kouao, gerente de turismo do lugar, enquanto nos deslocamos pra lá a bordo de um ônibus que certos homens chamam de shuttle. O transporte passa nos hotéis recolhendo os interessados e custa 23, ida e volta. Um homem sovina preferiria gastar metade disso para ir de metrô e trem, mas, sorri Bernard, "voltaria carregando sozinho aquele monte de sacolas".

O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2013 | 02h11

As 120 lojas ocupam uma área plana com jeitão de cidade cenográfica e vendem roupas e calçados de coleções antigas. Para estarem ali, elas são obrigadas a dar no mínimo 33% de desconto. Na média, dão 42%. E o bilhete do tal shuttle garante outros 10%. Ralph Lauren, Dolce & Gabbana, Burberry, Michael Kors, Hugo Boss, Armani, quase todas estão lá. Difícil sair de mãos abanando, embora o homem repórter aqui só tenha conseguido trazer uma camisa Lacoste de 49. Ah, também deu pra tomar um sorvete de straciatella con pistachio no quiosque da Amorino (isso sim digno de saudade...) e tirar o atraso do Wi-Fi grátis - coisa estranhamente rara em Paris.

Agora, se você é do tipo de homem que tem dificuldade de se vestir sozinho seu destino são as famosas Galeries Lafayette. Na cobertura, eles oferecem um serviço mui exclusivo chamado La Suite: um apartamentaço de 400 metros quadrados fresco, bem iluminado, com biblioteca, obras de arte, cozinha e uma varanda voltada para a Basílica de Sacre Couer. Ali, em sessões de uma hora a um dia inteiro, na maior privacidade, um(a) personal stylist fará tudo o que você pedir. Em termos de moda, ô! Desde uma consultoria ligeira para adequar o look para uma reunião importante até a troca completa do guarda-roupa. Nesse caso, o(a) profissional lhe fará umas perguntas prévias e eventualmente pedirá para olhar o que você trouxe na mala, a fim de conhecer melhor suas grifes prediletas, seu way of life. Há brasileiros usando o serviço para decorar os apês comprados na cidade. Duas horas custam 250, incluindo o delivery das compras no hotel. Atende mulheres também, claro.

No campo dos presentes, trazer de Paris um autêntico perfume francês ("Comprou no free shop, amor?") pode soar tão batido quanto ver a Monalisa no Louvre... Mas, e se você fizer um perfume francês com as próprias mãos? A Fragonard, uma fábrica originária de Grasse, nos Alpes, cuja história remonta aos anos 20, ministra oficinas a perfumistas de primeira viagem. Elas são realizadas na concorrida loja da marca perto das Galeries Lafayette, instalada numa mansão de 1860 e onde há um museu com bela coleção de frascos de perfumes de 2 mil anos. O curso custa 95, podendo cair a 60 para grupos de 10 a 21 pessoas. Não é trabalho para homens incompassíveis. A mistura de essências traz à tona sensações e saudades inesperadas. No fim, você engarrafa e dá nome à sua criação. Cuidado. No meu "Paris 2012" acho que exagerei na bergamota...

Uma vez na estica (ok, "na estica" é pra homens dos anos 70...), talvez você queira dar um pulo na barbearia do Alain, escondida numa ruela do Marrais desde 1935. Abra a porta de vidro e se embriague com o aroma de loção pós barba. Uma coleção de navalhas, pincéis, armários de madeira e três cadeiras antigas remetem aos salões de bairro do passado. É o último nesse estilo em Paris.

Aqui você pode não só cortar e aparar barba, cabelo e bigode à antiga (toalha quente, hum...) como aprender a cuidar bem de cada tipo de pelo. O Alain, um papo agradável como se espera de um bom coiffeur, vai ter prazer de contar como formatou o bigode do ator Jean Dujardin (O Artista), um dos clientes famosos, enquanto lhe dá um trato na barba por 32. Mas ele só atende com hora marcada. E como a agenda está sempre cheia por pelo menos 15 dias, convém reservar do Brasil. Não, não tem revista de mulher pelada.

/ CHRISTIAN CARVALHO CRUZ

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